quarta-feira, 28 de maio de 2014

FAMÍLIA, ONDE ESTÁS?

Por Bispo Emérito, Paulo Ayres Mattos extraído do Expositor Cristão de fevereiro de 2000

Em conversa com membros de nossa Igreja, foi-me perguntado, certa vez, por que certas famílias que não são evangélicas vivem de forma feliz, enquanto muitas de nossas famílias enfrentam situações bastante difíceis e até mesmo trágicas. É verdade que muitas vezes nos deparamos com situações que nos deixam bastante intrigados: pessoas não cristãs, e nem mesmo religiosas, experimentam uma vivência familiar de forma bem estruturada, digna e feliz, num ambiente onde é possível desenvolver-se relacionamentos de amor, respeito mútuo, confiança e solidariedade.
O que nos deixa de certa forma curiosos, diante de tal situação, é que não tendo valores e referencias religiosos para sua vida familiar, aquelas pessoas podem realizar, de maneira bem sucedida, muitas das vivencias que as famílias cristãs, ainda que as aspirem, não conseguem concretizá-las no seu dia-a-dia. Como pode isto acontecer?
Não seria impossível para elas, pela falta de tais valores, a construção de relacionamentos que nós, pessoas religiosas, consideramos o ideal para uma família cristã?
E por que nós, que temos no Evangelho a constante inspiração para experimentar em todos os nossos relacionamentos o amor manifesto em Cristo, temos que enfrentar muitas vezes o fracasso de nossas famílias “cristãs”?
Ora, não é verdade que a vida em família é umas das mais constantes experiências humanas em qualquer época e lugar? Em que pese as mais diferentes maneiras de sua organização social e cultural, de padrões éticos e políticos, de formação espiritual e religiosa, a experiência humana de família praticamente está presente em todos os momentos da humanidade. Todos os povos, raças e nações, para sua própria sobrevivência material e espiritual, tiveram de desenvolver relacionamentos entre mulheres, homens, crianças, jovens, adultos e idosos que genericamente conhecemos como família.
Em qualquer quadrante da terra, os seres humanos foram levados, de uma forma ou de outra, a se estruturaram em família de maneira mais ou menos organizada ou institucionalizada. Não temos como escapar desta realidade presente em praticamente todas as comunidades de humanos, baseando-se em valores, nem sempre compartilhados por outros grupamentos humanos, as comunidades desenvolveram valores éticos e religiosos com o objetivo de proteger e reforçar a vivência da família como algo imprescindível à sua própria existência comunitária e individual. É em tais valores que os indivíduos encontram o sentido para sua própria vida.
Constituem famílias, ainda em nossos dias, no Oriente e no Ocidente, pobres e ricos, amarelos, negros e brancos, religiosos e não-religiosos, analfabetos e doutores, nas cidades e nos campos. Há uma força maior que nós mesmos como indivíduos, até mesmo segundo a diferentes, contraditórios e antagônicos valores, nos levam a formar a família. Mesmo quando é comum dizer-se hoje que a família está em crise, superada e abandonada, desestruturada ou corrompida não conseguimos evitar sua formação. Como seres humanos, no fundo de nosso íntimo, às vezes de forma até inconsciente, desejamos ter uma família onde podemos amar e nos sentir amados. Se assim não fosse, como poderíamos explicar um impulso quase irresistível que as pessoas descasadas têm para se casar novamente?
Devemos, é verdade, reconhecer que, como instituição social, nem sempre a família vai bem. As chamadas “rápidas transformações sociais” experimentadas por quase toda humanidade, trouxeram impactos tremendos sobre a família tradicional. Já não é mais possível manter-se os valores, critérios e padrões próprios da família patriarcal. O mundo de relações patriarcais vai ficando rapidamente para trás; entretanto, ele continua dentro cada um de nós. Esta é a família que está em crise. Queremos viver em família, mas não sabemos como!
Se buscarmos na Bíblia, como evangélicos que somos, orientação para vivermos nossos relacionamentos familiares, entendemos que, em sua origem, a família não é uma instituição humana que se limita a uma determinada raça, cultura ou religião. Toda a humanidade está chamada por Deus a compartilhar da vida familiar. Para a Bíblia, a família independentemente de sua organização sócio-cultural é um dos relacionamentos humanos estabelecidos por Deus antes mesmo do pecado entrar no mundo. Diferentemente de outras instituições humanas, como as religiosas e as políticas, que vieram a existir para ajudar a humanidade a lidar com a realidade do pecado, a vivência familiar já estava determinada nos propósitos divinos no ato da criação: E disse Deus: façamos o ser humano (sentido original do termo em hebraico) à nossa imagem e semelhança; homem e mulher os criou”. Segundo o primeiro capítulo de Gênesis, a existência humana foi desde o seu início comunitária em torno da bipolaridade homem-mulher e que precisa ser compartilhada por suas gerações vai além de seu conteúdo biológico, para se tornar manifestação da imagem e semelhança do próprio Deus em seu espírito Criador. Por isso, ainda que também afetada pela realidade de nossas fraquezas e limitações humanas, entendidas teologicamente como decorrentes da experiência do pecado, ”constituem famílias, ainda em nossos dias, no Oriente e no Ocidente, pobres e ricos, amarelos, negros e brancos, religiosos e não-religiosos, analfabetos e doutores, nas cidades e nos campos”.
Diante de tal compreensão bíblica-teológica não devíamos, portanto, ficar intrigados ou mesmo supresos quando víssemos mulheres e homens, idosos, jovens e crianças experimentando relações familiares produtoras de vivências de felicidade, carinho e amor apesar de sua vida não-religiosa. Se assim acontece, é porque em qualquer relacionamento familiar em que os participantes estão emocionalmente dispostos a viver em beneficio da felicidade do outro, e não somente de si próprio (relações de amor-solidário e não-egoísta), aí está presente o espírito Criador de Deus. Esta é uma questão que, pela iniciativa do próprio Deus, se dá dentro daquilo que certos teólogos denominam “ordem da criação”, isto é, dentro do âmbito das relações morais que valem para todos os seres humanos independentemente da necessidade de uma revelação especial como temos em Jesus Cristo (ordem da salvação), conforme Atos 14:15-17 e Romanos 1:20.
E é por isso mesmo que Jesus vai a Caná da Galiléia a um casamento, sem qualquer ato ou atitude religiosa, e faz o seu primeiro milagre (sinal messiânico em João) somente para garantir a alegria daquele momento familiar.
Mas tal entendimento significa para nós que a “ordem da salvação”, isto é, o fato de termos em Jesus Cristo nosso referencial de vida baseado nos valores do Reino de Deus, não tem implicações para a vivência familiar? Certamente de modo nenhum!
O fato que “constituem famílias, ainda em nossos dias, no Oriente e no Ocidente, pobres e ricos, amarelos, negros e brancos, religiosos e não-religiosos, analfabetos e doutores, nas cidades e nos campos” não significa que o sermos novas criaturas em Cristo não importa para a constituição de nossas famílias. Importa sim, e muito!
Os valores do Reino de Deus reforçam e fortalecem aquela dimensão moral do amor-solidário que está presente nas vivências familiares que se dão mesmo fora âmbito da “ordem da salvação”. Aqui, podemos parafrasear com humildade e sem preconceitos o dito de Jesus: “se vossa justiça não exceder a dos fariseus....”
Se é possível mesmo fora da “ordem da salvação”, vivenciar-se o amor-solidário na vida familiar, quanto mais deve ser para aquelas pessoas que confessam Jesus Cristo como Senhor e Salvador, aquele que é a maior manifestação desse amor, sinal da presença de Deus entre todos os seres humanos!


