Mostrando postagens com marcador Democracia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Democracia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

JOAQUIM BARBOSA - POR TRÁS DE UM VENCEDOR, UMA MÃE QUE ORA

Posse de Joaquim Barbosa reúne autoridades e artistas no STF


Brasília – A posse do ministro Joaquim Barbosa na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) reuniu, na tarde do dia 22/11, autoridades e artistas que lotam o plenário da Corte e outras áreas do Tribunal, especialmente preparadas para o evento. Marcada para as 15h, a posse começou por volta das 15h30, com a presença da presidenta Dilma Rousseff e dos presidentes do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-SP).

A chegada de Barbosa à presidência também reuniu governadores como Agnelo Queiroz (Distrito Federal), Jaques Wagner (Bahia), Geraldo Alckmin (São Paulo), Antonio Anastasia (Minas Gerais) e Ricardo Coutinho (Paraíba); ministros de Estado, entre eles José Eduardo Cardozo (Justiça) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União); e ex-ministros do STF, como Ellen Gracie, Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto, antecessor de Barbosa na presidência. Britto se aposentou compulsoriamente no último domingo (18) depois de completar 70 anos de idade.

Parentes de Barbosa e do vice-presidente Ricardo Lewandowski, ministros de tribunais superiores, representantes classistas da magistratura e lideranças do movimento negro podem ser vistos no plenário. A classe artística e esportiva está representada por Milton Gonçalves, Lázaro Ramos, Lucélia Santos, Martinho da Vila, Regina Casé, Nelson Piquet e o ex-jogador de futebol e atual deputado federal Romário (PSB-RJ). O Hino Nacional foi executado pelo bandolinista brasiliense Hamilton de Holanda.



"O que eu dei foi oração", diz mãe de Joaquim Barbosa em posse no STF.

Na primeira fila do plenário do Supremo Tribunal Federal, Benedita Barbosa, mãe do ministro Joaquim Barbosa, aguardava ansiosa por ver o filho assumir a presidência da mais alta corte do Brasil.

Para Benedita, o ministro é um batalhador que traçou o próprio caminho. "O que eu dei foi oração, ele lutou por conta própria", disse ela.

A mãe do ministro tem 76 anos e é evangélica há 52 anos. Ela é membro da Assembleia de Deus.

Saiba quem é o ministro do STF, Joaquim Barbosa



Joaquim Barbosa nasceu em Paracatu, noroeste de Minas Gerais. É o primogênito de oito filhos. Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.

. Foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia e, após, foi advogado do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) (1979-84).[4]

. Prestou concurso público para procurador da República, e foi aprovado. Licenciou-se do cargo e foi estudar na França, por quatro anos, tendo obtido seu mestrado e doutorado ambos em Direito Público, pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e 1993. Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000) e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade.

- Embora se diga que ele é o primeiro negro a ser ministro do STF, ele foi, na verdade, o terceiro,[5] sendo precedido por Hermenegildo de Barros (de 1919 a 1937) e Pedro Lessa (de 1907 a 1921).

FONTE: Wikipedia, Folha, Agência Brasil e G1



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Voto consciente

Fonte: Rubem Amorese

Neste começo de ano, quero pensar no voto como “prática espiritual”. Enquanto tal, o voto é uma decisão, um propósito que nasce no coração e se manifesta em forma de oração -- ou de oração sem forma. Ele nem sempre é secreto, mas é sempre íntimo; um propósito que tomamos em relação a nós mesmos. Não valem essas promessas que uma mãe faz para o filho pagar.

Na Bíblia, ele aparece na forma de “promessa”: se o Senhor me der isso, eu faço aquilo. Porém, a melhor prática é a do voto incondicional: “Que darei ao Senhor pelos seus benefícios para comigo? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor. Cumprirei os meus votos ao Senhor, na presença de todo o seu povo” (Sl 116.12-14).

Encontro três lições nos verbos que Jesus usou para construir a “virada” da narrativa do filho pródigo (Lc 15.17-20).

Primeira: “o voto consciente acontece dentro de um discurso existencial”. “Caindo em si, disse.” A expressão aponta para o enredo, para a situação em que o rapaz estava mergulhado. Ele conseguiu, a duras penas, fazer a leitura da trama, do tecido em que estava envolvido, usando como referência “a casa do pai”. Então, o voto acontece para tirar as coisas dessa situação estagnada, “mal-parada”; acontece como resposta a essa nova consciência. E aqui, a vontade do pai, tão esquecida, negada e questionada, volta a valer; volta a ser o anelo daquela alma. E o voto se transforma em oração ao harmonizar-se com a vontade do Pai.

