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sábado, 19 de setembro de 2015

A ORIGEM DA ESCOLA DOMINICAL NO BRASIL


ESBOÇO HISTÓRICO

“Eu tenho a certeza que as escolas dominicais são, atualmente, a melhor instituição prática para controlar esses elementos indisciplinados e violentos da sociedade e providenciar-lhes uma educação básica.” - Robert Raikes em audiência com a Rainha Carlota da Inglaterra.[1]

INTRODUÇÃO

Quando comemoramos o dia da Escola Dominical (3° domingo de setembro), normalmente nos lembramos do seu fundador, Sr. Robert Raikes (1736-1811), um jornalista que no ano de 1780, em Gloucester, na Inglaterra, iniciou um trabalho de educação cristã ministrada à crianças que não freqüentavam escola. A este homem sem dúvida alguma, devemos o início sistemático desta escola tão singular,[2] que se espalhou rapidamente por toda a Inglaterra, tendo oposição, todavia, contando também com o entusiasmo e apoio de inumeráveis pessoas, tais como, John Wesley (1703-1791)[3] e William Fox. Em 1788 a Escola Dominical já possuía, só na Inglaterra, mais de 250 mil alunos matriculados.[4]

Todavia, hoje queremos apresentar um esboço histórico do início da Escola Dominical no Brasil, para que junto possamos conhecer um pouco mais deste trabalho, que tantos benefícios espirituais trouxe, e continua trazendo à Causa Evangélica em nossa pátria.

Quando os primeiros missionários protestantes começaram a chegar no Brasil, o movimento das Escolas Dominicais já estava firmado na Inglaterra, tendo também, se tornado muito forte nos Estados Unidos. Isto explica parcialmente, o porquê deste trabalho ser logo implantado no Brasil, muitas vezes, até mesmo antes de se estabelecer formalmente o Culto público. Vejamos então, como a Escola Dominical surgiu no Brasil....

1. OS METODISTAS COMO PIONEIROS

No dia 28 de junho de 1835 embarca em Baltimore nos Estados Unidos rumo ao Brasil, o Rev. Fountain E. Pitts, que chegaria no Rio de janeiro em 19 de agosto de 1835,[6] permanecendo ali durante alguns meses, viajando em seguida para Montevidéu, e, depois de algumas semanas, tomou o vapor para Buenos Aires,que era o objetivo final de sua vinda.

O Rev. Pitts, entusiasmado com as perspectivas do trabalho evangélico, deu um parecer favorável à implantação de uma missão Metodista no Brasil. No dia 2 de setembro de 1835, ele escreve ao secretário correspondente da Sociedade Missionária da Igreja Metodista Episcopal (IME):

“Estou nesta cidade (Rio de Janeiro) há duas semanas, e lamento que minha permanência seja necessariamente breve. Creio que uma porta oportuna para a pregação do Evangelho está aberta neste vasto império. Os privilégios religiosos permitidos pelo governo do Brasil são muito mais tolerantes do que eu esperava achar em um país católico (...) Já realizei diversas reuniões e preguei oito vezes em diferentes residências onde fui respeitosamente convidado e bondosamente recebido pelo bom povo....”[9]

Na seqüência, Pitts opina sobre o caráter e a experiência daquele que deverá ser enviado como missionário...

“....Nosso pequeno grupo de metodistas precisará muito de um cristão experimentado para conduzi-lo; no entanto, eles estão decididos a se unirem e a se ajudarem mutuamente no desenvolvimento da salvação de suas almas (...) O missionário a ser enviado para cá dever vir imediatamente e iniciar o estudo do idioma português sem demora...”[10]

As sugestões de Pitts são aceitas. No dia 29 de abril de 1836 desembarca no Rio de Janeiro, proveniente de New York, Estados Unidos, o missionário, Rev. Justin Spaulding, acompanhado de sua esposa, o filhinho Levi, e sua empregada.[11] Spaulding demonstrou ser muito empreendedor no seu trabalho. Em carta ao secretário da IME, datada de 5/5/1836, menciona que já organizara uma pequena escola dominical com o grupo de metodistas que o Rev. Pitts reunira.[12] Posteriormente, em relatório ao secretário correspondente da IME, datado de 01/9/1836, acentua:

“.... Conseguimos organizar uma escola dominical, denominada Escola Dominical Missionária Sul-Americana, auxiliar da União das Escolas Dominicais da Igreja Metodista Episcopal... Mais de 40 crianças e jovens se tornaram interessados nela (...) Está dividida em oito classes com quatro professores e quatro professoras. Nós nos reunimos às 16:30 aos domingos. Temos duas classes de pretos, uma fala inglês, a outra português. Atualmente parecem muito interessados e ansiosos por aprender...”[13]

Desta forma, baseados nos documentos que temos, podemos afirmar que a primeira Escola Dominical no Brasil dirigida em português, foi organizada no dia 01 de maio de 1836. Com esta afirmação, estamos esclarecendo alguns equívocos cometidos, a saber: 1) A sugestão de que foi em junho de 1836 que o Rev. Spaulding teria iniciado a Escola Dominical;[14] 2) A afirmação de que foram os Congregacionais os primeiros a organizarem esta escola com aula em português em 19/08/1855;[15] 3) A declaração de que foram os Presbiterianos que iniciaram a referida escola em 1860.[16]

Voltando a nossa rota inicial, observamos que o trabalho Metodista apesar de ter sido bem iniciado, teve curta duração: a missão metodista, por diversas razões,[17] encerrou as suas atividades no Brasil em 1841. Neste mesmo ano[18] ou em 1842,[19] o Rev. Spaulding retornou aos Estados Unidos.