FONTE: http://1re.metodista.org.br/conteudo.xhtml?c=2381

terça-feira, 27 de maio de 2014

HÁ UM MOMENTO EM QUE O DISCÍPULO DESEJA SUPLANTAR O SEU MESTRE! SERÁ ISSO POSSÍVEL, OU UMA BUSCA TOLA PELO POTE DE OURO DEPOIS DO ARCO-IRIS?

Por Rev. Paulo Assis Pereira

Um velho ditado afirma que quando o discípulo está pronto, o mestre aparece.

Algumas pessoas foram escolhidas por Deus para descobrirem e investirem em novos talentos.

Tem visão espiritual capaz de ver uma pedra bruta e imaginá-la uma jóia de grande valor!

Estas pessoas, escolhidas por Deus para descobrirem e investirem em novos talentos, habitualmente, chamamos de “mestres’.

Pessoas que, a despeito de todo trabalho que possam ter, não se importam.

Gastam tempo, enfrentam, tranquilamente, rebeldias, questionamentos e tantos dissabores, acreditando que um dia o “discípulo” ou “aluno” vai compreender a visão de seu “mestre”.

O próprio Jesus, em João 13, no lava-pés, disse que, o que Ele estava fazendo, naquele momento, seus “discípulos” só iriam entender depois.

Pensando nisso, lembrei-me de uma canção sobre o Tapeceiro Divino, que diz:

Tapeceiro, grande artista, Vai fazendo seu trabalho, incansável, paciente no seu tear.
Tapeceiro, não se engana. Sabe o fim desde o começo. Traça voltas, mil desvios sem perder o fio.

Minha vida é obra de tapeçaria. É tecida de cores alegres e vivas,
Que fazem contraste no meio das cores, nubladas e tristes
Se você olha do avesso, nem imagina o desfecho. No fim das contas, tudo se explica,
Tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem.

Quando se vê pelo lado certo, muda-se logo a expressão do rosto,
Obra de arte para Honra e Glória do Tapeceiro
Quando se vê pelo lado certo, todas as cores da minha vida
Dignificam a Jesus Cristo, o Tapeceiro Divino.

O “mestre” projeta um bom final! Ensina, corrige, exorta com amor....
Luta para que seu “discípulo” um dia se torne um referencial que dignifique o Deus que o escolheu.
Afinal de contas a glória é sempre do Deus que chamou a ambos!

No entanto, vem o dia em que o “discípulo” é desafiado a andar com suas próprias pernas. Já não tem mais seu “mestre” à sua disposição 24 horas por dia. É tempo de andar sozinho, com a ajuda de Deus.

Neste ponto, apesar do “mestre” não está fisicamente perto, está através de seus ensinamentos, que “um discípulo honesto” reconhece: Realmente, ele tinha razão! Naquele tempo eu não entedia, era rebelde, questionava, mas, hoje vejo que ele estava certo.

Sendo humilde avança! Avança como Paulo, “discípulo” do “mestre Barnabé” avançou!

Se mantiver o foco em Deus, o “Mestre dos Mestres”, um dia, também, se tornará um “mestre” para outro “discípulo”. E assim é com muitos!

Chega um dia, porém, que “alguns discípulos”, ao invés de buscarem o Deus de seus “mestres” como referencial, desejam, de forma tola, num rompante de vaidade humana e diabólica, suplantarem seus “mestres”.

Esquecem-se de quem é o verdadeiro padrão a ser seguido!

Deixam de levar em conta que Deus não somente estabelece o padrão; Ele é o padrão. "Sejam santos, porque eu sou santo" (1Pedro 1.16).

A questão não é como nos comparamos com outras pessoas e, sim, como nos comparamos com Deus.

Existem os “discípulos” que honram a Deus e seus mestres terrenos, que foram, são e, serão sempre, um bênção em suas vidas!

No entanto, outros, em determinado momento, sentindo-se incomodados, querem matar, a qualquer custo, qualquer lembrança que os arremeta a seus “mestres”!

Querem fazer algo que os supere! Querem chamar mais atenção! Querem o seu lugar!

Quanta tolice! Quanto tempo jogado fora! Quanto esforço inútil!

Deveriam estar gerando novos discípulos!

Mas, iludidos pela síndrome de lúcifer, estão atrás de um pote de ouro atrás do arco-iris!

Quanto ao “mestre”? Está em paz!

História não se apaga!

Há um livro, onde tudo está registrado, que não pode ser apagado. Está no Céu!

Nenhum ser humano tem acesso a ele. Nenhum fogo pode queima-lo! Nada pode destruí-lo!

Um arquivo que não pode ser deletado ou corrompido!

Nele está escrito a verdade!

Quem nasceu para ser “mestre” é “mestre”, porque nunca deixou de ser “aluno” do “Mestre dos Mestres” que é Jesus Cristo! Sempre O teve como primeiro referencial!

Aprenda isso meu irmão e minha irmã!

Siga o seu caminho, construa sua história sem tentar apagar a história dos outros!

Seu “mestre” é único!

Você é único/a! E cada um vai dar contas a Deus!


Soli Deo Gloria! Amém!

