Mostrando postagens com marcador Ministério Pastoral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ministério Pastoral. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de abril de 2018

SER PASTOR!

Qual o sentido dessa palavra? Ser pastor! Uma afirmação tão pequena, mas repleta de tanto significado!

Ser pastor é muito mais que ser um pregador. Está além de ser um administrador de igreja. Muito além de professor ou conferencista. Ser pastor é algo da alma, não apenas do intelecto.

Ser pastor é sentir paixão pelas almas. É desejar a salvação de alguém de forma tão intensa, que nos leve à atitude solidária de repartir as boas-novas com ele. É chorar pelos que se mantém rebeldes. É pensar no marido desta irmã, no filho daquela outra, na esposa do obreiro, nos vizinhos da igreja, nos garotos da rua. Ser pastor é tudo fazer para conseguir ganhar alguns para Cristo.

Ser pastor é festejar a festa da igreja. É alegrar-se com a alegria daquele que conquista um novo emprego, daquele que gradua-se na faculdade, daquele que recebe a escritura da casa própria ou do outro que recebeu alta no hospital. Ser pastor é ter o brilho de alegria ao ver a felicidade de um casal apaixonado, ao ver o sucesso na vida cristã de um jovem consagrado, é festejar a conversão de um familiar de alguém da igreja por quem há tempos se vinha orando. Ser pastor é desejar o bem sem cobiçar para si absolutamente nada, a não ser a felicidade de participar dessa hora feliz.

Mas ser pastor também é chorar. Chorar pela ingratidão dos homens. Chorar porque muitas vezes aqueles a quem tanto se ajudou são os primeiros a perseguirem-nos, a esfaquearem-nos pelas costas, a criticarem-nos, a levantarem falso testemunho contra a igreja e contra nós. É chorar com os que choram, unindo-nos ao enlutado que perdeu um ente querido, é dar o ombro para o entristecido pela perda de um amor, é ser a companhia do solitário, é ouvir a mesma história uma porção de vezes por parte do carente. Chorar com a família necessitada, com o pai de um drogado, com a mãe da prostituta, com a família do traficante, com o irmão desprezado.

Ser pastor é não ter outro interesse senão o pregar a Cristo. É não se envolver nos negócios deste mundo, buscando riquezas, fama e posição. É saber dizer não quando o coração disser sim. É não ir à casa dos ricos em detrimento dos pobres. É não dar atenção demasiada para uns, esquecendo-se dos outros. É não ficar do lado dos jovens, em detrimento dos adultos e vice-versa. Ser pastor é não envolver-se em demasia com as pessoas, ao ponto de se perder a linha divisória do amor e do respeito, do carinho e da disciplina. Ser pastor é não aceitar subornos nem tampouco desprezar os não expressivos.

Ser pastor é ser pai. É disciplinar com carinho e amor, conquanto com a firmeza da vara, da correção e, não raras vezes, da exclusão de pessoas queridas. É obedecer a Bíblia, não aos homens. É seguir a Deus, não ao coração. Ser pastor é ser justo. Ser pastor é saber dizer não, quando a emoção manda dizer sim. Ser pastor é ter a consciência de não ser sempre popular, principalmente quando tiver que tomar decisões pesadas e difíceis, e saber também ser humilde quando a bênção de Deus o enaltecer diante do rebanho e diante do mundo. Os erros são nossos, mas a glória é de Deus.

Ser pastor é levantar-se quando todos estão dormindo e dormir quando todos estão acordados, socorrendo ao necessitado no horário da necessidade. Ser pastor é não medir esforços pela paz. É pacificar pais e filhos, maridos e esposas, sogros e genros, irmãos e irmãs. Ser pastor é sofrer o dano, o dolo, a injustiça, confiando nAquele que é o galardoador dos que o buscam. Ser pastor é dar a camisa quando lhe pedem a blusa, andar duas milhas quando o obrigam a uma, dar a outra face quando esbofeteado.

Ser pastor é estar pronto para a solidão. É manter-se no Santo dos Santos de joelhos prostrados, obtendo a solução para os problemas insolúveis. Ser pastor é não fazer da esposa um saco de pancadas, onde descontar sua fragilidade e cansaço. Ser pastor é ser sacerdote, mantendo sigilo no coração, mantendo em segredo o que precisa continuar sendo segredo, e repartindo com as pessoas certas aquilo que é "repartível". Ser pastor é muitas vezes não ser convidado para uma festa, não ser informado de uma notícia ou ser deixado de fora de um evento, e ainda assim manter a postura, a educação, o polimento e a compaixão. Ser pastor é ser profeta, tornar o seu púlpito um "assim diz o Senhor", uma tocha flamejante, um facho de luz, uma espada de dois gumes, afiada e afogueada, proclamando aos quatro ventos a salvação e a santificação do povo de Deus.

Ser pastor é ser marido e ser pai. É fazer de seu ministério motivo de louvor dentro e fora de casa. É não causar à esposa a sensação de que a igreja é uma amante, uma concorrente, que lhe tira todo o tempo de vida conjugal. Ser pastor é amar aos seus filhos da mesma forma que ensina aos pais cristãos amarem aos seus. É olhar para os olhos de seus filhos e ver o brilho de seus próprios olhos. É preocupar-se menos com o que os outros vão pensar e mais no que os filhos vão aprender, sentir e receber. É ver cada filho crescer, dando a cada um a atenção e o amor necessários. É orgulhar-se de ser pai, alegrar-se por ser esposo, servir de modelo para o povo. E, quando solteiro, tornar a sua castidade e dignidade modelo dos fiéis, enaltecendo ao Senhor, razão de sua vida.

Ser pastor é pedir perdão. Se os pastores fossem super-homens, Deus daria a tarefa pastoral aos anjos, mas preferiu fazer de pecadores convertidos os líderes de rebanho, pois, sendo humanos, poderiam mostrar aos demais que é possível ser uma bênção. Mas, quando pecarem, saberem pedir perdão. A humildade é uma chave que abre todas as portas, até as portas emperradas dos corações decepcionados. A humildade pode levar o pastor à exoneração, como prova de nobresa e integridade, como pode fazê-lo retomar seus trabalhos com maior pujança e vigor. Há pecados que põem fim a um ministério e ser pastor é saber quando o tempo acabou. Recomeçar é possível, mas nem sempre. Ser pastor é saber discernir entre ficar ou sair, entre continuar pastor e recolher-se respeitosamente.

Ser pastor é crer quando todos descrêem. Saber esperar com confiança, saber transmitir otimismo e força de vontade. É fazer de seu púlpito um farol gigantesco, sob cuja luz o povo caminha sempre em frente, para cima e em direção a Deus. Ser pastor é ver o lado bom da questão, é vislumbrar uma saída quando todos imaginarem que é o fim do túnel. Ser pastor é contagiar, e não contaminar. Ser pastor é inovar, é renovar, é oferecer-se como sacrifício em prol da vontade de Deus. Ser pastor é fazer o povo caminhar mais feliz, mais contente, é fazer a comunidade acreditar que o impossível é possível, é fazer o triste ser feliz, o cansado tornar-se revigorado, o desesperado ficar confiante e o perdido salvar-se. As guerras não são ganhas com armas, mas com palavras, e as do pastor são as palavras de Deus, portanto, invencíveis.

Ser pastor é saber envelhecer com dignidade, sem perder a jovialidade. É ser amigo dos jovens e companheiro dos adultos. Ser pastor é saber contar cada dia do ministério como uma pérola na coroa de sua história. Ser pastor é ser companhia desejada, querida, esperada. É saber calar-se quando o silêncio for a frase mais contundente, e falar quando todos estiverem quietos. Ser pastor é saber viver. Ser pastor é saber morrer.

E quando morrer, deixar em sua lápide dizeres indeléveis, que expressem na mente de suas ovelhas o que Paulo quis dizer, quando estava para partir: "combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé". Ser pastor é falar mesmo depois de morto, como o justo Abel e o seu sangue, através de sua história, de seu exemplo, de seus escritos, de suas gravações. Ser pastor é deixar uma picada na floresta, para que outros venham habitar nas planícies conquistadas para o Reino do Senhor. Ser pastor é fazer com que os filhos e os filhos dos filhos tenham um legado, talvez não de propriedades, dinheiro ou poder político, mas o legado do grande patriarca da família, daquele que viveu e ensinou o que é ser um pastor.