A missão Metodista só teria o seu reinício definitivo no Brasil, em 05/08/1867[20], com a chegada do Rev. Junius Eastham Newman (1819-1895) no Rio de Janeiro. Em abril de 1869, Newman mudou-se para o interior de São Paulo, Saltinho[21], trabalhando entre os colonos americanos... Ali, junto com os imigrantes de Santa Bárbara, organizou no terceiro domingo de 1871,[22] a Primeira Igreja Metodista do Brasil, com cultos em inglês. No entanto, o trabalho metodista só receberia convertidos brasileiros em 9 de março de 1879, no Rio de Janeiro.[23]

O Bispo John C. Granbery, da Igreja Metodista Episcopal do Sul, desembarcou no Rio de Janeiro de 4 de julho de 1886, fazendo então, a primeira visita episcopal metodista ao Brasil. Em 15/09/1886, organizou a primeira conferência anual metodista na Igreja Metodista do Catete.[24]

2. OS CONGREGACIONAIS: UMA ESCOLA DOMINICAL DEFINITIVA



O Dr. Robert Reid Kalley (1809-1888), médico e pastor escocês, acompanhado de sua esposa, Srª Sarah Poulton Kalley (1825-1907), desembarcou no Rio de Janeiro no dia 10/05/1855, às cinco horas da manhã, proveniente da Inglaterra[25].

O Dr. Kalley tivera uma experiência intensa. Ele como missionário na Ilha da Madeira – desde outubro de1838 –. realizava um trabalho muito concorrido, pontilhado por atividades de âmbito médico (fundando inclusive um hospital)[26], educacional e religioso. Foi então que em 1843, a Igreja católica moveu uma perseguição contra ele. Depois de passar vários meses (mais de cinco meses)[27] preso, foi liberto no final de 1843[28]. Em 1846 a situação tornou-se insustentável; a turba havia se voltado contra ele e, nem o consulado dava-lhe mais garantias... A sua casa “foi assaltada e queimada a sua biblioteca e valiosos manuscritos....”.[29] O caminho foi fugir da ilha – disfarçado de mulher enferma –, juntamente com algumas famílias de seus fiéis,[30] sucedendo-lhe centenas de outros protestantes que também fugiram dali.[31] À época, o Dr. Kalley era casado com Margaret Kalley, que viria falecer em 1851 na Síria[32]. Posteriormente (14/12/1852), casou-se com Sarah Poulton Wilson (1825-1907), "poetisa, lingüista e musicista",[33] proveniente de uma família abastada, que se tornaria nossa conhecida como Sarah Poulton Kalley[34].

As perseguições sofridas na Ilha da Madeira marcaram profundamente a sua personalidade, tornando-o bastante cauteloso em sua ação missionária, embora, sem jamais negligenciá-la.[35]

Devido a dificuldade de encontrar no Rio de Janeiro um imóvel que fosse conveniente para residência e atendesse aos seus objetivos na obra evangélica, o casal após visitar a Tijuca, Niterói e Petrópolis, decidiu-se finalmente por Petrópolis,[36] mudando-se para aquela cidade serrana em fins de julho de 1855, hospedando-se no hotel Oriente (que ficava localizado na atual rua Sete de Abril).[37] No dia 15 de outubro de 1855, finalmente o casal se mudou para a sua nova residência no distrito petropolitano de Schweizaerthal (bairro suíço), onde alugou a mansão “Gerheim” (“lar muito amado”),[38] de propriedade do Sr. Alexandre Fry.

A Escola Dominical foi inaugurada pelo casal Kalley em “Gerheim” na tarde de 19/8/1855.[39] - isto ocorreu com a permissão do atual inquilino da mansão: o embaixador americano Sr. Webb, que ainda não desocupara a casa,[40] com quem o Dr. Kalley fez boa amizade. Na ocasião a Srª Kalley leu a história do profeta Jonas, ensinou-lhes alguns hinos[41] e deram graças ao Senhor.[42]

Passados dois ou três domingos, a escola dominical passou a funcionar com uma classe de crianças e outra de adultos, sendo esta dirigida pelo Rev. Kalley, contando alunos negros[43]. “As classes da escola dominical continuaram a funcionar através de muitas dificuldades, tais como - os maus caminhos em ocasiões de grandes chuvas, doenças, distrações sociais, festas religiosas, visitas de amigos e, mais tarde, as ausências da amável professora, quando acompanhava o seu marido ao Rio, para animar os irmãos que tinham as suas reuniões no Bairro da Saúde”.[44]

Não se dispõe de dados estatísticos de matrícula e freqüência desta incipiente escola dominical; temos apenas alguns informes esparsos que nos revelam o seu crescimento constante:

Em 11/5/1856, a Srª Kalley começou a ler a Bíblia em português a algumas crianças e a duas de suas criadas (alemãs ?)[45]

Neste mesmo ano as reuniões passaram a ser realizadas em português, inglês e alemão.[46]

08/6/1856, além da presença de adultos, a Escola Dominical contava com dez crianças (quatro que falavam português[47] ou inglês[48] e seis que conheciam o alemão).[49]

Em 01/7/1856, há o registro de 13 alunos presentes. Num domingo de setembro, compareceram 17 alunos. A partir de outubro, a freqüência média passou a ser de 20 a 25 alunos, às vezes aumentando.