O Discipulado na Missão da Igreja

por
Luiz Augusto Corrêa Bueno
Introdução 
Uma das razões que nos estimula a escrever sobre o tema escolhido, é a crise por que passa a Igreja Evangélica Brasileira em seu âmbito eclesiástico, denominacional e geográfico com respeito a sua Missão.
Ao decorrer de meus anos de ministério pastoral e atualmente como professor e diretor de uma escola de treinamento missionário, sou levado a pensar que o momento da igreja brasileira em sua geração é por demais delicado. Isso porque, vemos as igrejas locais procurando ansiosamente meios de crescimento numérico, muitas delas, sinceramente, buscando cumprir o mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas que em sua caminhada, tem abandonado princípios inegociáveis da Escritura Sagrada, resultando em uma situação de “stress” espiritual para a comunidade, a diluição da fé e o enfraquecimento qualitativo e orgânico dos crentes.
Que é mandamento de Nosso Senhor que cresçamos em número, ninguém duvida, contudo, seria pertinente levantarmos algumas ponderações:
Qual a verdadeira motivação dos líderes das igrejas locais na busca ansiosa de um crescimento na igreja?
Estamos observando um crescimento equilibrado nas igrejas locais?
Qual o estilo de vida que Deus tem requerido de sua igreja na missão?
Até que ponto podemos dizer que há um verdadeiro crescimento em nossas igrejas locais?
Nas palavras de um missiólogo norte-americano compreendemos muito bem o que a igreja evangélica brasileira está realizando em seus dias. Ele afirma que “a Igreja nasceu como um fato na Palestina, veio para a Grécia e tornou-se uma idéia, foi para Roma e tornou-se uma Instituição, foi para os Estados Unidos e tornou-se um empreendimento, veio para o Brasil e tornou-se um evento”.
Atualmente, a Igreja Brasileira está sofrendo, porque não acata o Discipulado como o verdadeiro estilo de vida cristão. Os crentes não são desafiados a fazer discípulos, e, por assim dizer, estão tranqüilos com respeito a sua maneira de ser. Olhando para uma Teologia Bíblica Integral do Discipulado, quero levantar questões relevantes a respeito do Discipulado e ao mesmo tempo descobrir implicações práticas deste estilo de vida proposto por Jesus esquecido pelas nossas comunidades cristãs.

Definições gerais
Para que compreendamos o que vem a ser Discipulado, necessitamos recorrer à etimologia de algumas palavras que se nos apresentam nas Escrituras, com respeito a este fato. Necessitamos definir Discipulado em termos gerais e específicos, na busca dos vários significados que o original grego que no ajuda a discernir o assunto que desejamos tratar.
A primeira palavra que nos traz a mente a idéia de Discipulado é “Akoloutew” (Akolouteo). Traduzida por seguir, denota a ação de uma pessoa respondendo ao chamado do Mestre e cuja sua vida inteira é reformulada no sentido da obediência. A idéia no grego clássico era de alguém que seguia a Deus ou a Natureza como idéia filosófica, o mesmo se identificava mediante uma incorporação. Esta palavra no Antigo Testamento correspondia à “halak” que dava a conotação de “ir atrás de”. No Novo Testamento, Akolouteo é empregado 56 vezes nos Evangelhos Sinópticos e 14 vezes em João, 3 vezes em Atos, uma vez em Paulo e 6 vezes no Apocalipse. Embora sendo usada algumas vezes para denotar as multidões que “seguiam” a Jesus, ela somente terá uma importância maior quando atribuída ou vinculada a pessoas que estavam seguindo o Mestre.
Alguns textos, principalmente os que estão narrando o chamado vocacional dos discípulos por Jesus usam Akolouteo para evidenciar um convite muito mais desafiador do que diplomático.
Em Mt 9.9, Jesus chama a Mateus e diz “segue-me”. A mesma palavra é usada para o desafio colocado ao jovem rico, onde depois que ele vendesse todos os seus bens e desse aos pobres o mancebo deveria seguir ao Mestre. Quando Jesus fala realisticamente sobre o ser discípulo usa Akolouteo em Mt 8.22 para denotar a prioridade que os seus seguidores deveriam ter para com o seu projeto. O que nos chama a atenção é que “akolouteo” possui uma força muito grande, tanto historicamente como culturalmente para a época de Jesus.
Com um pano de fundo histórico, “seguir” era fator preponderante para alguém se fazer aluno nas escolas peripatéticas, em que o discípulo se fazia “um com o seu mestre” mas, sobretudo, se identificava com o mesmo de tal maneira que o colocava em primeiro lugar, deixando todas as coisas para trás, despojando-as dos níveis mais elevados de compromisso. Aprender, era de fato uma questão de vida, de exclusividade e de cumplicidade. Este aprender significava perder tudo para ganhar a vida, fosse no aspecto filosófico ou no religioso. No aspecto espiritual, Jesus chamava seus discípulos com autoridade divina, como os próprios profetas eram chamados por Deus no Velho Testamento.
A segunda palavra encontrada é “Mathetes”, (maqhths) “discípulo”. É aquela pessoa que ouve o chamado do Mestre e se junta a ele. É um aprendiz. Raiz da palavra “mantano” (mantano), a palavra era, no tempo clássico, um verbo entendido por “adaptar-se”. Alguém era chamado de Mathetes, quando se vinculava a outra pessoa a fim de adquirir conhecimento prático e teórico. Já no Antigo Testamento, a palavra equivalente no hebraico, possuía uma conotação mais fraca. A ênfase recaía sobre Israel como povo de Deus, no sentido que ele deveria aprender de Deus e se voltar para Ele constantemente. Contudo, a relação entre o “talmid” (aluno) e o seu “moré” (professor) era muito forte especialmente no judaísmo rabínico. O relacionamento entre o aluno e o professor tornava-se uma instituição para o estudo detalhado da Torá.
No Novo Testamento Mathetes tornou-se a palavra para indicar total devoção a alguém. A palavra usada, possuía uma conotação muito forte, onde o discípulo convivia com o mestre, recebendo conhecimento e especialmente no Discipulado de Jesus, estaria disposto a servir.
Outra palavra relacionada ao Discipulado é “mimeomai” (mimeomai), “imitar”. O verbo enfatiza a natureza de um tipo especial de comportamento, modelado em outra pessoa. Segundo Brown, “mimeomai” se aplica a pessoas específicas que são obviamente exemplos vivos para a vida da fé. Mesmo sendo o apóstolo Paulo aquele que usa freqüentemente esta palavra para motivar seus discípulos a uma vida de imitação, jamais ele se incluía como alvo final a ser imitado (I Co 11.1). Pelo contrário, ele sempre apontava a Jesus que deveria ser a proposta final de imitação e exemplo.
Chegamos a conclusão que Discipulado tem a ver com o próprio fato de ser da igreja de Nosso Senhor. Se analisamos estas palavras, definimos tal ação como a que o Mestre se propôs em seu ministério: Discipular homens, para que os mesmos pudessem, ao final de Sua jornada aqui, fazer com que Seus ensinos e mandamentos fossem sabiamente repassados na perspectiva da obediência, tornando os discípulos seus “seguidores”. Contudo, este “seguir” jamais viria sem um compromisso de vida, de dedicação, de amor e de entrega de vida plena ao Mestre. Conjugado a isto, o Mestre seria o alvo maior, como exemplo e modelo a ser imitado. Já não seria um movimento, mas sim, um estilo de vida que todos os seus seguidores assumiriam diante do mundo e chamariam outros a vivenciarem uma mudança radical em prol da glória de Deus e satisfação de seus corações.
Waylon Moore afirma que “Discipulado é o processo de tomar novos convertidos, educá-los e levá-los a um estado de maturidade e adulta comunhão com Cristo e de serviço eficiente na Igreja”. E continua: “fazer discípulo de uma pessoa é levá-la a experiência de ter Jesus como Senhor e Centro de sua vida. Ser discípulo implica num ato de entrega e num processo de obediência. Um homem é discípulo de Cristo, quando permanece em sua palavra, glorifica ao Pai e dá frutos. ( João 8.31;15.8)”.
Sem dúvida, a experiência de ser encontrado por Cristo através da fé é condição sine qua non para que o discipulado se inicie na vida de uma pessoa e o processo de obediência é o resultado sadio de alguém que está caminhando na fé. Além disso, Robert Coleman afirma ao comentar o texto de Mateus 28.18-20, que o Discipulado se refere ao “ir, batizar e ensinar particularidades de uma ação maior, ao que Jesus chama de “fazer discípulos”. São responsabilidades que derivam da direção do “fazer aprendizes de Cristo”. Coleman chama a atenção da igreja, dizendo que discipular homens e mulheres é a prioridade acerca da qual nossas vidas deveriam ser orientadas.
Já David Kornfield, trabalhando no Brasil, atualmente com pequenos grupos e Discipulado, em seu artigo Discipulado, a Verdadeira Grande Comissão, define Discipulado como “uma relação comprometida e pessoal em que um discípulo mais maduro ajuda outros discípulos de Jesus Cristo a se aproximarem mais dele e assim se reproduzirem” e argumenta: “se o Discipulado perder de vista o relacionamento comprometido e pessoal, deixa de ser um Discipulado bíblico”. A sua ênfase está nos relacionamentos. É no relacionamento pessoal e social que se descobre o verdadeiro valor do Discipulado. Se não há relacionamento interpessoal, então é impossível a realidade do Discipulado de Cristo.
Larry Richards, em seu livro Teologia do ministério pessoal comenta que “o Discipulado envolve a reformulação da vida do cristão em direção à obediência, a fim de que possa tornar-se como Jesus” e continua: “A missão da igreja não é simplesmente conseguir conversões, mas completar o processo da vida cristã fazendo discípulos”.