Eu sou pastor.

Obrigado, Senhor!

Autor: Pr. Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Estresse no ministério pastoral: saiba como evitar

Fonte: Expositor Cristão / julho 2010, p.8 e 9.

Quem nunca teve um dia de estresse no trabalho? Quando este tema vira rotina e os sintomas se tornam crônicos é preciso ficar em alerta. Quando o assunto é o estresse em clérigos(as) é mais grave ainda porque estes se sentem responsáveis por uma gama de atividades e funções. Quando não dá para desempenhar todas as funções, automaticamente surge a cobrança pessoal. Se o trabalho se transforma em um tormento, você pode estar sofrendo a Síndrome de Burnout, um distúrbio psíquico causado por esgotamento físico e mental intenso associado ao trabalho. Isso sugere que quem tem esse tipo de estresse sente-se consumido física e emocionalmente, e começa a apresentar comportamento agressivo e irritado.
A matéria que você está lendo se refere ao estresse na vida dos clérigos(as). Para tal, a redação do Expositor procurou o psicólogo e pastor, Cesar Roberto Pinheiro que fez seu mestrado na PUC – Campinas. O pastor Cesar entrevistou 74 pastores(as) da 3ª Região Eclesiástica para chegar aos dados precisos do nível de estresse em clérigos(as) metodistas. O resultado do nível de estresse das pessoas pesquisadas foi maior, percentualmente, que o nível da população de São Paulo, ou seja, 50 por cento para os pastores(as) e 35 por cento para São Paulo. Isso é preocupante! Também procuramos o pastor e psicólogo, Josias Pereira, que tem uma ampla experiência em psicologia clínica e pastoral e, por fim, o ex-professor titular da faculdade de teologia e pastor aposentado, Rev. Ronaldo Sathler Rosa, por agregar uma larga experiência na área do cuidado pastoral.
Na pesquisa realizada pelo pastor Cesar, ele identifica que os pastores em geral têm uma grande dificuldade para lidar com esse tipo de tensão, pois o trabalho pastoral “constituiui-se em um dos mais polêmicos da sociedade, exigindo um conjunto de qualidades e responsabilidades às vezes, muito acima do que é exigido em outras profissões como, por exemplo: integridade ética e moral; equilíbrio emocional em todos os momentos; conduta exemplar; conhecimento em diversas áreas (musical, administrativa, legal, relacional); dedicação exclusiva; proximidade relacional (costuma-se dizer no meio eclesial metodista que ‘o pastor/a precisa ser um amigo/a’); saúde física plena (‘o/a pastor/a não pode ficar doente’); e senso de empatia”.
Destaque
O resultado do nível de estresse das pessoas pesquisadas foi maior, percentualmente, que o nível da população de São Paulo, ou seja, 50 por cento para os pastores(as) e 35 por cento para São Paulo.



O serviço pastoral, então, gera estresse? Ao citar alguns pesquisadores da área do estresse ocupacional, Cesar Pinheiro, afirma que “qualquer tipo de trabalho possui agentes potencialmente estressores para o indivíduo”. Nesse sentido, “o trabalho pastoral também está sujeito ao estresse. Os dados obtidos indicam que 50 por cento da população pastoral metodista [dentre 74 clérigos(as) entrevistadas], tende a estressar-se no exercício do ministério. Este percentual obtido é sobremaneira elevado, considerando-se dados de pesquisas recentes sobre o tema. De acordo com o estudo realizado pela Dra. Marilda Lipp, do Laboratório de Estudos Psicofisiológicos de Stress, da PUC-Campinas, a média do nível de stress na cidade de São Paulo é de 35 por cento. Logo a presença de estresse na amostra pesquisada encontra-se significativamente acima da média da população geral de São Paulo, e isto é muito preocupante”. Vale ressaltar, também, a orientação do psicólogo Josias Pereira: “uma pessoa estressada afeta as outras com as quais convive dispersando o seu mal estar entre os demais, pois o relacionamento inter e intrapessoal é altamente afetado”, portanto, o estresse pode interferir no lar.

Período mais estressante

Para Cesar o período mais estressante no ministério está entre os primeiros cinco anos. Ele afirma: “De acordo com minha pesquisa, os primeiros 5 anos do ministério pastoral tendem a ser os mais estressantes. Dentre a amostra estudada, 50 por cento relatou que os primeiros cinco anos foram os mais estressantes no ministério pastoral. Cabe destacarmos ainda que a parte do grupo (17 por cento) referiu o período entre 6 e 10 anos como o mais estressante do seu ministério”. Para Josias Pereira, sua experiência pastoral e psicológica indica que não é somente no início do ministério que o estresse atinge o pastor(a), mas também quando se aproxima da aposentadoria: “a rigor não podemos definir no início do ministério, pois tudo depende muito das condições pessoais e circunstanciais, bem como das contingências. No entanto, a experiência indica que é mais provável nos primeiros anos de ministério e nas proximidades da aposentadoria, talvez pela insegurança do porvir, que também se apresentam com freqüência em outras atividades”, e acrescenta: “quanto maior convicção do chamado divino, menor é o risco de estresses, pois o principal fator determinante são os conflitos de valores, embora esteja sempre inconsciente, pois quando conscientizados os sintomas podem a ser resolvidos”.
Também nesse sentido é reveladora a pesquisa de Roseli Margareta K. de Oliveira que aponta em sua dissertação de mestrado, numa pesquisa envolvendo 38 pastores da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB) que, o nível de estresse está presente nos primeiros cinco anos do ministério, inclusive alguns dos pastores entrevistados pela pesquisadora, já se encontram com a síndrome de Burnout, ou como define o psicólogo Josias Pereira, “o esgotamento nervoso”. Se você é uma pessoa extremamente exigente e perfeccionista e que não mede esforços para atingir bons resultados, é preciso tomar cuidado, pois essas pessoas são as mais vulneráveis à síndrome. 

Sintomas com maior frequência

Os sintomas mais presentes de acordo com Cesar Pinheiro são definidos da seguinte forma: “sintomas físicos, por exemplo, dores de cabeça, boca seca, tensão muscular entre outras; sintomas psicológicos: ansiedade, vontade de fugir de tudo, hipersensibilidade emotiva...; sintomas físico-psicológicos (quando os anteriores estão presentes). Desta forma ao verificarmos a prevalência de sintomas, descobrimos que 48,65 por cento do grupo com estresse, apresentou sintomas psicológicos (com predominância entre as mulheres), 37,84 por cento, sintomas físicos e 13,51 por cento, estavam entre aqueles com ambos os sintomas. Um detalhe significativo é que, dentre as mulheres participantes da pesquisa, o segmento das clérigas casadas revelou maior índice de estresse (78,5 por cento) em relação às clérigas solteiras (45,45 por cento)”.
Para Josias Pereira pode-se considerar “os sintomas em função de suas conseqüências, isto é, há manifestações somáticas que são graves, porém, não apresentam urgência, pois suas conseqüências ocorrem a longo prazo, tais como fenômenos digestivos ou dermatológicos e outros tantos. Já as agudas são as crises circulatórias ou cardíacas, são os casos de AVC’s (acidente vascular cerebral, isto é, derrame cerebral ou infarto cerebral) que exigem atendimento com muita urgência, pois qualquer demora pode ser fatal”. Entretanto, ressalta o pastor, “é bom saber que para todos estes casos a prevenção ainda é o melhor remédio”.

Principais estressores ocupacionais em clérigos(as)

A pesquisa realizada pelo psicólogo Cesar Pinheiro revela dados surpreendentes, pois os maiores estressores em clérigos(as), os três mais importantes foram: “preocupação com a educação dos filhos frente às mudanças de residência; ter que sujeitar ao processo de nomeação pastoral e, por fim, ter que negociar os subsídios pastorais com a administração da Igreja”. Além do mais, as mulheres casadas tiveram um maior índice de estresse, possivelmente, “por estar relacionada aos múltiplos papéis sociais que elas precisam assumir, principalmente com respeito à vida pessoal”, conclui Cesar.
Acúmulo de funções também pode ser uma fonte de estresse, pois mesmo que a pessoa dê conta de realizar os trabalhos que lhe são designados, “quando ele não é reconhecido, a satisfação acaba se transformando em compulsão. Isso leva ao esgotamento, depressão ou transtornos ansiosos", como define a psicóloga Fernanda Elpes Nakao em uma entrevista na Revista Vida e Saúde em setembro de 2009.