Segunda: “o voto consciente é um gesto de reconciliação”. “Levantar-me-ei, irei ter com meu pai, e lhe direi...” Reconciliação de quê? Bem, depende do que se estragou, do que se corrompeu. Depende do discurso que lemos, do diagnóstico feito. Depende do que significa a referência “na casa de meu pai” para nós. A maturidade cristã acontece, entretanto, quando aprendemos a dizer: “eu sei qual é a vontade do meu pai e também sei o quanto ela vai me custar. Mas levantar-me-ei e irei ter com ele”. Uma observação: o rapaz não disse “vou começar a pensar sobre isso”, mas “irei”. Chamo a atenção para a armadilha dos votos imensuráveis.

Terceiro: “o voto consciente consuma-se em ação”. “E, levantando-se, foi...” Estamos falando de “prática espiritual”, de oração; da presença de Deus na consciência que faz o autodiagnóstico (os trabalhadores do meu pai), na vontade conhecida (e agora desejada) e também no poder necessário para que o propósito tenha chance de sucesso. O voto consciente é mais que boa intenção; é atitude, ação que rompe círculos viciosos: “e, levantando-se, foi!”. Aleluia! A presença de Deus nessa hora torna possível o improvável; ela impõe a dimensão do milagre.

Como foi o caminho de volta daquele rapaz? Podemos imaginar um misto de incerteza e excitação. Mas a energia para cada passo vinha daquele momento sagrado.

Se, neste começo de ano, o Espírito nos sussurrar ao ouvido: “quantos trabalhadores do meu pai...”, então é tempo de “voto consciente”. O resultado é alentador: “Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou”. Enquanto ainda estamos lendo o nosso duro “discurso existencial”, nosso pai já está saindo ao nosso encontro.
• Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Fábrica de Missionários -- nem leigos, nem santos.

ruben@amorese.com.br

Voto de cajado

Política e religião são dimensões muito próximas e muito distintas ao mesmo tempo. Se a primeira cuida, em tese, do público, a segunda, também em princípio se preocupa com o privado. A questão é que na política sempre haverá uma dose de individualidade (porque há a ideologia, as opções fundamentais, a visão de mundo etc), na mesma proporção que a religião sempre será eivada do público e do coletivo (porque a fé tem, em si, a dimensão histórica). Daí o diálogo travado e, por lamentável que seja, a promiscuidade entre ambas. A relação entre trono e altar já configurou páginas sofríveis da história humana e já contribuiu desastrosamente para a má compreensão a política e para a nefasta instrumentalização da religião.

A democracia brasileira é muito jovem e, como tal, sujeita a muitas ameaças. Os antigos esquemas de tomada e manutenção do poder descobrem a cada eleição novos formatos para se tentar a subida pela rampa da autoridade constituída. Nessa busca quase que insana vale de tudo: promessas, arranjos, alianças, trocas, etc.

Um setor que conseguiu relativo êxito nessa nova configuração dos anos de abertura que se seguiram à ditadura militar das décadas de 60 a 80 foi o “mundo evangélico”. Quem não se lembra dos “pastores”, “irmãos”, “bispos” candidatos a tudo – vereadores, deputados, senadores etc? Não é nenhum esforço, também, recordar a imagem imperdoável que vem à mente quando se pronuncia a expressão “bancada evangélica”. Nada mais velhista e atrasado, senão corrupto e difamável, do que a representação político-partidária encabeçada pelos ditos “políticos evangélicos”.

Isso, curiosa e aparentemente, diminuiu bastante nesse pleito. Não se vê tanto, como antes se experimentava, o nome dos candidatos seguidos por suas credenciais religiosas. Não creio, todavia, que tenham buscado outros caminhos de servir à sociedade. Acredito, isto sim, que tenham reinventado estratégias para se manterem às margens dos caudalosos rios da política brasileira, que ainda sofrem penosamente a poluição da corrupção e da falta de seriedade e competência.

Até bem pouco tempo (se é que isso já teve fim), o que imperava na realidade política e eleitoral brasileira era o voto de cabresto. Um tradicional sistema de controle de poder político através do abuso de autoridade, compra de votos e utilização da máquina pública. Mecanismo recorrente nos setores mais pobres da sociedade, especialmente durante os primeiros anos da República. A figura central dessa prática – o coronel – era um grande fazendeiro que utilizava seu poder econômico para garantir a eleição dos candidatos que apoiava.

Nestas eleições, não tenho visto com a mesma freqüência os “irmãos” e “pastores” candidatos. Tenho notado, entretanto, os “pastores” e “bispos” que “apóiam” ou “indicam” seus candidatos.