III. Bases Bíblicas e Históricas
Um dos maiores pecados da igreja, na sua missão é achar que Discipulado seja mais um método onde podemos implementar na igreja. Acredita a maioria dos líderes eclesiásticos que além dos vários programas que a igreja dispõe para atrair os convertidos, o Discipulado quando bem usado é um bom método para o crescimento da igreja. Muitos pastores e líderes quando discipulam tentam “incrementar” a igreja com mais este “programa”. Ao contrário do que se pensa, defendo Discipulado como um princípio geral que conduz os crentes a um estilo de vida. Longe da tentativa de forçar determinados textos, o Discipulado pelo pano de fundo histórico e contextual, fazia de Cristo o Mestre por excelência e seus discípulos como os que haviam deixado tudo e se propunham a caminhar com Cristo. Isto quer dizer que os mesmos decidiam mudar o seu próprio estilo de vida. Antes, senhores de suas próprias vidas, autores de seus projetos pessoais, agora, submissos e alunos da vida ao lado de Jesus. Quando olhamos para o contexto do treinamento rabínico, Richards citando Moses Aberbach, descreve o padrão de educação do discípulo. Diz ele:
“O padrão está ligado a um relacionamento pessoal entre aluno e professor. Embora o estudo pessoal não fosse desconhecido, era totalmente desaprovado, como passível de resultar em aberrações.
O treinamento recebido do mestre incluía muito mais do que o estudo acadêmico, estendendo-se para além da sala de aula. O discípulo passava a maior parte de tempo possível com o professor, muitas vezes vivendo com ele na mesma casa. Esperava-se que os discípulos não só estudassem a lei em todas as suas ramificações como também se familiarizassem com um estilo específico de vida, o que só podia ser feito mediante convivência constante com um mestre. Os rabinos ensinavam tanto pelo exemplo como por preceitos. Por esta razão o discípulo precisava anotar as conversas e hábitos diários do mestre, assim como o que ensinava.
Os alunos tratavam os professores com grande deferência e respeito. ‘‘Seguir’’ um mestre significava aceitar os seus ensinamentos, mas ao acompanhá-lo, esperava-se que os discípulos andassem literalmente atrás deles, de um lado ou de outro. Os alunos também serviam os professores de várias maneiras práticas que iam desde arrumar os bancos na sala de aula até fazer compras e cozinhar para eles. Ajudar o mestre na casa de banhos era um serviço tão comumente associado com o Discipulado que a frase: “Vou levar as roupas dele à casa de banhos“ tornou-se sinônimo, de ‘Vou ser seu discípulo”.
A despeito da subordinação e hábitos de respeito que caracterizavam o relacionamento mestre discípulo, este não era de forma alguma distante ou formal. O professor tentava educar os discípulos como filhos: cuidava deles, sustentava-os (no geral esta educação era financiada pelo rabino) e elogiava ou advertia os discípulos conforme o caso. Aberbach descreve a relação como um amor paternal-filial intenso.
O Velho Testamento nos relata discipulados significativos. Quando percorremos a História Bíblica, podemos nos lembrar do relacionamento de Moisés e Josué. O caráter da Missão de Moisés, quando recebera seu chamado no Monte Horebe, possuía essencialmente alguns objetivos: Retornar para o Egito, Libertar o seu povo do cativeiro, caminhar com este pelo deserto, sofrer as duras situações junto com o povo, partilhar das conquistas deste e estabelecê-lo na Terra Prometida. Porém, uma das marcas de sua liderança foi a formação e preparação de Josué para assumir a liderança do Povo de Israel. Seja em Êxodo ou Deuteronômio, observamos que havia uma ligação muito estreita entre ambos, a tal ponto de Deus depositar a mesma autoridade de Moisés sobre os ombros de Josué.
Quando voltamos os olhos para a época de Eli e Samuel, especialmente em seu chamado muito precoce para o profetismo de Israel (1 Sm 3), nota-se ali que Samuel convivia muito de perto com o Sacerdote Eli. A idéia era de fato um aperfeiçoamento através de um sistema relacional. A mesma situação acontecia entre Samuel e Natã, Elias e Eliseu, Eliseu e a Escola de Profetas. Exemplos onde a Escritura registra que o princípio do Discipulado estava latente neste período, contudo ainda não o era de forma patente na época e a partir de João Batista . No período do Novo Testamento iremos ver de fato o Discipulado sendo a busca da Igreja do Novo Testamento como um princípio de vida.
Seria importante falar sobre João Batista e seu ministério. Quando Jesus já desenvolvia seu ministério particular com seus discípulos, encontram-se várias declarações dos evangelistas a respeito dos discípulos de João Batista. Em alguns casos eram investigadores a mando do próprio profeta (Mt 11.2), ou então manifestavam práticas como a do jejum entre eles (Mc 2.18). Em outra situação, os discípulos de João Batista expressaram maior dedicação ao seu mestre do que os próprios discípulos do Senhor, pois nos diz Mc 6.29, que após o martírio do profeta, eles mesmos foram e sepultaram o seu mestre. Em Jo 1.37, nos parece que André e Pedro já eram discípulos de João, e que ao chamado do Mestre, não titubearam, mas preferiram Jesus a João. Tal atitude poderia expressar a fidelidade de João Batista em ensinar e preparar os seus seguidores acerca da vida e obra do Messias, da qual o próprio dizia que “não era digno de desatar-lhe as correias das alparcas”.
Se olharmos mais profundamente, concluiremos que o estilo de Jesus era pautado por alguns princípios. O sistema de Discipulado de Jesus baseava-se muito mais no relacionamento do que na absorção de conhecimento acadêmico ou intelectual. A idéia de Discipulado para Jesus como princípio não era a de transmissão de puro conhecimento. Quando olhamos para Marcos 3.14, o texto nos diz que na escolha dos discípulos, Jesus “designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar”, isto é, estar com Jesus seria, sobretudo, a marca do treinamento destes discípulos. Deste momento em diante ficava claro que o ensino de Jesus seria o da convivência pessoal. O estilo ou um modo de vida de Cristo seria impregnado na vida e no relacionamento daqueles discípulos. Tudo o que convergisse para Cristo no que se diz respeito a sua vida, seu ministério, suas obras, seus milagres, eles estariam testificando e provando. Quando vemos o testemunho do apóstolo João no início de sua primeira carta, ele declara: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam com respeito ao Verbo da vida” (I Jo 1.1).
Isto confirma que o Discipulado era muito mais que absorção de conhecimento intelectual, e sim um estilo de vida que marcaria para sempre a vida dos discípulos. Essa “pessoalidade” do ensino de Jesus, era sentido em todos os níveis. A proposta do Mestre era além da vivência relacional (Mc 3.8), a descoberta pelos próprios discípulos dos mistérios do Reino de Deus através das parábolas (Mt 13.1-52), o conhecimento de uma intimidade jamais declarada por Jesus às multidões, mas somente aos discípulos como no monte da transfiguração (Mt 17.1-8). Além disto a prática de ministério também era um ponto forte. Os discípulos necessitavam ser confrontados até mesmo com os endemoninhados (Mt 17.14-21). A prática da oração era algo essencial (Mt 26.36-46) e conjugado com esta, o próprio Jesus mantinha um ministério pastoral entre os mesmos, expressado especialmente no último contato com Simão Pedro (Jo 21.15-23). Mas o que aprendemos acerca do Discipulado em Jesus é de que seu trabalho com os discípulos era eminentemente pessoal. Jesus sempre manifestava interesse por pessoas em primeiro lugar.