Dicas de como prevenir o estresse

Existem meios de prevenir o estresse? O pesquisador Cesar Pinheiro dá algumas dicas: “É preciso considerar alguns aspectos importantes no controle e prevenção do estresse: alimentação, descanso, exercícios físicos, apoio psicológico e o cuidado pastoral”. Cesar afirma, ainda, que “a fé é um aliado poderoso no processo de enfrentamento do stress”.
O professor Ronaldo Sathler Rosa afirma que “a prática rotineira de atividades físicas, devidamente orientadas e ajustadas à condição particular de cada um, é fator positivo para a eliminação de cansaços desproporcionais e para o equilíbrio da personalidade. A vida sedentária atinge, obviamente, o humor, a vitalidade, e pode comprometer o exercício prudente e responsivo do ministério pastoral”. O professor lembra ainda que “em nossa cultura brasileira os homens, em geral, não dão muita importância ao aspecto preventivo para o seu próprio bem-estar integral. O ‘cuidar de si’, tanto corretiva como preventivamente, é condição para ‘cuidar de outrem’ por meio do cuidado pastoral”.
Sathler conclui que outro fator que contribui para que não se dê maior atenção à saúde entre pastores, “é a ausência de uma Teologia da Saúde: a saúde considerada como inserida na mensagem cristã da salvação. Não se restringe, portanto, às curas das patologias individuais e da sociedade. A mensagem da salvação visa à criação de novo modo de vida, de renovação da mente, de novas atitudes em linha com os ensinamentos das Escrituras. Uma causa provável da pouca atenção da teologia sobre a saúde, deve-se à ênfase unilateral na ‘união da alma com Deus’. O corpo, é, então, ignorado. Sofre a alma com o corpo danificado; sofre o corpo com a alma ferida!”.

Algumas regrinhas básicas para evitar o estresse:

Peça ajuda para resolver os problemas; fragilidades? Não tenha medo ou receio de expô-las; repense se você é uma pessoa perfeccionista. Ninguém consegue ser perfeito em tudo e controlar todas as situações; jamais se sobrecarregue, delegue funções; mantenha organizada sua rotina de trabalho, como por exemplo, horários para ler e responder e-mail’s, estudo, visitação, separe a sua folga pastoral para a família; desfrute do lazer, atividade física e vida social. Enfim, a vida de qualquer pessoa, independente de ser clérigo(a) ou não, precisa de um equilíbrio entre o prazer e as obrigações. Essa seria, em nossa conclusão, o segredo para uma vida saudável, tanto pastoralmente profissional como pessoal.

Pr. José Geraldo Magalhães Jr.

domingo, 12 de abril de 2015

PASTOREANDO COM O CORAÇÃO

Euzimar Nunes de Sousa

Jeremias 3:15

Vivemos uma crise pastoral sem precedente. E acredito que muito dessa crise se deve à falta de amor no ministério pastoral. Tanto temos pastores que têm medo de amar, e não ama; como temos igrejas que não sabem amar, e não amam. O medo a que me refiro tem feito com que muitos pastores se frustrem no ministério. Quem o pastor deve amar? Esta pergunta é inquietante porque ela nos desafia a pensar no pastorado com uma amplitude maior do que temos pensado.

O pastor precisa amar a Deus sobre todas as coisas e pessoas. Parece absurdo pensar que um pastor não ama a Deus. Mas absurdo maior é perceber que alguns não amam mesmo. Se perguntarmos a alguns crentes se Deus é prioridade na vida deles, eles vão nos responder que não. Infelizmente, esta resposta pode ser a mesma se perguntarmos a alguns pastores: Deus é prioridade na sua vida? Alguns, ou talvez muitos, vão responder que não. Alguns motivos podem explicar porque Deus não é prioridade na vida de alguns pastores, vejamos alguns:

Falta de conversão
Não é pelo fato de “ser” pastor que podemos afirmar que a pessoa é convertida. Para muitos, a palavra pastor é apenas um título e não uma função, logo, para estes, pode se ter o título mesmo que não seja convertido. Mas a falta de conversão é o grande impedimento para se ter uma boa relação de amor com Deus. Ter certeza de que Jesus é o nosso único e suficiente salvador é condição indispensável para se manter uma relação de amor com Deus.

Confusão quanto ao chamado para o ministério
Como alguém pode amar a Deus, se está realizando um ministério cheio de dúvidas? Tenho visto “colegas” sofrendo do mal da dúvida. Acham ou pensam que são chamados e às vezes acham ou pensam que não são. Esta dúvida martiriza alguns que, com sinceridade, têm procurado servir a Deus. Possivelmente, esta dúvida exista pela visão que temos desenvolvido na igreja de achar que o ministério mais importante seja o pastoral. Com isto temos motivado alguns bons evangelistas ou professores de EBD à posição de pastores. Com esta atitude perdemos bons evangelistas e professores e ganhamos pastores confusos. Creio que precisamos resgatar o valor de outros ministros e ministérios, sob pena de continuarmos penalizando bons crentes com o peso de um ministério para o qual não foram chamados.

Casamentos desajustados
Amar a Deus, estando no ministério pastoral e ao mesmo tempo vivendo um casamento desajustado, deve ser um desafio para um super-homem. Como falar do amor de Deus que concerta casamentos e não concerta o seu próprio? Como associar o amor mental, com o amor real (coração)? Como lidar com o peso de pregar sobre casamento, aconselhar casais, tendo um casamento desajustado? Certamente que não são poucos os pastores que vivem um casamento de aparência, de conflitos, de falta de amor. Precisamos nos permitir ser ajudados, ser menos auto-suficientes, ser menos hipócritas, ser mais amigo dos colegas e buscar mais colegas que sejam amigos. Precisamos empregar no nosso casamento os recursos que oferecemos aos demais casais.

Falta de vida devocional
Quando perguntaram ao Dr. Billy Grahan o que ele mudaria se começasse de novo seu ministério, ele respondeu: “eu pregaria menos e oraria mais” e ainda, acrescentou: “estudaria mais a bíblia para me alimentar e não apenas para pregar”. Muitos pastores não desenvolvem uma vida de oração e estudo da bíblia.

Falta de sucesso no ministério
O insucesso no ministério tem levado muitos pastores a pastorear sem amor. Logo vêm as cobranças; cobra a si mesmo, a família, as Igrejas, a denominação a que faz parte, os demais colegas (especialmente aqueles que parecem bem sucedidos). Muitas vezes o insucesso existe exatamente porque está faltando os pontos enumerados acima. Outras vezes o insucesso não é percebido porque está sendo medido de forma errada, isto é, às vezes se mede o sucesso no ministério pelo tamanho da igreja que pastoreia, pelo salário que está ganhando, pelo número de batismos realizados, pela quantidade de decisões que acontece quando pregam, pelos cargos que ocupa na denominação, etc. Mas acredito que estes não são necessariamente os parâmetros para se medir sucesso no ministério pastoral. Se você ama o rebanho que Deus te confiou para pastorear, se você consegue influenciar pessoas a amarem as outros, se você tem certeza que está no centro da vontade de Deus, o seu sucesso está garantido. Veja o que disse o Apóstolo Paulo em Atos 20:24 “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.” E ainda Paulo nos faz pensar em sucesso por outro lado quando ele escreve em I Timóteo 4:7 “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.”
Ele se mostra como um pastor de sucesso e que é este o sucesso que devemos almejar.

terça-feira, 7 de abril de 2015

PROJETO DE LEI 123/2015 - REGULAMENTAÇÃO DA ATIVIDADE SACERDOTAL (PASTORES, PADRES E AFINS)

Projeto de Lei visa o controle da atividade sacerdotal no Brasil

Sob o pretexto de regulamentar a atividade sacerdotal no Brasil, o Senador Telmário Mota (PDT-RR), autor do Projeto de Lei 123/2015, pretende estipular critérios mínimos para exercer as funções inerentes ao cargo, de maneira reconhecida pelas autoridades brasileiras.