Uma aluna desta época, Christina Fernandes Braga[50]- avó da famosa historiadora Henriqueta Rosa Fernandes Braga[51] -, mais tarde, em 1917, relembraria com indisfarçável satisfação a sua infância, quando estudou com a Srª Kalley:

“Quando eu tinha a idade de 7 anos, em 1856, freqüentava a ‘Classe Bíblica’ do Dr. Robert Reid Kalley em Petrópolis, em sua chácara, à rua Joinville, hoje Ypiranga. Reuniam-se ali, das 2 ou 3 às 4 horas da tarde, aos domingos, para o estudo da Bíblia, sentados em volta de uma mesa grande, na sala de jantar, cerca de 30 a 40 alemães, meninos e meninas, em sua maioria, cada um trazendo seu Novo Testamento. Quem levasse decorados três versículos, recebia um cartãozinho com um texto bíblico; quem conseguisse adquirir 10 cartõezinhos, recebia um cartão maior, e quem conseguisse 3 maiores recebia um livro.

“Em todas as reuniões, cantavam-se hinos".

“À saída, encontrávamos os que vinham para o estudo bíblico em português - esses eram em menor número..."

“Após o estudo em português, reunia-se a ‘Classe Inglesa’”.

“(...) Deve-se notar que a ‘Classe Alemã’ era mais numerosa, pois a língua alemã era mais vulgarizada em Petrópolis, naquele tempo. Tanto o Dr. Kalley, como sua esposa, Mrs. Kalley, falavam bem esse idioma..."

“Mrs. Kalley só matriculava alunos de oito anos para cima e, no entanto, fui matriculada antes dessa idade, devido à minha persistência e porque sabia diversos capítulos de cor....”.[52]

Em 30/5/1860, o casal Kalley mudou-se para uma propriedade mais central em Petrópolis, denominada de “Eyrie”, pertencente ao Barão de Lucena (1835-1913), localizada à rua Joinville, n° 1 (Atual Avenida Ipiranga, 135).[53] A Escola Dominical continuou normalmente em sua residência.

Em 18/7/1864, nova mudança; agora o casal vai para o Rio de Janeiro, passando a residir provisoriamente na rua do Propósito, até que a reforma da sua nova casa fosse concluída, o que ocorreu em 18/11/1864, quando então foram morar à Travessa das Partilhas, 34 (depois 44 e 56). Nesta residência, a Escola Dominical continuou funcionando na sala de jantar. “Terminada a lição, os discípulos desciam a grande escadaria que ia ter ao salão da travessa das Partilhas, onde então se realizava o culto público e a pregação do Evangelho”.[54]

Com isso, os irmãos de Petrópolis que podiam, passaram a freqüentar a Escola Dominical do Rio de Janeiro, enfraquecendo assim, gradativamente a Escola de Petrópolis.[55] Por este ou por outros motivos, o fato é que este trabalho seria encerrado (1871 ?)[56]. No jornal O Christão - Órgão da União Evangélica Congregacional do Brasil e de Portugal -, de 15 de agosto de 1927, p. 7, encontramos um desabafo de alguém que subscrevia o seu artigo com as iniciais “A.A”, lamentando pelo término do trabalho em Petrópolis, ao mesmo tempo em que estimulava sua Igreja a reiniciar a obra evangélica naquela cidade.

Concluindo esta parte do estudo, podemos observar que a Escola Dominical organizada pelo casal Kalley, se caracterizou pela preocupação de se ensinar a Bíblia e hinos evangélicos. Recordemos o testemunho de sua antiga aluna: “Em todas as reuniões, cantavam-se hinos”. É digno de menção que eles editaram em 1861 um hinário com 50 hinos, intitulado, “Psalmos e Hinos para o Uso Daquelles que Amão A Nosso Senhor Jesus Cristo”, hinário que seria ampliado através dos anos: 2ª edição em 1865, com 83 hinos; 3ª edição em 1868 com 100 hinos; 4ª edição em 1873, 130 hinos.[57]

O casal retornou definitivamente para a Escócia em 1876.[58]

Neste método, encontramos delineado o princípio defendido por Martinho Lutero (1483-1546) em 1530, que disse: “Depois da teologia, não existe arte que se possa equiparar à música, porque sobre ela, depois da teologia, é que consegue uma coisa que no mais só a teologia proporciona: um coração tranqüilo e alegre.”[59]

3. OS PRESBITERIANOS E A ESCOLA DOMINICAL

O Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867) foi o primeiro missionário presbiteriano a se estabelecer no Brasil (12/8/1859) - antes dele esteve o Rev. James Cooley Fletcher (1823-1901), todavia, ele não pregou em português nem fundou igreja alguma, pois esta não era a sua missão, contudo, realizou um trabalho notável[60]...

Simonton, antes de vir para o Brasil estudara um pouco o português em New York,[61] no entanto, não se sentia seguro, como é natural, para pregar nesta nova e difícil língua...