Mesmo fora do Discipulado, quando Jesus evangelizava, especialmente no Evangelho de João vemos seus contatos pessoais de forma que produzia transformação na vida de todos que mantinham algum contato com o Mestre, isto é um verdadeiro nascer de novo. Isto se deu claramente com o Fariseu Nicodemus (Jo 3), com a mulher Samaritana (Jo 4) e com o paralítico (Jo 5). Até as expressões fortes de Jesus também tinham lugar em seu Discipulado, que geravam ira e abandono de Seu projeto por alguns discípulos (Jo 6). Jesus tinha por necessidade enfocar a realidade do pecado para as pessoas, mas nunca as deixava só. Seu Discipulado tinha a ver com a misericórdia, justamente tornado muito pessoal nas suas palavras para a mulher adúltera (Jo 8). O tratamento das moléstias físicas como no caso do cego de nascença foi um momento importante para pregar o evangelho do reino (Jo 9). Em todos os casos, Jesus sempre enfocava seu ministério discipulador de maneira muito pessoal e relacional.
A questão da relação de Jesus com os doze é sentida bem claramente a partir do capítulo 13 de João, em que o Ministério de Cristo, chamado de Ministério Particular acontece de maneira mais efetiva. As bases do Discipulado são lançadas a partir deste ponto. Jesus ensina aos seus discípulos que acima de tudo eles deveriam ter a pessoa de Jesus como ponto de referência, em que o modelo da Sua vida, deveria ser um alvo para eles. A humildade, a consciência do servir, era básico em seu estilo de vida (Jo 13). Os seus ensinos sobre a convicção da vida futura e sua doutrina são lançados a partir da realidade contextual que viviam, isto é, mesmo que passassem pela tribulação, Jesus seria para eles o exemplo maior da vitória sobre o mundo. Por isto a esperança e a certeza da vida eterna deveria satisfazê-los plenamente. (Jo 14). A necessidade da frutificação passaria pela realidade de estarem em íntima comunhão o Mestre, era como a videira e os seus discípulos os ramos. O assunto Discipulado aqui é bem explanado pelo Mestre e quanto mais fossem eles trabalhados e forjados por Deus, maiores frutos estariam dando (Jo 15).
Acima de tudo, o Discipulado tem a ver com encorajamento, o “falar ao coração” (Is 40.1,2) e o consolo, demonstrando que os discípulos deveriam esperar a consumação final. A esperança viva que os aguardava, encheria os seus corações de destemor, pois o Consolador seria dado a eles. Jesus nunca jamais os abandonaria.
Mas o Discipulado de Jesus não apenas tratava de questões relacionais ou questões da vida. O Discipulado do Mestre visava também proteção. O outro aspecto do Discipulado era o que podemos chamar de Doutrinação. Mesmo quando ele se separa das multidões, o treinamento especial era oferecido aos discípulos de maneira bem privada. O sermão do monte, por exemplo, é o reflexo disto. Durante todo este ensino específico Jesus trata também de doutrinar seus discípulos até mesmo em relação aos falsos mestres e falsos profetas. (Mt 7.15-20)
Outra questão tratada por Jesus freqüentemente era acerca da Cruz no plano de Deus, e que esta seria uma realidade na vida do Mestre e de seus discípulos. Tomar a Cruz era a resposta do crente para o mundo. Vários textos enfatizam o tomar a cruz e morrer para o mundo. Lucas 9.14, registra as palavras do Mestre como sinal de que o discípulo verdadeiro seria aquele que tomaria a sua cruz, assim como Mestre e determinantemente morreria pelos seus ideais. No mesmo evangelho no capítulo 14, versos 25 a 33, Jesus orienta seus discípulos quanto “as despesas” que os mesmos teriam com respeito ao Discipulado, e que o compromisso com Ele, começaria quando houvesse a renúncia e a doação de suas vidas em favor do reino de Deus. Portanto, dentro do plano divino, a cruz viria somente depois que seu Filho tivesse preparado homens para proclamar as boas novas de salvação ao mundo. Com isto, Jesus gasta três anos e meio para treinar e discipular pessoalmente aqueles que ficariam para dar continuidade a seu ministério.
Acima de tudo Jesus discipula com a Vida. Jesus sabia que sua vida exemplar seria tão importante quanto as suas palavras. O viver de Jesus era para os discípulos o fator preponderante para os incitar ao compromisso. As altas exigências, bem como sua própria maneira de viver marcaria profundamente a vida daqueles homens. Quando observamos toda a vida e obra de Cristo, chegamos a conclusão que todos os objetivos de Jesus foram alcançados. Contudo Lawrence Richards afirma que uma das propostas de Cristo dentro do Discipulado era a “comunicação de semelhança” (Lc 6.40). O mesmo acontecerá com a vida de seus seguidores e com a igreja cristã primitiva posteriormente.
O próximo passo nesta Teologia Bíblica de Discipulado é a vida do apóstolo Paulo. Antes, porém, necessitamos reconhecer que a vida de Barnabé foi eminentemente uma vida de um discipulador que influenciou a Paulo profundamente. O próprio apóstolo Paulo foi amparado por ele. A pessoa de Barnabé, no início da vida ministerial de Paulo foi um braço onde este pôde se segurar, não somente pela confiança que Paulo depositou em Barnabé, mas também pela determinação deste para o encontrar e levá-lo até Jerusalém a procura dos outros a apóstolos. (At 9.27). Atos 11.22-25, nos relata que Barnabé era um apaixonado pelo reino de Deus. O versículo 23 afirma que, ele vendo a graça de Deus prosperar em Antioquia, alegrava-se e exortava a que todos permanecessem firmes na fé. Contudo, Barnabé não poderia fazer o serviço de Discipulado em Antioquia sozinho. Então, toma a decisão de ir a Tarso, buscar a Paulo, para que juntos, durante todo um ano estivessem discipulando toda aquela gente.
O exemplo do Apóstolo Paulo é, sobretudo, uma das bases que a Igreja deveria usar para, freqüentemente estimular-se ao Discipulado como estilo de vida para a Missão da Igreja. Não somente pela sua vida, como nos conta Lucas em Atos dos Apóstolos, mas também pela sua maneira de entender este princípio. Poderíamos analisar vários textos em nosso trabalho, mas iremos estudar um deles que está em Colossenses 1.28. “...o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”. O texto identifica claramente a visão e a missão global de Paulo, quando o mesmo usa três vezes a palavra “todo”, declarando seu compromisso com um evangelismo integral ou holístico. A idéia de todo homem também denota a abrangência de seu chamado missionário. Não apenas aos judeus, mas também aos gentios. Esta abrangência em tratar com todo homem também identifica as bases de seu trabalho.
A primeira base é o anúncio. “Anunciamos”, é a apresentação do evangelho de forma clara, mas pessoal. Katangellomen (Kataggelomen), é a proclamação de uma mensagem oficial. O primeiro fator do Discipulado é a apresentação das boas novas, mensagem esta que tem a ver com uma proclamação histórica acerca de Jesus e ao mesmo tempo um chamado a conversão através da fé e arrependimento.
Contudo, além do anunciar Paulo usa a palavra “admoestando”, (nouqetountes). Esta palavra traz a conotação de um trabalhar de mente, mais semelhante ao aconselhamento, a admoestação da mente, a um forjar de caráter. É um trabalho mais pessoal e direto, levando o discipulando ao renovar de sua mente como nos enfatiza o próprio Paulo em Romanos 12.2. Pelo que entendemos, admoestar segundo o texto, é o caminhar com seu discípulo mesmo no deserto, não “vendendo seus mapas” para que este encontre o caminho para a saída deste deserto, mas sendo um guia, que caminhando com ele até o fim de sua jornada, chegarão juntos e se dessedentarão no oásis da vida.
O Discipulado de Paulo também tem uma terceira etapa. É o Ensinar. A palavra “ensinando” (didaskontes) denota que as pessoas que aceitavam o novo estilo de vida cristã eram conduzidos através de um processo de instrução, doutrinamento e treinamento. Na verdade isto tem a ver com o ensino doutrinário e prático. A doutrina conduzindo o discípulo à prática em sua vida pessoal.
Priscila e Aquila são outro exemplo de Discipulado. Embora sendo um casal extremamente envolvido com a evangelização, o tempo que dedicaram a Apolo tornaram-no um pregador muito mais aperfeiçoado do que antes de se conhecerem. A Escritura afirma que Apolo era homem eloqüente, poderoso e instruído. Todavia somente conhecia o evangelho de João. Seu Discipulado era de fato parcial, mas Priscila e Aquila como diz a Palavra, “expuseram-lhe com mais exatidão o caminho de Deus” (Atos 18.24-28). Isto significa que Discipulado é antes de tudo também uma exposição sistemática da Palavra toda.