É tempo dos cristãos brasileiros orarem mais e estarem em conexão com seus representantes em Brasília para que não se crie uma verdadeira mordaça aos Líderes Religiosos.

PROJETO DE LEI DO SENADO  Nº 123, DE 2015

Dispõe sobre a atividade de Ministro de Confissão Religiosa e carreiras afins.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Art. 1º É requisito mínimo para o exercício da função profissional de Ministro de Confissão Religiosa e carreiras afins a comprovação de nível de escolaridade correspondente ao ensino médio.
Parágrafo único.  Os Ministros de Confissão Religiosa e afins podem desempenhar sua função como trabalhadores autônomos ou empregados.

Art. 2º Constituem atribuições do Ministro de Confissão Religiosa:

I – aconselhar as pessoas, pautado no amor, na solidariedade, na misericórdia, no respeito, na ética, na moral, tocando a essência humana para trazer paz ao mundo, bem como assistir apoio espiritual a todos aqueles que assim o desejarem e necessitarem;

II – realizar ação social junto à comunidade, com a finalidade de praticar o exercício da vida contemplativa e meditativa e preservar a ética e a moral cristã auxiliando na regeneração das pessoas;

III – desempenhar tarefas similares perante as igrejas, templos e casas espirituais, independente da crença ou religião.

Art. 3º Os Ministros de Confissão Religiosa exercem suas atividades nas seguintes denominações:

I – Confissão Religiosa: a instituição caracterizada por uma comunidade de indivíduos unidos por um corpo de doutrina, obrigados a um conjunto de normas expressas de conduta, sob a forma de cultos, traduzidas em ritos, práticas e deveres para com uma divindade superior, sendo aceitas as confissões religiosas relacionadas ao protestantismo, catolicismo romano, catolicismo greco-ortodoxo, maronismo, judaísmo, budismo, confucionismo, taoísmo, hinduísmo, islamismo, espiritismo, umbandismo e candomblé;

II – Instituto de Vida Consagrada: a sociedade aprovada por legítima autoridade religiosa na qual seus membros  emitem seus votos públicos ou assumem vínculos estáveis para servir à confissão religiosa adotada, além do compromisso comunitário, independentemente de convivência sob o mesmo  teto, tais como, juntas de missões, abrigos, casas de amparo à velhice e à infância, hospitais e instituições que se dedicam à pregação, capelanias ou serviço religioso ao próximo;

III – Ordem ou Congregação Religiosa: a sociedade aprovada por legítima autoridade religiosa, na qual os membros emitem os votos públicos determinados, os quais poderão ser perpétuos ou temporários, estes passíveis de renovação, e assumem o compromisso comunitário de convivência sob o mesmo teto.

Art. 4º Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:

I – Ministro de Confissão Religiosa: aquele que consagra sua vida a serviço de Deus e do próximo, com ou sem ordenação, dedicando-se ao anúncio de suas respectivas doutrinas e crenças, à celebração dos cultos próprios, à organização das comunidades e à promoção de observância das normas estabelecidas, desde que devidamente autorizado para o exercício de  suas funções pela autoridade religiosa competente;


II – Membro de Instituto de Vida Consagrada: a pessoa que emite voto determinado ou seu equivalente, devidamente aprovado pela autoridade religiosa competente;

III – Membro de Ordem ou Congregação Religiosa: aquele que emite ou professa, na ordem ou congregação, os votos adotados; 

IV –  Ex-membro de Entidade de Confissão Religiosa, Instituto de Vida Consagrada ou Ordem ou  Congregação Religiosa: todo aquele que solicita seu desligamento em virtude da expiração do tempo de emissão de seus votos temporários ou por dispensa de seus votos, neste caso quando concedida pela autoridade religiosa competente, ou, ainda, por quaisquer outros motivos;

V – Padre, Bispo, Sacerdote, Frei, Frade, Cardeal, Vigário, Pároco, Prelado, Arcebispo, Monsenhor, Diácono, Presbítero, Evangelista, Pastor, Missionário, Obreiro, Apóstolo, Reverendo, Dirigente Espiritual e afins: aqueles que prestam serviços vocacionais de assistência religiosa e serviço de capelania.

Art. 5º Os Ministros de Confissão Religiosa, trabalhadores autônomos ou não, podem atuar também junto aos hospitais, casas de saúde, presídios, cemitérios, abrigos, igrejas, escolas, instituições públicas e privadas, empresas, asilos, orfanatos e quaisquer outros estabelecimentos de proteção aos direitos humanos.

Art. 6º A comprovação da condição de Ministro de Culto, Pastor, Reverendo ou Ministro do Evangelho será feita pela Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil (OMEB) e pelos Presbitérios, Conselhos, Convenções, Sínodos, Bispos, Superintendentes Distritais, Concílios, Missões, Confederações, Federações ou Departamentos de Atividades Ministeriais, desde que estas instituições comprovem sua existência legal e eclesiástica, podendo  ser representadas por pessoa devidamente
credenciada, mediante documento hábil.

Parágrafo único. A comprovação da condição de Dirigente Espiritual será feita pelas Confederações ou Federações.

Art. 7º As entidades mencionadas no caput do art. 6º, pautadas na ética e disciplina previstas em normas internas, serão responsáveis pela fiscalização da atuação dos seus membros.

Art. 8º O exercício voluntário da atividade de Ministro de Confissão Religiosa e afins, com finalidade altruística ou filantrópica, não gera vínculo empregatício.

Art. 9º Aplica-se ao Ministro de Confissão Religiosa e afins, trabalhador autônomo ou não, o disposto na Legislação Trabalhista e Previdenciária.

Art. 10. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Por todo o exposto e considerando a relevância social da matéria, solicita-se aos nobres pares o necessário apoio para a aprovação do presente Projeto de Lei.

Sala das Sessões, 17 de março de 2015.

Senador Telmário Mota

PDT-RR

quinta-feira, 13 de março de 2014

10 MANEIRAS COMO AJUDAR E ENCORAJAR O SEU PASTOR


O ministério pastoral não é fácil. 

Pastorear o rebanho de Cristo em alguns momentos é extremamente complicado. 

Cotidianamente os pastores lidam com situações extremamente complicadas onde dor, angústia e ansiedade se fazem presentes. 

Sem sombra de dúvidas os Ministros do Evangelho  ao conduzirem o rebanho de Cristo desenvolvem um árduo e penoso trabalho. 

Se não bastasse isso, eles necessitam esmerar-se no estudo da Bíblia, dedicar-se com afinco a oração e piedade, aconselhar os trôpegos  admoestar os insubmissos, além de treinar e fazer discípulos ensinando-as a guardar no coração a sã doutrina.

Pois é, à luz dessas afirmações que gostaria de lhe sugerir 10 maneiras para ajudar e encorajar o seu pastor:

1- Faça-o saber que está orando por ele e por sua família.

2- Incentive-o no ministério, apoiando-o na árdua função de pastorear o rebanho.

3- Demonstre interesse pelo estudo bíblico por ele ministrado, bem como por suas mensagens pregadas.

4- Trate-o com humanidade, entendendo que pastores não são seres perfeitos, e que carecem de amor, parceria e companheirismo.

5- Evite criticas desnecessárias.

6- Quando tiver um critica, sugestão ou queixa, não fique reclamando pelos cantos, antes pelo contrário,  procure-o e exponha  de forma educada suas questões a ele.

7- Trate-o com dignidade. Existem pastores que são tratados pelos membros da igreja local como coisas que podem ser descartadas a qualquer momento. Não aja dessa forma, nem tampouco, comporte-se desse jeito. Lembre-se: Seu pastor zela por sua alma e por sua saúde espiritual, portanto, trate-o com o amor.

8- Seja seu amigo. Uma pergunta: De que maneira você tem lidado com o seu pastor? Você está disposto a ajudá-lo em meios lutas e batalhas da vida? Está pronto para ser seu amigo?