Nestes primeiros meses de Simonton no Rio de Janeiro, torna-se visível a sua angústia por não conseguir aprender o português tão rapidamente como gostaria; ele se ofereceu a algumas pessoas para ensinar o inglês ou outra língua morta, enquanto elas, no caso, ensinariam-lhe o português ou, se não fosse o caso, ele forçosamente aprenderia o português, por ser obrigado a conversar com seus alunos na língua materna deles. Aqui dois personagens devem ser destacados. O primeiro, é o Dr. Manuel Pacheco da Silva (1812-1889), a quem Simonton trouxera carta de apresentação remetida por Fletcher.[62] O Dr. Pacheco era um intelectual, diretor do Externato do Colégio Imperial Dom Pedro II de 1855 a 1872,[63] função que exerceu com competência.[64] Ele era amigo de Fletcher e, tornou-se amigo, aluno de inglês e confidente de Simonton.[65] No início de seus contatos, o Dr. Pacheco ofereceu-se para ajudá-lo do estudo do português e Simonton retribuiu a oferta para o estudo do Hebraico.[66] Foi ele quem apresentou Simonton ao segundo personagem, que destaco; o Dr. Teófilo Neves Leão, que era Secretário da Instrução Pública, o qual "prometeu ajudá-lo a conseguir uma licença de professor, necessária para que pudesse legalmente abrir uma escola particular."[67]

Os dois tornaram-se amigos e, em dezembro de 1859, Simonton registra: "Começamos no dia seguinte (a aprender português e a ensinar inglês) e agora vou diariamente a seu escritório às duas horas. É importante ter como professor alguém que tenha bom conhecimento da língua."[68]

Apesar destes esforços, Simonton continuou tendo dificuldade com a língua e, as duas vezes em que anunciou no jornal a sua disposição em ensinar, não lhe trouxe alunos.[69]

Em 02/01/1860, Simonton mudou de residência, indo morar com uma família que falava o português: "Muitos esforços e orações foram coroados de êxito e moro em casa onde posso ouvir e falar o português (...) Estou bem instalado, mais que esperava em casa de fala portuguesa; já era mais que tempo de saber a língua da terra"[70].

Finalmente, em 22 de abril de 1860, ele começou uma classe de Escola Dominical no Rio de Janeiro, ao que parece na casa do Sr. Grunting, onde havia alugado um quarto para a sua residência, desde 10/4/1860, por um período de quase seis meses.[71] Este foi o seu primeiro trabalho em português. Os textos usados com as cinco crianças presentes (três americanas da família Eubank e duas alemãs da família Knaack), foram: A Bíblia, O Catecismo de História Sagrada e o Progresso do Peregrino, de Bunyan.[72] Duas das crianças, Amália e Mariquinhas (Knaack), confessaram ou demonstraram na segunda aula (29/04/1860), terem dificuldade em entender John Bunyan.[73]

A primeira Escola Dominical organizada em São Paulo pelos presbiterianos, ocorreu no dia 17 de abril de 1864, às 15 horas, com sete crianças, sob a direção do Rev. Alexander L. Blackford (1829-1890), que se encontrava no Brasil desde 25/7/1860 e, em São Paulo, desde 09/10/1863[74]. Este trabalho permaneceu e, posteriormente o seu horário foi transferido para às 10 horas, sendo seguido de um ato de Culto.[75]

Terminada esta parte histórica, façamos algumas considerações sobre a Educação Cristã...

4. A EDUCAÇÃO: IMPORTÂNCIA E LIMITES

O homem é um ser educável. Ninguém consegue escapar à educação; ela está em toda parte, sendo intencional ou não, somos bombardeados com informações e valores que contribuem para nos dar um nova cosmovisão e delinear o nosso comportamento,[76] conforme a assunção consciente ou inconsciente de valores e paradigmas que reforçam ou substituem os anteriormente aprendidos, manifestando-se em nossas atitudes e nova perspectiva da realidade que nos circunda.

A educação é um fenômeno “tipicamente humano”. Os animais podem ser adestrados, mas, só o homem pode ser educado. [77]

A educação é fundamental para uma construção e transformação social. A educação é mais do que a transmissão de informações; ela consiste principalmente na formação ética do homem[78]. A educação visa formar homens com valores morais que envolvam deveres para com Deus, para consigo mesmo, para com o seu próximo e para com a sua pátria.[79] A Educação moral engloba o homem todo, considerando-o como ser religioso, racional, emotivo, livre e responsável. A genuína educação visa formar o homem para viver criativamente em sociedade, a fim de que ele possa assimilar, adaptar e transformar a cultura, através de um posicionamento racional, emocional e moral; ou seja, que o homem viva e atue em seu meio, com a integridade do seu ser. Isto só se torna possível, se conseguirmos despertar em nossos alunos, o amor e o comprometimento incondicional com a busca da verdade; em outras palavras: compromisso com Deus e a Sua Palavra.

Todavia, se a educação é extremamente relevante, devemos observar que ela não resolve todos os problemas sociais, morais e espirituais. A educação pode nos mostrar o certo e nos estimular a praticá-lo; contudo, entre o conhecimento do certo e a sua prática, há uma grande distância (Vd. Rm 7.14-24).[80]

O filósofo grego Platão (427-347 aC.), seguindo o conceito de seu mestre Sócrates (469-399 aC.),[81] entendia que o homem pratica o mal por ignorância do bem. O problema para Platão, foi conseguir demonstrar a sua tese através do relacionamento com o seu “discípulo” de Siracusa, Dionísio, o Jovem. Este, cansado de suas lições, mandou Platão de volta para Atenas; em outro período (361 aC), quando Platão a seu pedido elaborou uma nova Constituição para Siracusa, o monarca não se agradando da mesma, o aprisionou. Este é apenas um, entre diversos exemplos que a História registra, de homens que sabiam a verdade, porém seguiam caminhos opostos.[82]

Reafirmamos a importância do ensino; todavia, enfatizamos que é o Espírito Santo Quem nos capacita a fazer a vontade de Deus, a seguir os Seus mandamentos: Estar convencido de uma verdade não capacita ninguém a praticá-la. (Vd. Jo 15.5; Fp 2.13; 1 Jo 5.3-5).