IV. Discipulado e Plantação de Igrejas
O propósito do Ministério Paulino era sempre o de plantar novas igrejas. O princípio fundamental para a fundação de igrejas era o Discipulado. David Hesselgrave em seu livro “Plantar Igrejas, um guia para missões nacionais e transculturais”, usa o chamado Ciclo Paulino para identificar a plantação de igrejas como princípio inarredável na Escritura. Uma das partes deste ciclo é o denominado de “Discípulos Confirmados”, objetivando que o Discipulado é parte integrante e essencial para a plantação de novas comunidades. É o que podemos ver em Atos 14.21-23. Neste texto, Lucas narra que Paulo e Barnabé tendo feito muitos discípulos retornam para a região de Listra para confirmá-los e fortalecê-los. O Plantio de igrejas está estreitamente ligado com o Discipulado.
No texto de II Timóteo 2.2, Paulo assevera que há necessidade de se escolher pessoas fiéis e idôneas para tal serviço. E idoneidade significa capacidade e habilidade para tal. Portanto, necessita-se treinar e gastar tempo com o chamado “leigo”. O recurso negligenciado pela Igreja é o seu membro. O crente que tenha recebido cuidadosa e conveniente instrução bíblica e treinamento garantem sua integração plena na vida da Igreja. Aqui está o segredo de uma igreja crescente. Dentro da plantação de igrejas, um dos aspectos mais esquecidos, é o aspecto pessoal da Integração onde atualmente deveria ser o ponto mais forte da Igreja e centro de toda a atenção.
O grande problema das igrejas é o que podemos chamar de orfandade espiritual. Os recém-convertidos são simplesmente deixados de lado e os que permanecessem na igreja tornam-se órfãos espirituais. Waylon Moore diz: “Na maioria das igrejas os convertidos são simplesmente adicionados ao rol de membros e abandonados a cuidarem espiritualmente de si mesmos. É doloroso afirmar, mas o fato é de que existem muitos órfãos e poucos pais espirituais em nossas igrejas”.
A resposta para isto é a realidade do ministério Paulino. O apóstolo Paulo se considerava como Pai de todos os discípulos de Cristo. (I Co 4.15; Gl 4.19; I Ts 2.11). O Discipulado chama a igreja a se responsabilizar pelo seu membro. Não apenas fazê-lo um bom conhecedor de doutrinas, mas na convivência do Discipulado, torná-lo alguém extremamente comprometido com a sua comunidade.
Este compromisso da igreja passa por três importantes etapas:
1. A necessidade do Aconselhamento. É a condição básica para gerar um “filho”. Discipular sem aconselhamento, pode gerar vidas desequilibradas e desajustadas espiritualmente. É o que vemos acontecer atualmente nas comunidades. Ou o crente será um fundamentalista ou um liberal tanto teológico como ético.
2. A necessidade de Alimentação. O Discipulado sugere uma alimentação sistemática (I Pe. 2.2). A carnalidade e imaturidade espiritual dos Coríntios era gerada pela ausência de alimento (I Co 3.2). Para um Discipulado, efetivo uma alimentação progressiva é essencial. Os hebreus estavam também passando por este mal. Pelo tempo decorrido já deveriam ser mestres, mas importante seria que o escritor voltasse aos rudimentos e às bases elementares da fé cristã. (Hb 5.11-14).
3. A necessidade de Proteção. O Discipulado visa também o cuidado com a sua vida pessoal . Jesus já afirmava isto aos discípulos quando falava dos falsos profetas (Mt 7.15-20). Paulo enquanto está finalizando seu sermão aos presbíteros de Éfeso também tem o cuidado de alertá-los (Atos 20.29,30). Um dos deveres do discipulador é ensinar ao convertido como enfrentar as tentações com a Palavra. Os que não recebem o devido cuidado podem tornar-se crentes delinqüentes. Estes naturalmente causarão tropeço a muitos. (I Cor 10.32 / 2 Cor 6.3).
A prova de que houve ensino em seu Discipulado é a estabilidade do crente sob pressão. Paulo afirma que a eficácia de seu trabalho era medida pela capacidade de eles vencerem a tentação (I Ts 3.5). Outra prova é o testemunho e a frutificação. Deste modo vemos o Discipulado como algo extremamente prático e questão inegociável para a plantação de igrejas (Fl 2.15-16).