Isto me parece, a exemplo do voto de cabresto dos coronéis da República , o “voto de cajado” dos comandantes do povo evangélico brasileiro.

O que parece que está acontecendo, salvo melhor juízo, é que os candidatos evangélicos agora têm duas caras. Uma para aparecer ao público de forma geral e outra para os “irmãos” da igreja. Para aqueles, se apresentam como qualquer um outro candidato, com projetos e promessas; para esses, se apresentam como os “escolhidos” das autoridades constituídas nas igrejas.

O problema, me parece, está na influência que exercem tais autoridades sobre o coletivo e na capacidade de decisão das pessoas. É bem sabido pelos estudiosos da sociologia e da psicologia da religião sobre a capacidade de manipulação (proposital ou não) que tais lideranças exercem sobre seus “rebanhos”. Aliás, é uma relação que precisa ser melhor compreendida entre a influência dos superiores e a permissividade dos conduzidos, que preferem uma voz de comando a uma verdadeira tomada de decisão na vida.

Esperaria de tais lideranças que soubessem se posicionar frente ao Estado e, profeticamente, conseguissem denunciar as mazelas de uma nação desigual e com tantos excluídos. Mas, ao invés disto, o que tenho visto é um esforço pela tomada de espaços nas esferas de governo para angariar benefícios particulares deste ou daquele grupo.

Sou cristão e, como tal, livre e responsável. Há sobre mim um pastor que me guia, mas não tem título eclesiástico ao lado do seu nome. Não quero que meu voto seja induzido por nenhum cajado que não a minha capacidade de escolha e de tomada de decisão.

Rev. Ricardo Lengruber Lobosco (pastor metodista) – colaboração do Rev. Ronan Boechat

O que faz um senador?

Por Diana Gilli com informações do Senado

O Senado Federal é uma das casas do Congresso Nacional, ao lado da Câmara dos Deputados. Foi criado em 1824, com a primeira Constituição do Império. Desde então, tem exercido papel fundamental na consolidação da democracia e na estabilidade das instituições. No atual cenário político, contamos com 81 senadores no Palácio do Congresso Nacional. O mandato é de oito anos e a representação dos Estados no Senado se renova parcialmente a cada eleição a nível federal.

Diferente dos deputados, responsáveis por representar os eleitores, os senadores defendem os Estados dentro da Federação. Entre os seus principais afazeres, estão: aprovar a verba destinada ao Governo, analisar e propor leis e fiscalizar as ações e gastos do Executivo. Julgar ministros e o presidente da república em crimes de determinada relevância também fazem parte das possíveis ações desses parlamentares.

Na divisão interna, são formadas diversas comissões para cuidar de assuntos específicos de cada região do país. Algumas delas são: Comissão de Assuntos Econômicos, Comissão de Serviços de Infraestrutura, Comissão de Educação, Cultura e Esporte e Comissão de Meio Ambiente. Cada grupo é formado por 17, 19, 21, 23 ou 27 senadores, sendo completados pelo mesmo número de suplentes.

O que faz um deputado?

Fonte: Diana Gilli com informações da Alesp

Ao ser eleito pelo voto popular, o deputado assume mandato de quatro anos. Durante esse tempo, participa das sessões plenárias e dos trabalhos das Comissões. Além disso, atende pessoalmente aos eleitores, encaminhando seus pedidos a órgãos governamentais ou apresentando em Plenário assuntos de interesse do segmento social ou da região que o elegeu.

Um deputado ouve a opinião de grupos organizados que reivindicam a colocação de temas específicos em pauta. Para isso, o deputado costuma receber em seu gabinete trabalhadores, dirigentes sindicais, lideranças de várias comunidades e entidades representativas.

Outra atribuição do deputado é a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Estado. No exercício do mandato, ele tem livre acesso às repartições públicas. Pode fazer diligências pessoalmente nos órgãos de administração direta ou indireta.

É função do parlamentar apresentar projetos de lei, de decreto legislativo, de resolução, e proposta de emenda à Constituição Estadual e avaliar aqueles encaminhados por outros deputados, pelo governador, Poder Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e pelos cidadãos.

O deputado emite pareceres nas diversas comissões técnicas, sobre os projetos e demais assuntos acerca dos quais o Poder Legislativo deve manifestar-se. Pode também propor a instituição de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).

Perderá o mandato o deputado que, entre outros motivos, deixar de comparecer à terça parte das sessões ordinárias, exceto quando em licença ou missão autorizada pela Assembleia Legislativa. Também será afastado aquele que faltar com o decoro parlamentar, abusar das funções asseguradas ao deputado ou receber vantagens indevidas.