Por outro lado, devemos também reconhecer, que “Deus opera através de processos naturais de maneira sobrenatural.”[83] Nós como professores de Escola Dominical, somos os instrumentos naturais de Deus para uma obra que transcende a nossa capacidade de compreensão: a transformação do homem. Deus em Sua soberania se dignou em nos usar como Seus “instrumentos naturais” para a transmissão da Sua Palavra sobrenatural, daí a ênfase divina no ensino da Palavra (Vd. Dt 6.6-9; Pv 22.6; Os 4.6; Mt 28.18-20/1 Tm 4.1). O Evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). Para tanto, o homem precisa conhecer o Evangelho, ser instruído a respeito do seu teor, e compete à Igreja fazê-lo. À Igreja cabe a responsabilidade intransferível de pregar o Evangelho a toda criatura. “A mais importante implicação da catolicidade da igreja, observa Kuiper, é seu solene dever de proclamar o evangelho de Jesus Cristo a todas as nações e tribos da terra.”[84] dominical

Van Horn declara o seguinte:

“O mestre cristão deveria descobrir o propósito do ensino: a formação do homem em sua personalidade independente servindo a Deus segundo Sua Palavra. Este propósito pode alcançar-se unicamente promovendo uma submissão obediente à Palavra de Deus tanto do mestre como do aluno.

“O ensino, segundo a Bíblia, é simplesmente a satisfação de uma necessidade divinamente ordenada (a renovação do homem caído e redimido no que Deus queria que ele fosse), em uma maneira divinamente ordenada (o uso de métodos conseqüentes com a autoridade máxima, as Escrituras).”

Concluindo, devemos nos lembrar que hoje nós somos herdeiros deste trabalho que cresceu e frutificou. Cabe-nos a responsabilidade de participar,orar e usar a nossa inteligência para aperfeiçoar a Escola Dominical, a fim de que ela continue sendo um veículo poderoso de propagação do Evangelho e de edificação espiritual da Igreja.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

GRUPO PROPŌE NOVA REFORMA PROTESTANTE

Com o projeto “Eu quero uma igreja”, um grupo de cristãos brasileiros identificados como “os cristocêntricos” propõe a união de cristãos em nome de Cristo para a criação de uma igreja verdadeira, ou uma “Nova Reforma Protestante”. Tomando como base Romanos 14 e 1° Coríntios 13, o grupo conclama a “uma antiga, nova e verdadeira forma de ser igreja”. “Após ver tanta sujeira, levantamos uma bandeira, um clamor, uma súplica, como Jesus em João 17 rogando ao Pai. Na função de sabão dos lavandeiros e fogo dos ourives que purifica a prata e o ouro (Mal.3)”, diz o projeto. Segundo site do "Eu quero uma igreja", o objetivo do movimento é apresentar debates e cultuar ao vivo com pessoas de todas as partes do mundo e denominações, para unirem em Cristo “na verdadeira unidade com um só pensamento”. Um programa de perguntas e respostas é oferecido, bem como entrevistas, testemunhos e a exposição de pensamentos sobre a doutrina, dogmas, costumes e liturgias. O projeto visa oferecer também ajuda àqueles que estão “escandalizados” com a igreja a continuerem louvando a Deus, mesmo que virtualmente. Com o intuito de combater os erros eclesiásticos ele propõe também a ação de uma “Corregedoria Eclesiástica”. “Ovacionar sim, elogiar sim, os acertos dos líderes e igrejas; mas, combater categoricamente os erros e a podridão do sistema religioso, nem que nos custe a vida terrena”, diz o projeto no site. O grupo não se preocupa com o preço a pagar para que as mensagens pregadas não sejam “massagens” que massageiem o ego das pessoas. “Que nos corte a cabeça em bandejas, mas que façamos a vontade de Deus sempre!” afirma o projeto. Os pontos de pregação a serem enfatizados são: a limpeza dos corações; o combate à “sujeira do sistema religioso” e a condução de pessoas a olharem a somente um único Salvador. O grupo convida católicos, evangélicos, carismáticos, padres, monges, pastores, ateus, judeus, muçulmanos, agnósticos, protestantes, pentecostais, tradicionais, neopentecostais, espíritas, maçons, rosacruses, unicistas, ‘igrejados’, ‘desigrejados’, entre outros, para participarem dos debates a fim de constatar que “só o Evangelho de Cristo salva”. Os debates são promovidos todos os dias às 21 horas ao vivo, pelo YouTube, Google Hangout, Google mais, TV Eu quero uma igreja e Skype.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Chegada do Metodismo ao Brasil e o Trabalho dos Missionários



Uma síntese do Metodismo no Brasil de 1832 até 1885
Rev. Ronan Boechat de Amorim

1832

Em 1832 a Conferência Geral da Igreja Me-todista dos EUA decide estudar a possibilida-de de abrir trabalho missionário na América do Sul.

1835

Em 19 de agosto de 1835 desembarcava no Rio de Janeiro o Rev. Foutain E. Pitts, com a tarefa de reconhecimento e avaliação da aber-tura de frentes missionárias no Brasil, Uruguai e Argentina.

1836

Logo no início de 1836 o Rev. Pitts retorna aos EUA recomendando que se estabelecessem missões no Rio de Janeiro e Buenos Aires. Ele disse: “aquela gente tem o coração aberto para o Evangelho”. O relatório do Rev. Pitts causa grande impacto na Igreja Metodista dos EUA.