V. Implicações práticas para a Missão da igreja
Uma das grandes chaves para o desenvolvimento da visão do Discipulado é a compreensão das comunidades locais com respeito a função do chamado “leigo”. Talvez a grande crise que a igreja cristã em seu todo atravessa, é devido a um equívoco histórico interpretativo da palavra laikos. Até porque, atualmente a atividade do pastor é da mais alta importância, no sentido de que ele se esmere em realizar o maior número de tarefas, enquanto que os leigos permanecem como bons ouvintes de seus sermões. Quando muito, se dedicam temporariamente a algum evento religioso.
Podemos questionar saudavelmente, o tipo de Discipulado usado hoje em dia nas igrejas locais. Pois quando há, o encontramos na forma de um evento ou programa que não atinge a todos os crentes. A idéia de Discipulado que hoje absorvemos, brota da necessidade de fazer a comunidade crescer e não pelo fato de que este é um estilo de vida esperado por todo seguidor de Jesus. Mais sério ainda, é a visão de esta tarefa é atribuída ao pastor e aos seus obreiros, mas nunca aos crentes. Isto nos prova que ainda estamos ligados ao famoso “clericalismo”, que visivelmente os reformadores se posicionaram contrariamente, mas que hoje, mantém-se não somente na forma e nos métodos, mas também em princípios e conceitos dentro das comunidades locais.
Para tanto, ousamos lembrar de um dos capítulos da apostila da disciplina de Estratégias e Metodologias Missionárias do Rev. Antônio José do Nascimento Filho quando bem expõe sobre o assunto. Na verdade, a distinção entre laicato e clero procede da tradição da Igreja Católica Romana. Esta idéia correlaciona-se com a visão de igreja e mundo para os romanistas. O clero com o direito de administrar os sacramentos e o laicato que deve receber o ensino e a condução dos mesmos. Tanto Lutero como Calvino rejeitaram a estrutura clerical dando importância a todos os membros da igreja, onde todos eram considerados laikos. O Discipulado como princípio e ordem é para todo laicato. Todos são discípulos e então todos discipularão. Se a ordem foi dada como Comissão à igreja, toda a igreja está empenhada a realizar, não como evento, mas sim como estilo de vida pessoal.
Larry Richards explica a questão do Discipulado ser um fato significativo no Novo Testamento é devido ser este um empreendimento mútuo demonstrando que a visão do laicato deve ser de manifestar a reciprocidade do Discipulado. Em sermos Laos de Deus, temos o papel de crentes-sacerdotes, isto é, somos chamados para discipular uns aos outros. Isto nos leva a entender Discipulado num contexto de relacionamento pessoal íntimo e cheio de amor. Sobretudo, sendo reconhecido como um princípio para todo cristão e não apenas para aqueles que foram ordenados para o ministério sagrado.
Após 32 anos da ressurreição de Jesus, os primeiros cristãos já haviam atingido todo o mundo pagão de seu tempo com a mensagem do evangelho sem rádio, sem imprensa, ou outro dos meios modernos de comunicação, usados em nossos dias na pregação. O segredo era a visão de que todos os crentes eram, na verdade, discipuladores em potencial.
Embora fundamentando nosso estudo de que o Discipulado é um envolver de todo o laicato da igreja, acreditamos que o Discipulado como principio orientador da vida da igreja. Isto tem sua conseqüência na descoberta e no treinamento de líderes discipuladores. Se olharmos novamente para a experiência de Jesus no Discipulado dos doze, o Mestre usava todas as experiências vivenciais para o adestramento dos seus discípulos que viriam a se tornar apóstolos de Sua Igreja. Jesus usava a pregação, a cura, e a discussão para estimular, despertar e causar impacto na vida dos discípulos. Ferramentas que usava para treinar o grupo de homens que se encarregaria de transmitir depois a mensagem de sua vida, da sua morte e da sua ressurreição.
Da mesma forma que Cristo se utilizou, podemos discernir e usar os mesmos padrões para treinar os líderes em nossas igrejas como visão do laikos. Uma vez que plantamos igrejas, somos responsáveis por ensinar de maneira correta o treinamento dos líderes. Devemos examinar as prioridades do ministério. Se o Discipulado é um princípio fundamental para a missão da igreja, precisamos concentrar os esforços em “pessoas” e não em “coisas”. Moore citando Samuel Schoemaker diz acertadamente que “a principal tarefa da igreja não é realizar muito trabalho, nem alistar grande número de membros, nem levantar muito dinheiro.
Sua principal missão é moldar vidas à imagem de Jesus Cristo. E as pessoas não podem ser talhadas da massa bruta por atacado, mas uma por uma.”. Além disso, o treinamento de líderes é uma vivência com o discípulo. Provérbios 27.17, afirma: “Afia-se o ferro com o ferro; assim o rosto do seu amigo”. Logo, o Discipulado fundamenta-se “no estar com”. Na vivência com os discípulos, Jesus em seu treinamento, se relacionava mais a caráter e personalidade do que a conhecimentos e métodos. “Muitos dos pastores andam tão ocupados com tantas diferentes coisas que a correria com que trabalham põe em risco seu ministério e sua vida espiritual, como também lhes torna impossível treinar pessoal e adequadamente os membros de sua igreja para o evangelismo integral.
A próxima implicação para a igreja atual é a respeito da verdadeira evangelização e o crescimento da mesma. Estas questões nos levam a analisar o que significa crescimento de Igreja. Evangelização sem integração ou Discipulado sempre falhou e falhará no seu objetivo de ganhar o mundo. O máximo que se consegue é a adição de algumas pessoas à igreja”.
“Em pouco mais de dez anos Paulo estabeleceu a Igreja em quatro províncias do Império: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia. Antes de 57 d.C. Paulo já podia falar do seu trabalho ali como tendo sido completado e podia planejar viagens extensivas para o extremo ocidente sem preocupação de que as igrejas que fundara pudessem na sua ausência pela falta de orientação e apoio".