9- Preocupe-se com suas lutas e necessidades procurando saber de que maneira você poderá ajudá-lo em suas tribulações.

10- Respeite-o. Seu pastor pode estar errado em algumas posturas, todavia, isso não lhe dá o direito de desrespeitá-lo, agredindo-o com ações e palavras.

Pense nisso!

Renato Vargens


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

SETE ERROS MINISTERIAIS

Preletor: Rick Warren

O que pode levar um ministério a parar no tempo?

Muitos ministérios começam com força e crescem espantosamente. No entanto, após o crescimento inicial, patinam. Tenho ouvido isso centenas de vezes da boca de pastores ao longo dos anos. Deus não quer que nossos ministérios fiquem estagnados. Para nos ajudar a ser ministros bem-sucedidos, Deus nos dá exemplos de erros a serem evitados, os quais Satanás está interessado em usar para impedir que nossos ministérios sejam aquilo que Deus quer que sejam. 

1. PARAR DE CRESCER 

Todo aquele que se mostra resistente a uma nova forma de fazer as coisas, defendendo o status quo ou se opondo à mudança que Deus deseja que aconteça, está perto de perder seu posto de liderança. 

A chave para vencer as ciladas da liderança é continuar crescendo. Continue desenvolvendo suas habilidades, seu caráter, sua perspectiva, sua visão, seu coração para Deus e sua dependência dEle. Não pare de aprender. Leia livros e revistas, leia e releia a Bíblia, relacione-se com outros cristãos, ouça fitas e participe de congressos. 

2. PARAR DE SE IMPORTAR 

O líder que pára de ter paixão pelo ministério não irá longe. Esta é uma das armadilhas do ministério: há pastores que seguem servindo ao Senhor porque sabem que isto é o certo, mas seu coração não está mais no ministério. Não é assim que se serve a Deus. 

Se você caiu nessa cilada, há esperança. Do mesmo modo como se restaura o amor no casamento, você deve fazer as coisas que fazia no princípio. Em outras palavras, comece a agir do modo como agia quando estava no primeiro amor. Mesmo que não se sinta mais apaixonado, aja de modo apaixonado. É mais fácil agir para sentir do que sentir para agir. Se você age amando, aqueles sentimentos voltarão. Faça, então, as coisas que originariamente lhe traziam alegria no ministério. 

3. PARAR DE OUVIR 

Aprenda a ouvir e a ser sensível aos outros. Estimule as pessoas às quais serve no ministério a conversar com você. Peça-lhes para contar seus problemas, suas dificuldades, seus medos, suas aspirações, seus sonhos e suas mágoas. Seja aberto às sugestões e às críticas construtivas e busque outras perspectivas. 

4. PERDER O FOCO 

Muitas coisas podem distrair você do ministério. Problemas de ordem pessoal ou de saúde podem distrair você. Disputas de interesse podem distrair você. Coisas que você acha que são divertidas, boas e maravilhosas podem distrair você. Satanás não se preocupa se você não está pecando quando está distraído porque, quando você está distraído, você não está fazendo o que Deus quer que faça. 

Deus quer que você mantenha o fogo. Nunca esqueça sua missão. Diz a Bíblia que “ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lc 9.62). Não perca o foco. 

5. FICAR SATISFEITO COM O QUE JÁ FOI CONQUISTADO

A auto-satisfação é inimiga do bom líder. Se Deus lhe diz para ir, fique firme. Jamais pare de depender do Senhor. Pare de enrolar. Corra riscos na fé. Abra a embalagem. Tente algo que não pode ser explicado pelo poder da carne. Diga a si mesmo: “O que pretendo fazer em meu ministério e que poderá falhar a menos que o poder de Deus me socorra”? A menos que Deus seja sua bóia de segurança, você não está vivendo realmente pela fé. Dependa do Senhor. 

6. TORNAR-SE ARROGANTE 

Tenho visto acontecer demais. Quando um líder se torna arrogante, sua liderança sucumbe. Quando você acha que tudo depende de você e que não depende da ajuda do Senhor em seu ministério porque consegue manejar tudo, fique alerta. 

7. FALHAR EM DELEGAR 

Quando um ministério patina, Deus está lhe dizendo que alcançou o limite do poder que lhe deu para fazer sozinho. Você precisa ir do fazer ao delegar. 

Envolva outras pessoas em seu ministério. Torne-se um líder de ministros. Liderar ministérios é um ministério em si mesmo. D. L. Moody disse o seguinte: “Prefiro pôr dez homens para agir do que agir por dez homens”. 

Se você evitar estas sete armadilhas, terá um longo caminho para construir um Ministério que perdure!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

COMO AVALIAR UMA POSSÍVEL MUDANÇA DE MINISTÉRIO

Por Nélio DaSilva

Existe um velho provérbio que afirma: "Uma pedra atirada na hora certa é muito melhor que o ouro presenteado na hora errada." Tem sido inúmeras as vezes em que líderes tem me perguntado com uma expressão facial preocupada e ansiosa: - "Quais são os parâmetros que necessariamente tenho de obedecer a fim de decidir se devo ou não permanecer em uma determinada igreja?" Toda e qualquer pessoa em uma posição de liderança compreende muito bem a importância e a absoluta necessidade de tomar uma decisão correta na hora e no momento apropriado. Um erro de cálculo nesta decisão pode ser sinônimo de muitas dores as quais trarão consigo fatalmente enormes chagas e posteriormente incalculáveis cicatrizes emocionais.

É inevitável que todos nós eventualmente temos que tomar sérias e importantes decisões e muitas vezes nós não nos damos conta que a vida está sobrecarregada de um processo de decisões. A decisão que tomamos quando tínhamos vinte anos de idade pode ter sido boa e a mais acertada para aquela idade em particular, mas existem outras decisões que devem ser tomadas à luz do processo do momento em que nos encontramos. Porém, é através da habilidade de analisar o momento certo de se tomar uma decisão é que pode nos dar os subsidios a fim de fazer uma grande diferença.

Nos últimos dez anos eu tive que tomar as decisões mais sérias de toda a minha vida. Foram decisões difíceis e que certamente - eu estava consciente - trariam enormes conseqüências, não apenas para a minha vida pessoal, mas para a minha família e para muitas outras pessoas. Em tempos de sérias decisões eu aprendi a fazer algumas perguntas que me ajudaram tremendamente a entender o meu momento histórico e espero que ao compartilhar com você algumas dessas perguntas, você possa ser encorajado também no seu momento atual. É meu desejo sincero e ardente ser essencialmente prático ao tentar ajudar pastores, líderes, homens de negócios ou até mesmo qualquer pessoa que está se questionando se já não chegou a hora de tomar uma decisão relacionado à sua geografia. Eis aqui dez perguntas que tenho feito a mim mesmo ao me questionar se devo ou não fazer as malas e vislumbrar um novo ministério.

1. Já alcancei os anos mais produtivos do meu ministério nessa igreja/organização?
Eu creio sinceramente que deve haver um momento quando nós olhamos para dentro de nós mesmos e de uma maneira integra e honesta venhamos a formular a seguinte pergunta: "Eu estou hoje num estágio onde o meu ministério tem sido eficiente para a vida desta igreja/organização?" Exemplo: para um pastor que está iniciando o seu ministério em uma determinada igreja é quase certo que aquele primeiro pastorado - via de regra - será a de um curto pastorado. A razão para isto é que ele não tem experiência, ele vai cometer uma série de erros, ele irá se desencorajar e possivelmente o período de uma três anos é um período caracterizado por um processo de aprendizado. O fato é que os anos mais produtivos de um ministério - em termos gerais - não estão nos primeiros anos de uma carreira ministerial. Essa á a razão para a relevância dessa pergunta número um. Observadores afirmam que são necessários um mínimo de cinco anos antes que um líder venha a ser realmente eficiente num ministério ou numa organização. Para um líder que muda de igreja a cada três anos é simplesmente impossível atingir os seus anos mais eficientes. É necessário você perguntar a si mesmo não apenas sobre a sua idade cronológica, a idade da sua carreira, mas é fundamental perguntar a si mesmo: "Nessa igreja/organização, eu já alcancei os mais produtivos anos do meu ministério?"