Em 29 de abril desse 1836 chega ao Rio de Janeiro, o Rev. Justin Spaulding para organizar o trabalho missionário.

Em junho de 1836 ele organiza a primeira Escola Dominical da Igreja Metodista no Brasil e a primeira Escola Dominical no Brasil. Tinha 30 alunos, entre os quais alguns brasileiros e o ensino era ministrado em português.

O Rev. Spaulding, no Rio, “iniciou seu tra-balho entre ingleses e americanos e em pouco tempo organizou uma congregação de 40 pessoas e uma Escola Dominical. Distribuiu entre o povo muitos exemplares das Escrituras Sagradas na língua por-tuguesa, fornecidos generosamente pela Sociedade Bíblica Americana. (...) Encontrou o povo bem dis-posto para seu trabalho”, conta-nos o livro Histó-ria do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, pá-gina 409.

1837

Em 12 de novembro de 1937 chegaram novos missionários: Daniel P. Kidder e R.M. Murdy com suas respectivas esposas, Cynthia e Mrs Murdy. O trabalho era intenso. O povo brasileiro apreciava a pregação dos metodistas, mas havia muita oposição e hostilidade por parte dos padres. Estes diziam que o “protes-tantismo era o reino do Diabo”.

1840

Em 1940 morre Cynthia Harris Kidder, esposa do Rev. Kidder, vitimada pela febre amarela e é sepultada no Cemitério dos Ingle-ses, no Rio de Janeiro. Muito abalado e com um filho pequeno, Rev. Kidder retorna aos EUA. Em seu trabalho missionário de apenas três anos no Brasil o Rev. Kidder viajou bas-tante pelo país e mais tarde, nos EUA, escre-veu um livro contando e comentando sobre es-sas viagens. O Rev. Kidder tornou-se na Igreja-Mãe um grande líder, sobretudo na área do-cente da Igreja.

1841

O Rev. Justin Spaulding ficou no Brasil até o ano de 1841, quando voltou para os EUA a-companhado do Rev. Murdy e demais missio-nários. “Não sabemos com segurança quais foram os motivos da sua retirada e dos demais obreiros, mas sem dúvida o estado perturbado em que se a-chava a Igreja-Mãe, sobre a questão da escravidão, que a dividiu em 1844, foi a principal razão”, es-creve Paul E. Buyers.

1871

Em agosto de 1871 o Rev. Junius E. Newman, um imigrante que era pregador me-todista, depois de autorizado pela Igreja Epis-copal do Sul, organizou em Saltinho, perto de Santa Bárbara, SP, a primeira Igreja Metodista no Brasil, integrada por imigrantes norte-americanos. A Igreja também era conhecida como “Igreja do Campo” e reunia-se numa ca-sa de madeira.

O Rev. Newman escreve continuamente à Igreja-Mãe solicitando que o trabalho missio-nário no Brasil fosse retomado. Suas cartas sensibilizam a Igreja-Mãe.

1876

Em 2 de fevereiro de 1876 chegava ao Brasil o Rev. John James Ransom, oficialmente o 1º missionário metodista no Brasil enviado pela Igreja Metodista Episcopal do Sul dos EUA, que depois de algum tempo preparando-se, acabou por residir e desenvolver um trabalho missionário na cidade do Rio de Janeiro. O Rev. Newman fica como o Superintendente da Missão até 1879, quando Ransom assume essa função.

1877

Em 1877 falece Mary A. Newman, esposa do Rev. Newman e mãe de Annie e Mary.

1879

Em 1879 o Rev. Newman deixa Saltinho e vai para Piracicaba. Sem o Rev. Newman e su-as filhas a Igreja de Saltinho deixa de existir.

No natal de 1879 o Rev. Ransom casa-se com Annie, filha do Rev. Newman, indo morar e colaborar no trabalho missionário no Rio de Janeiro. Mas o casamento dura pouco, pois em meados de 1880 a jovem Annie morre.

O Rev. Ransom assume a Superintendência da Missão até 22 de dezembro de 1882.

1880

Em 1880, muito abatido pelo falecimento da esposa, o Rev. Ransom volta aos EUA para re-cuperar-se. Mas aproveita e prega em muitas Igrejas e Concílios, contanto suas experiências e desafiando a Igreja a investir mais em mis-sões no Brasil. Como resultado, traz consigo três novos obreiros.

1881

Em 16 de maio de 1881 chegam três novos missionários: o Rev. J. W. Koger e a esposa Frances S. Koger (que tinham um filhinho), Miss Marta Watts e o Rev. J. C. Kennedy, que vão trabalhar na cidade de Piracicaba, SP. O Rev. Koger foi logo designado missionário na cidade de Piracicaba e teve a ajuda de Miss Marta Watts que já no início de julho desse ano de 1881 organizava uma Escola Dominical, que reunia várias crianças nas manhãs de domin-go.

Em 2 de setembro de 1881, 4 meses depois de iniciado o trabalho, o Rev. Koger organiza-va a Igreja Metodista de Piracicaba com 9 membros. Era a terceira Igreja Metodista que surgia no Brasil. E 13 dias depois, Miss Watts abriu uma escola, que tinha uma única aluna. Por incrível que pareça essa foi a semente que mais tarde desabrocharia no Colégio Piracica-bano, que por sua vez, anos depois, viria a se transformar na UNIMEP, a primeira universi-dade metodista no Brasil.

No fim de 1881 o Rev. Kennedy, que esta-va em Piracicaba, vem para o Rio de Janeiro para ajudar o Rev. Ranson, que passaria a atu-ar também como um “evangelista geral”, com a tarefa de visitar, pregar e expandir para ou-tros lugares o trabalho missionário metodista. Foi assim que o metodismo chegou nas cida-des de São Paulo, SP, e Juiz de Fora, MG. O Rev. Ransom era também o redator da literatu-ra em português usada nas Escolas Dominicais metodistas. Ele é também o Superintendente do trabalho Missionário no Brasil.

1882

Em de setembro de 1882, os metodistas do Rio de Janeiro (liderados pelos Rev. Ransom e Rev. Kennedy) constroem o 1º templo metodis-ta no Brasil, a capela do Catete.

Em 22 de dezembro de 1882 o trabalho metodista no Brasil é dividido em duas áreas: o Distrito do Rio de Janeiro, sob a superinten-dência do Rev. Ransom e o Distrito de São Paulo, cujo Superintendente era o Rev. Koger, que também passa a ser o Superintendente Ge-ral do trabalho metodista no Brasil. O Rev. Ransom continua incumbido da expansão mis-sionária, particularmente em Juiz de Fora e na cidade de São Paulo.

1883

Em 4 de março de 1883, o Rev. Kennedy fica gravemente doente com a febre amarela e 11 dias depois viaja pra os EUA visando se res-tabelecer. Recuperado volta ao Brasil, casado com Jennie Wallace Kennedy, e trazendo con-sigo mais um missionário, o Rev. J. W. Tar-boux, com sua esposa e filhinho. O Rev. Tar-boux é designado para a congregação do Cate-te que funcionava no bairro de Santa Tereza, destinada aos estrangeiros.

Em outubro de 1883 o Rev. Ranson, o e-vangelista geral da Igreja, iniciou trabalho mis-sionário na cidade de São Paulo. No fim de ou-tubro Frances S. Koger, esposa do Rev. Koger, ficou muito doente e teve de ir aos EUA com seu filhinho para tratar-se. O Rev. Koger, para ser poupado, foi transferido para a cidade de São Paulo, Kennedy foi transferido para a Igre-ja de Piracicaba e para dar apoio ao Rev. Newman em Saltinho (Santa Bárbara). O Rev. Ransom ficou no Rio com o Rev. Tarboux.

O relatório estatístico da Missão no ano de 1883 registrava o seguinte: 5 missionários ho-mens, 4 missionárias casadas, 1 missionária solteira, 2 colportores (viajantes vendedores de Bíblias e livros), 130 membros e 21 candidatos a membro da Igreja Metodista do Brasil.

Em 1884

Em 10 de fevereiro de 1884 o Rev. Koger organiza a Igreja Metodista de São Paulo com 4 membros: 1 brasileiro, 1 inglês e um casal ita-liano; 3 homens e uma mulher. Organizou também uma Escola Dominical.

Em maio de 1884 chega a vez da Missão alcançar Juiz de Fora. Os primeiros passos fo-ram dados pelo Rev. Kennedy, mas o Rev. Ranson assume e muda-se para Juiz de Fora.

A chegada do metodismo...

Aos 11 de abril de 1884, com o restabele-cimento da esposa, o Rev. Koger volta a pasto-rear a Igreja de Piracicaba, onde permaneceu até sua morte e o Rev. Tarboux é quem assume a recém-criada Igreja de São Paulo. O Rev. Kennedy fica como pastor da igreja do Catete e da congregação metodista de língua inglesa em Santa Tereza. No final de 1884, Bernardo de Miranda e Ludgero de Miranda, dois ir-mãos membros da Igreja de São Paulo, come-çam no ministério pastoral. São os primeiros brasileiros no ministério pastoral. Bernardo Miranda desenvolve trabalho missionário a-brangendo Jundiaí, Penha e Mogi das Cruzes. Destacam-se também no cenário nacional dois outros obreiros da Igreja de São Paulo: os col-portores Samuel Elliot e João Bernini.

Em 2 de setembro de 1884 o Rev. Ransom, viúvo, casa-se novamente nos EUA. Tão logo retorna ao Rio de Janeiro dá especial atenção à redação e publicação dos periódicos da Escola Dominical, intitulados “A Escola Dominical” e “A nossa Gente Pequena”, ambos em portu-guês, utilizados em todas as Escolas Domini-cais metodistas no Brasil.

1885

Em janeiro de 1885 o Rev. Koger, Superin-tendente Geral da Missão no Brasil, promove em Piracicaba uma reunião de todos os mis-sionários metodistas no Brasil. A reunião ga-nhou o nome de Conferência Anual Missioná-ria e realizou-se nos dias 14 a 20 de janeiro. De-la participaram: Rev. Newman, Rev.. Koger, Rev. Kennedy e as missionárias educadoras Miss Watss e Miss Mary W. Bruce. Só o Rev. Ransom não compareceu.

“Entre outras coisas - descreve o Rev. Ken-nedy no seu livro Cincoenta Annos de Metho-dismo no Brasil - foram feitas as seguintes: Renderam-se graças a Deus pela conservação da vida e saúde de todos os novos obreiros desde a chegada dos novos reforços em maio de 1881; ouviram-se relatórios pormenorizados sobre todos os campos do trabalho, menos o de Minas Gerais, devido à ausência do seu pastor; fez-se um estudo minucioso dos métodos dos obreiros; tratou-se dos trabalhos escolares e li-terários, da tradução de certas obras importan-tes para o português, da obra de colportagem; de finanças e da distribuição de fundos; exten-são do trabalho em novos campos; deu-se mui-ta atenção à questão do reconhecimento pelo governo imperial, da nossa Igreja, como enti-dade jurídica, nomeando-se uma comissão permanente para tratar disso; da divisão do território entre as diversas igrejas evangélicas, desejosas de cooperar do melhor modo possí-vel, com as denominações cristãs, manifestan-do-lhes real simpatia e amor; externou-se a i-déia de que a Evangelização do Brasil, abaixo de Deus, dependeria, no fim das contas, mais de brasileiros convertidos, do que de missões sustentadas pela Igreja-Mãe; estudaram-se a questão da disciplina na igreja, especialmente com referência a observação do Dia do Senhor (Domingo) e a abstenção de bebidas, princi-palmente no fabrico e venda das mesmas...”