2. Eu tenho um sonho e paixão por esse trabalho?
O escritor Mack Davis declarou certa vez: "Quando o sonho de um homem é anulado não há mais nada a fazer a não ser preparar o seu funeral." Essa pergunta lhe leva a um outro examinar significativo. É quando você se pergunta: "A minha visão está intacta? O meu sonho ainda está palpitando forte em meu coração?"

3. Os meus dons estão sincronizados com a tarefa que tenho a cumprir?
Em outras palavras, as minhas áreas fortes de atuação estão alinhadas com as demandas que estão sobre mim nesse campo de trabalho em particular? Os meus dons "batem" com aquilo que eu estou fazendo? Dois fatores ocorrem quando você está se aproximando dos seus anos de maturidade ministerial. Número 1: você se dá conta daquelas coisas que você faz bem e se sente bem em faze-las. Número 2: você se dá conta daquelas coisas que você não faz bem feito e você não se sente bem em faze-las. Uma das coisas mais tristes que tenho observado é de contemplar líderes posicionados e operando numa posição onde - decididamente - eles não são eficientes e, consequentemente, não produtivos. Por experiência própria, eu costumava me sentir culpado quando me dava conta da minha completa inabilidade para desempenhar certas funções pastorais; e a culpa vinha porque eu não sentia prazer naquilo que estava fazendo. Muitas coisas que eu fazia e até aos olhos das outras pessoas dava a impressão que eu fazia muito bem. Porém, à medida em que fui amadurecendo, fui também compreendendo que aquelas tarefas não estavam em sincronia com o meu temperamento, minha personalidade e nem com a combinação dos meus dons. É necessário que você conheça realisticamente os seus pontos fortes, mas também é necessário que você conheça objetivamente os seus pontos fracos.

4. Estou filosoficamente compatível com as pessoas as quais estou trabalhando?
Essa é uma pergunta decisiva antes de fazer as malas ou decidir ficar no lugar onde você se encontra. É quando eu medito nessa questão: "As pessoas com as quais estou ombro a ombro nesse ministério, elas estão na mesma "faixa de onda" em que eu me encontro?" O fato é que se filosoficamente você não está compatível com as pessoas que estão liderando e ministrando com você, certamente que você está em problemas e tudo o que você irá enfrentar é uma série contínua de conflitos sem uma previsão imediata de solução. Quando filosificamente não existe compatibilidade, a questão deixa de ser quem está errado ou quem está certo, mas sim a evidência de uma grave problemática de se ter duas ou mais direções tomando lugar e como resultado o caos passa a ser lugar comum.

5. Minha formação social e cultural se encaixa com esta igreja/organização?
Essa é uma outra boa pergunta que tem muito me ajudado através dos anos. A prática tem me mostrado que muitos pastores que tem uma formação cultural e social no sul do país - por exemplo - tem uma dificuldade muito grande de se ajustarem no nordeste do país e vice-versa. Isso não é uma questão de certo ou errado. Isso na realidade apenas significa que o modus operandus de se pensar e atuar terá como base fatores sociais e culturais. Eu não vou citar uma região em particular, mas existem certas regiões do nosso país que eu não me arriscaria a pastorear porque eu sei que culturalmente eu não me encaixaria. As pessoas daquela região iriam me causar um enorme desconforto e em contrapartida eu iria incomoda-los tremendamente e o que teriamos na realidade seria um amontoado de gente em conflito por um bom período de tempo. Isso porque não houve um ajuste social e cultural que deveria ter sido levado em conta. Essa pergunta deve ser respondida com séria objetividade porque as pessoas de um modo geral se relacionam através da sua cultura e da sua formação social.

6. Eu tenho uma habilidade que já foi esgotada no meu ministério atual?
Existem certos pastores que exercem uma função terapêutica em uma determinada congregação. Esses líderes já iniciam o seu trabalho com uma perspectiva bem clara e determinante de uma breve permanência. Talvez tenha sido o caso de uma igreja que enfrentou uma traumática divisão e demanda naturalmente a presença de um pastor com um forte perfil pastoral a fim de amar, cuidar, compreender e promover cura naquele corpo. Temos que estar abertos para entender que eventualmente e em alguns casos a nossa permanência é mesmo por apenas um período específico na vida de uma congregação. Existem certos pastores - por exemplo - que são plantadores de igreja. De um modo geral eles são incríveis naquilo que realizam. Eles começam uma igreja com uma grande rapidez; na primeira semana cinqüenta pessoas são salvas, a oferta supera a expectativa, eles alugam um local de reuniões maravilhoso e nos próximos três anos o que você vê é uma incrível atividade. Porém, o fato é que da mesma maneira que eles edificam muito rapidamente, da mesma forma se eles permanecerem no mesmo lugar por muito tempo podem dividir aquilo que ajudaram a somar. Eu tenho visto pastores levantarem uma igreja e quando esta congregação chaga a duzentas pessoas, ela se divide e é reduzida a cinqüenta pessoas novamente. E novamente de cinqüenta ela se ergue a duzentas pessoas e novamente se divide e volta para os cinqüenta e o ciclo continua. Essa igreja teria seiscentas ou oitocentas pessoas se todos permanecessem na mesma congregação. Por que isso ocorreu? Porque certos líderes tem dons que devem ser usados apenas por um certo período de tempo. E a pergunta que tenho que fazer dentro da minha realidade é: "A minha habilidade já foi esgotada nesse ministério?" Sim ou não?

7. Minha credibilidade ainda está forte o suficiente para permanecer?
Essa é uma das perguntas mais importantes para decidir se vamos permanecer ou se vamos mudar. Essa pergunta é vital porque quando você perde credibilidade com a sua congregação - decididamente - é hora de mudar. Quando pastores me dizem que a sua congregação já não mais lhe seguem, quando eles já não tem mais influência sobre o seu povo e quando esses sinais estão fortemente presentes, então não há mais nada a fazer a não ser ligar para a companhia de mudanças. Por que? Porque você perdeu a sua credibilidade. Isso não significa necessariamente que você seja uma pessoa de mau caráter, um péssimo líder ou que esteja vivendo em pecado. O que significa é que as pessoas já não lhe seguem mais e se as pessoas não lhe seguem você deixou de influenciar e se você já não mais influencia, isso significa que você já não é mais um líder, porque liderança é influência.

Credibilidade é como ter dinheiro vivo depositado em um banco. Se a sua credibilidade está intacta com o seu povo, então o seu reservatório nesse banco é crescente e os dividendos são adquiridos automaticamente. Quando a credibilidade é quebrada o seu reservatório também é quebrado e as suas reservas simplesmente se esvaem. É fato absoluto que algumas vezes líderes em igrejas - ou em organizações - vão a falência e quando a falência é declarada, torna-se muito difícil encontrar um outro caminho a não ser uma nova transição.

8. Estou disposto a pagar a preço a fim de ver o crescimento desta igreja/organização?
Quando honesta e sinceramente nos damos conta que não estamos mais dispostos a pagar o preço exigido para ver o crescimento da igreja/organização, então - sem nenhuma dúvida - é hora de ir embora. A razão para isso é que alguém tem que pagar a preço e se não estamos dispostos a isso a coisa mais íntegra a fazer é escrever a carta de demissão. Existem certos aspectos em um determinado ministério que só serão realizáveis em função de um alto preço a ser pago e temos que examinar se este preço será pago por nós ou por uma outra pessoa. Eu estou disposto a pagar o preço?