Ainda segundo o Rev. Kennedy, “no dia 20 de Janeiro de 1885, pela primeira vez na his-tória da nossa igreja brasileira, foram lidas as nomeações dos nossos pregadores e dali em diante não passou nenhum ano do calendário sem isso se fazer.

O Rev. Koger, Superintendente da Missão leu as seguintes nomeações:

Superintendente da Missão: J. W. Koger

Distrito do Catete: J.J. Ransom

Catete – Congregação de língua inglesa – a ser suprido

Catete – Congregação de língua brasileira – J.L. Kenndy e Samuel Elliot, ajudante

Circuito do Vale do Paraíba – J.J. Ransom

Distrito de São Paulo – J.W. Koger

Circuito e Estação de São Paulo – J.W. Tarboux e Bernardo de Miranda, ajudante

Circuito de Santa Bárbara – J.E. Newman

Circuito de Campinas – a ser suprido

Circuito de Piracicaba – J.W. Koger e um ajudante a ser suprido.”

Em 3 de março de 1885 começa a constru-ção do templo da Igreja de Piracicaba, o 2º templo metodista no Brasil, inaugurado no dia 1º de novembro do mesmo ano.

Em 5 de julho de 1885 organiza-se na Igre-ja do Catete a primeira Sociedade Missionária Metodista de Senhoras, hoje Sociedade de Mu-lheres Metodistas.

Bem, esta é uma síntese do metodismo no Brasil de 1832 até 1885. Brevemente continua-remos com a história do metodismo brasileiro até 1930, quando se deu a chamada “Autono-mia” da Igreja Metodista do Brasil em relação à igreja-mãe, a Igreja Metodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos.

sábado, 24 de abril de 2010

PACTO DE LAUSANNE


Introdução


Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e dasafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.

1. O Propósito de Deus

Afirmamos a nossa crença no único Deus eterno, Criador e Senhor do Mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. Ele tem chamado do mundo um povo para si, enviando-o novamente ao mundo como seus servos e testemunhas, para estender o seu reino, edificar o corpo de Cristo, e também para a glória do seu nome. Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente. Contudo, regozijamo-nos com o fato de que, mesmo transportado em vasos de barro, o evangelho continua sendo um tesouro precioso. À tarefa de tornar esse tesouro conhecido, no poder do Espírito Santo, desejamos dedicar-nos novamente.

2. A Autoridade e o Poder da Bíblia

Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática. Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.

3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo

Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se deu uma só vez em resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e o homem. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam. Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como "o Salvador do mundo" não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor.

4. A Natureza da Evangelização

Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.

5. A Responsabilidade Social Cristã

Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.

6. A Igreja e a Evangelização

Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.

7. Cooperação na Evangelização

Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências.

8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização

Regozijamo-nos com o alvorecer de uma nova era missionária. O papel dominante das missões ocidentais está desaparecendo rapidamente. Deus está levantando das igrejas mais jovens um grande e novo recurso para a evangelização mundial, demonstrando assim que a responsabilidade de evangelizar pertence a todo o corpo de Cristo. Todas as igrejas, portando, devem perguntar a Deus, e a si próprias, o que deveriam estar fazendo tanto para alcançar suas próprias áreas como para enviar missionários a outras partes do mundo. Deve ser permanente o processo de reavaliação da nossa responsabilidade e atuação missionária. Assim, haverá um crescente esforço conjugado pelas igrejas, o que revelará com maior clareza o caráter universal da igreja de Cristo. Também agradecemos a Deus pela existência de instituições que laboram na tradução da Bíblia, na educação teológica, no uso dos meios de comunicação de massa, na literatura cristã, na evangelização, em missões, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados. Elas também devem empenhar-se em constante auto-exame que as levem a uma avaliação correta de sua eficácia como parte da missão da igreja.

9. Urgência da Tarefa Evangelística

Mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, ainda estão por serem evangelizadas. Causa-nos vergonha ver tanta gente esquecida; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a igreja. Existe agora, entretanto, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que esta é a ocasião para que as igrejas e as instituições para-eclesiásticas orem com seriedade pela salvação dos não-alcançados e se lancem em novos esforços para realizarem a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas. Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas. Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam. Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles.

10. Evangelização e Cultura

O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões, muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.

11. Educação e Liderança

Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiáticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.

12. Conflito Espiritual

Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e postestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. A igreja tem que estar no mundo; o mundo não tem que estar na igreja.

13. Liberdade e Perseguição

É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem impedimentos. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal do Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que foram injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Não nos esqueçamos de que Jesus nos previniu de que a perseguição é inevitável.

14. O Poder do Espírito Santo

Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.

15. O Retorno de Cristo

Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a idéia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.

Conclusão

Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!

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[Lausanne, Suíça, 1974]

Para maiores informações sobre o movimento de Lausanne, visite Lausanne Committee for World Evangelization