9. Se eu tivesse um outro lugar para ir, eu ainda assim, ficaria aqui?
Não faz muito tempo atrás, em conversa com um pastor ele compartilhou comigo a sua experiência e situação do seu relacionamento com a sua igreja. A certa altura da nossa conversa ele me perguntou: "Nélio, o que você acha, devo ficar em minha igreja ou devo ir embora?" A minha resposta a esse querido irmão veio em forma de uma pergunta. Eu lhe perguntei: "Se você tivesse condições de fazer uma transição, se esse convite lhe oferecesse um bom salário e excelentes benefícios, você mudaria?" E ele me disse: "Sim, eu me mudaria." E eu então acrescentei: "Então a sua pergunta já está respondida."
O fato lamentável, porém, esta é a realidade, são inúmeras as vezes em que ficamos em igrejas e organizações não porque desejamos ficar; mas ficamos porque não temos nenhum outro lugar para irmos. Eu tenho ouvido pastores que vem a mim e me dizem: "Mas, para onde eu vou se sair daqui?" Essa pergunta chega às raias de ferir a integridade de alguém. A minha pergunta é: Não ter um outro lugar para ir é razão suficiente para permanecer onde você está? Isso é justo para com as pessoas que pagam o seu salário? Estou perfeitamente consciente que esta é uma questão complicada. Porém, se uma pessoa pode em sã consciência admitir que iria para um outro lugar se houvesse oportunidade, isso em si mesmo já uma razão para mudar. E a razão para isto é que uma pessoa jamais será eficiente quando o seu desejo seria o de estar em um outro lugar.

10. Eu tenho uma atitude positiva em relação ao meu trabalho?
Ao concluir com essa décima pergunta você certamente que pôde perceber que todas essas perguntas não são difíceis de serem respondidas. O problema com essas perguntas é que elas acabam se transformando numa questão emocional. A minha tentativa nada mais e nada menos é do que tentar colocar as emoções de um lado e de outro lado simplesmente poder examinar detida, honesta e objetivamente a possibilidade de tomar uma sábia e correta decisão. Decisão esta que poderá fazer uma diferença fundamental não apenas na minha vida pessoal, no meu ministério, mas também na vida daquele precioso e incalculável tesouro que Deus me deu: a minha família.

Avaliando uma possível mudança de pastorado

1. Quão valioso eu sou para a minha igreja/organização?
1 2 3 4 5 - Sem valor ------------------------ Muito valioso

2. Como tem sido a minha experiência nesta igreja/organização?
1 2 3 4 5 - Ruim ------------------------ Muito boa

3. Quão satisfeito eu me encontro naquilo que estou fazendo?
1 2 3 4 5 - Insatisfeito ------------------------ Muito Satisfeito

4. Qual é a minha imagem?
1 2 3 4 5 - Muito ruim ------------------------ Excelente

5. Será difícil me substituir?
1 2 3 4 5 - Não será difícil---------------------Será muito difícil

6. Quão justa é a minha compensação financeira?
1 2 3 4 5 - Injusta-----------------------Muito Justa

7. O que este trabalho está acrescentando à minha carreira e ao meu potencial?
1 2 3 4 5 - Não muito---------------------Está fazendo muito

8. Eu estou trabalhando na igreja/organização errada?
1 2 3 4 5 - Igreja errada ------------------Igreja Certa

9. Existe um outro lugar em que eu prefereria ir ou um outro lugar em que eu gostaria de estar?
1 2 3 4 5 - Chame a transportadora------------Quero morrer aqui

10. Esta presente posição está concretizando a vontade de Deus para a minha vida?
1 2 3 4 5 - Não---------------------Sim

Uma escala para examinar a saúde da sua carreira ministerial

40-50 - "Eu não preciso do médico."
30-39 - "Onde está o médico?"
20-29 - "Onde está o hospital?"
10-19 - "Onde está a UTI"
00-09 - "Onde está a casa funerária?"

Nélio da Silva

domingo, 17 de fevereiro de 2013

VARIAÇÕES SOBRE O MINISTÉRIO PASTORAL

1) Pastor-Pastora – Um Serviço Distinto

Estamos começando um novo ano. É bom refletir sobre a natureza do nosso ministério.

Tenho dito aos/às seminaristas que encontro nas igrejas locais que é diferenciado e especial ser pastor/a. Por isso, é fundamental ser chamado e capacitado por Deus; sem isso, é impossível ser pastor/a na percepção bíblica do termo.

Nada deixa um de nós pastores/as mais aborrecido/a do que em meio a uma visita pastoral, algum amigo ou parente da família visitada, volta-se e se dirige a nós perguntando: “Além de ser pastor/a, você trabalha com o que mesmo?” Temos sempre que exercitar a longanimidade, dizendo das várias tarefas do pastor/a, mas fica um tom de ofensa no ar. Paulo, para evitar ser pesado, trabalhou, fazendo tendas, mas deixou claro quão lícito era que:

“Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tira o seu sustento? Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho.”(1 Co 9.13-14)

Somos obrigados a viver emoções intensas entre o choro e a festa, e às vezes vivemos isso no mesmo dia. Precisamos cuidar e ser cuidados.

Há também na natureza distinta do ministério pastoral uma dimensão profética. Nós não ensinamos e pregamos para ser aprovados pelos/as homens/mulheres, visto que o sentido profético do nosso ministério nos coloca em constante confronto com interesses pessoais, pecados individuais e comunitários. Nesse sentido, o compromisso profético começa com nossas próprias escolhas.

Não dá para estarmos aliançados/as com Deus, e as autoridades postas por Ele, conforme prescreve as Escrituras, e querer desfrutar de benefícios, frutos de acordos com lideranças não santas. Sempre houve e haverá quem se acerque de nós com propostas de vantagens nem um pouco santas. Simão, o mago, é um exemplo disso em Atos dos Apóstolos (Cf. At 8.9-13). Atenção! A natureza humana decaída gosta de ouvir mentiras que amenizem sua culpa e pecado, Ou que lhe ofereçam vantagens e facilidades

Muito ainda poderia dizer sobre a natureza distinta do nosso ministério pastoral, mas preciso lembrar outras coisas prioritárias.

2) Pastor – Pastora – Homen e Mulher de Deus.

Neste tempo em que sobram religiões e Igrejas e que falta Deus, sobram também líderes religiosos, mas faltam homens e mulheres de Deus. O pastor/a que Deus quer abençoar e usar na crise atual precisa ter a coragem de ser diferente e a convicção de continuar na direção certa da Palavra, aconteça o que acontecer.” [1]

Como enviados de Deus, fazemos uma obra espiritual que pertence a Deus e é feita em nome de Deus.

Esta obra de Deus visa à salvação do povo e à formação do caráter de Deus (discipulado), na vida dos convertidos. NUNCA deve ser realizada, visando a algum lucro particular nosso. Um motivo errado alcança objetivo errado, e assim destrói um ministério de um/a servo/a de Deus. Pois devemos nos vigiar, para não estarmos nos servindo do ministério, ao invés de servir a Deus e ao povo, nosso rebanho. A abnegação, a auto-negação, é absolutamente necessária a todo cristão, especialmente ao pastor/a.

Não esqueçamos as palavras de Jesus:

“Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.” (Lc 9.23-24)

Como pessoas é inevitável que cultivemos alguns relacionamentos mais profundos com alguns líderes da igreja que pastoreamos. Mas cuidado, pois deve ser notório que damos atenção e amor a todos, afinal, somos pastores/as de todo o rebanho.

Como João Wesley, nós somos homens e mulheres de um livro, a Bíblia. É lícito buscar outros conhecimentos. Bernardo de Claraval dizia: “Há os que adquirem conhecimentos pelo valor do conhecimento, isto é vaidade de baixo nível. Mas há os que desejam tê-lo para edificar outros – isso é amor.”[2] Cultivemos a leitura diária da Palavra, e de bons livros.

3) Pastor – Pastora – E Autoridade Espiritual.

Um dos nossos grandes desafios é que o púlpito, a cátedra pastoral, é um lugar santo. O povo olha para nós, e espera ouvir Deus falar com eles. Por isso é que recebemos de Deus autoridade e unção espiritual, para sermos usados na edificação do povo, instrução no caminho do discipulado, e envio ao mundo para a Missão. Sabendo que esta autoridade é delegada por Deus, pela Igreja e pelo Bispo no ato da nomeação, assim o exercício da autoridade se dá em submissão. Uma boa ilustração disto é João Batista: ”Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada.“ (Jo 3.27) e ”Convém que ele cresça e que eu diminua.“ (Jo 3.30)

Mas para falar sobre este tema precisamos ouvir Paulo: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.” (Rm 13.1-2)

Não tenho saída: para exercermos autoridade precisamos estar submissos à autoridade. No nosso caso, pastores/as metodistas, temos o Concílio Geral, Concílio Regional e o Bispo, de onde emanam as orientações e direcionamentos para o exercício de nosso ministério. É notório que nós não fazemos parte do rol de membros da igreja local e sim do Concílio Regional, pois ali fomos eleitos/as e ordenados/as pastores/as pelo Bispo.

Watchman Nee diz: “A maior exigência que Deus faz ao homem não é carregar a cruz, servir, ofertar ou negar a si mesmo. É a obediência.”[3]

Lúcifer se tornou Satanás quando tentou usurpar a autoridade de Deus, e quis competir com o Senhor. Assim, tornou-se adversário dEle. A queda de Satanás foi provocada pela rebeldia. Isaías 14.12-15 e também Ezequiel 28.13-17 têm sido reconhecidos na História da Igreja como descrição da queda de Satanás. Ofender a autoridade de Deus, de sua Palavra, e das que foram instituídas por Ele, abre uma brecha espiritual na vida do crente.

Como pastores/as, sofremos e vemos com frequência a rebeldia de ovelhas e o que isso resulta. Desejamos ver nosso rebanho submisso à direção e condução que lhes damos. Todos já experimentamos o desgaste de ver lideranças rebeldes que resistem e conspiram contra nossas orientações e decisões. Portanto, devemos ter muito cuidado, na nossa condição de pastores/as, para que não nos rebelemos contra as orientações de decisões do Bispo e dos Concílios Regionais e Geral. As consequências são sempre danosas sobre as nossas vidas.

A unção de Deus e sua consequente autoridade é concedida aos que têm o coração quebrantado e submisso.

Para finalizar, deixo o conselho do Apóstolo Pedro:

“Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Pe 5.5-7)

Que Deus renove e abençoe nosso ministério pastoral.

Bispo Paulo Lockmann


[1] Warren W. Wiersbe. – A Crise de Integridade. São Paulo: Vida, 1993. p. 100.
[2] Baxter, Richard. O Pastor Aprovado. São Paulo: P.E.S., 1989. p. 36.
[3] Nee. Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2009. p.17.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

19º Concílio Geral aprova mudanças no Ministério Pastoral

Untitled documentAlterações na aposentadoria, comissionamentos e nos critérios para afastamento pastoral foram aprovados no conclave

Das 116 propostas apresentadas e discutidas no 19º Concílio Geral, pelo menos 18 tratavam, especificamente, o desempenho do ministério pastoral na Igreja Metodista. Algumas mudanças foram aprovadas pelos delegados/as. Uma das principais alterações diz respeito à aposentadoria.
O tema foi trabalhado com muito cuidado pelos delegados e delegadas. A proposta que foi aprovada fixa a aposentadoria compulsória aos 70 anos de idade. Pela proposta, ao alcançar esta idade o/a clérigo/a está compulsoriamente aposentado. De acordo com a proposta aprovada, se o/a clérigo/a estiver no desempenho de um cargo com mandato, a aposentadoria acontecerá no final deste período.
Em relação a aposentadoria o Concílio manteve o atual artigo 212 dos Cânones, que concede ao Concílio Regional o direito de aprovar, por proposta do Bispo Presidente da Região, a aposentadoria do clérigo aos 65 anos.
Para o pastor da Igreja Metodista Bom Pastor em Santa Maria, RS, Almerindo Gonçalves Pedroso, de 77 anos, a decisão revela uma preocupação com o rendimento dos pastores/as. “Com a idade que tenho, sei que não posso produzir o que eu produzia quanto tinha 50 anos. Respeito as decisões da igreja. Se eu chegar no Concílio Regional e tiver que me aposentar, farei isto. Mas, meu trabalho como membro da igreja continua, nunca vai parar”, declara o pastor.

Comissionamento – Duas propostas foram aprovadas fazendo modificações consistentes ao comissionamento de clérigos/clérigas de uma Região para outra Região. Comissionamento é a sessão temporária de um membro clérigo. A partir de 2012 os/as comissionados/as que estão em uma Região, mas pertencem a outra, serão transferidos para a que se encontram exercendo seu ministério, tendo o direito de retornar à Região de origem. Este processo deverá ser regulamentado pelo Colégio Episcopal. A partir desta decisão deixam de existir pastores comissionados de uma região trabalhando em outra.
Quatro justificativas foram apresentadas para a aprovação da proposta. Uma delas afirma: não é bom para um/uma obreiro/a ser de uma região e exercer seu ministério em outra, pois acaba sendo e não sendo de cada uma delas.
O pastor Cláudio Antônio da Rocha Vicente é do Rio de Janeiro e está comissionado em Parnamirim, RN. A partir do próximo período eclesiástico fará parte da Remne – Região Missionária do Nordeste. “Esta mudança nos dá voz nos concílios da região onde estamos trabalhando. É muito constrangedor não poder contribuir nas decisões da sua área de atuação. Agora nós vamos poder ter uma ação mais efetiva. Os resultados serão muito positivos”, afirma.
A decisão conciliar não muda a situação das pessoas que são comissionadas para a Área Nacional (Sede Nacional, Faculdade de Teologia, Campos Missionários Nacionais ou Internacionais, Pastorais Escolares e Universitárias). Clérigos/as são arrolados em Regiões. Não há rol na Área Nacional. Quem exerce ministério nela, é membro da Região de origem e deve exercer ministério pastoral na Região onde exerce seu ministério nacional.

Afastamento Pastoral – De acordo com uma das propostas aprovadas pelo plenário do Concílio Geral, o pastor/a ou presbítero/a pode perder o direito de nomeação. A medida será adotada quando comprovada inabilidade para o ministério pastoral, mediante três avaliações consecutivas negativas, no prazo máximo de seis meses cada uma, por parte da igreja local ou ministério em que atua.
Outras condições fazem parte da proposta. O presbítero/a ou pastor/a pode perder o direito de nomeação se o Bispo/a for favorável ao desligamento ou se houver um parecer da Ordem Presbiteral comprovado comportamento imoral e/ou não ético conforme processual de disciplina.

Ordem Presbiteral – O 19º Concílio Geral da Igreja Metodista aprovou encaminhamentos para a regulamentação da Ordem Presbiteral. O Colégio Episcopal irá estabelecer a organização em nível geral e nas regiões eclesiásticas e missionárias até o dia 31 de dezembro deste ano.
O secretário executivo do Colégio Episcopal, Bispo Stanley da Silva Moraes, explica que a ordem presbiteral é composta dos ‘membros que ela reconhece vocacionados para o santo ministério da Palavra e dos Sacramentos’. Ele acrescenta que a organização da Ordem deve instrumentalizar o corpo presbiteral a melhor desempenhar seu ministério. “O/A presbítero/a precisa do acompanhamento e supervisão de seu/suas colegas de ordem para bem exercer este ministério que coordena a vida da Igreja. Os membros da Ordem são um corpo com o Bispo Presidente da Região e a unidade deste corpo deve ajudar na unidade da Igreja, comunidade missionária a serviço do povo”, revela.
O/A Presidente do Colégio Episcopal é o/a presidente da Ordem Presbiteral Nacional e o/a Bispo/a Presidente de uma Região é o/a presidente da sessão regional da Ordem Presbiteral.

Ministério Missionário - O conclave também analisou a necessidade de reconhecer formalmente a categoria de missionário/a e de trabalhar uma legislação específica. Foi aprovada uma proposta que prevê que a regulamentação seja estabelecida pelo Colégio Episcopal até julho de 2012.
O 19º Concílio Geral reafirma que o ministério do/a missionário/a, é exercido por membro leigo/a ou clérigo/a, com autoridade e direção do Espírito Santo para, em nome de Deus, servir a Igreja metodista nos níveis local, distrital, nacional e internacional, a luz do Plano Diretor Missionário.
A missionária da Igreja Metodista em Acaraú, CE, Claudete Costa Cruz, acredita que a regulamentação é uma conquista e faz questão de reafirmar que os missionários/as metodistas sempre tiveram apoio e incentivo. “Na carreira missionária, o mais importante não é a formalização. Na carreira missionária o que mais importa é a disposição para trabalhar. A gente só tem esta conquista agora porque lá atrás, a Igreja Metodista deu suporte e nos ajudou”, revela.

Marcelo Ramiro