VI. Conclusão
Este trabalho nos estimulou a procurar biblicamente as causas do crescimento e missão da igreja e respondê-las através do Discipulado. O grande desafio da igreja é ainda hoje, o moldar vidas segundo o caráter de Jesus Cristo. O Discipulado Missionário, se assim podemos nomeá-lo, ainda não está satisfazendo biblicamente o Senhor da Seara. Ao analisarmos todos os pontos essenciais da vida de Cristo, somos inarredavelmente levados a procurar reavaliar a vida cristã e, sobretudo, através de uma autocrítica, desafiados a tornar nossas comunidades, igrejas de discipuladores. Carecemos de pessoas fiéis e idôneas, que possam transmitir a outras este caráter de Cristo, não apenas pela verbalização, mas também com a vida. A igreja necessita de um arrependimento verdadeiro e mudança de vida. Deve tornar a vida mais simples e menos rebuscada, mais cheia de frutos de vida e menos ativista, mais cristã e menos institucionalizada. Se acreditarmos no Discipulado, seremos os primeiros a mudar, e se isto acontecer de fato, cumpriremos cabalmente a Grande Comissão não como um programa a mais, mas como um estilo de vida, para a Glória e Honra de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Soli Deo Gloria


VI. Bibliografia

Bíblia - Edição revista e Atualizada - 1998 - Sociedade Bíblica do Brasil

Brown, Colin - O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento - 4 vols. São Paulo - Edições Vida Nova 1984

Coleman, Robert - The Master Plan of Discipleship - 1987 - Zondervan

D’áraujo Filho, Caio Fábio de - Seguir Jesus: O mais fascinante projeto de vida - Ed. Betânia - 1984.

Hesselgrave, David - Plantar Igrejas - Um guia para Missões Nacionais e Transculturais, Vida Nova - 1985

Kornfiel, David - Em: Ultrapassando Barreiras - Ediçòes Vida Nova - Vol II - 1997

Moore, Waylon B. - Integração segundo o Novo Testamento - Juerp - 1985

Nascimento Filho, Antônio José - Estratégias e Metodologias Missionárias - 1999

Richards, Lawrence - Teologia do Ministério Pessoal - Ediçòes Vida Nova - 1985

Richards, Lawrence - Teologia da Educação Cristã - Edições Vida Nova - 1985

FONTE:  http://www.monergismo.com/textos/discipulado/discipulado_missao.htm

domingo, 25 de maio de 2014

CULTO DO 38º ANIVERSÁRIO DA IGREJA METODISTA EM SÃO PEDRO

Culto Especial em Gratidão a Deus pelo 38º Aniversário da Igreja Metodista em São Pedro
- Barra Mansa - RJ!

Participação do Louvor Local e Todos os Grupos Societários e Pregando a Palavra o
Rev. Ananias Lúcio da Silva - Superintendente Distrital!

Muito obrigado a todos/as pelo empenho e participação!

Com carinho

Rev. Ednaldo Breves

Igreja Metodista São Pedro
Rua Rodolfo Marques, 125, São Pedro, Barra Mansa- RJ

 



CULTO MATUTINO DE ANIVERSÁRIO DA IGREJA METODISTA EM SÃO PEDRO

Culto Matutino Especial em Gratidão a Deus pelo 38º Aniversário da Igreja Metodista em São Pedro - Barra Mansa - RJ!

As 19:00Hs teremos Culto de Louvor e Adoração - Participação do Louvor Local e Todos os Grupos Societários e Pregando a Palavra o Rev. Ananias Lúcio da Silva - Superintendente Distrital!

Vai ser muito bom ter você e sua família conosco!

Com carinho
Rev. Ednaldo Breves

Igreja Metodista São Pedro
Rua Rodolfo Marques, 125, São Pedro, Barra Mansa- RJ 



ALMOÇO COMUNITÁRIO EM COMEMORAÇÃO AO 38º ANIVERSÁRIO DA METODISTA SÃOPEDRO

segunda-feira, 19 de maio de 2014

OFERTA MISSIONÁRIA NACIONAL - 2014


Minha gratidão a todos os membros da Igreja Metodista São Pedro por mais um ano superarmos o alvo da Oferta Missionária Nacional!
Todos os anos o Dia da Oferta Missionária Nacional em nossa Igreja tem sido um momento de felicidade, alegria e vibração!
É muito bom pastorear uma Igreja com o coração missionário!

Rev. Ednaldo Breves

sábado, 17 de maio de 2014

IGREJA METODISTA EM SÃO PEDRO NA VIGÍLIA DISTRITAL


Participação da Igreja Metodista São Pedro na Vigília Distrital, na Igreja Central se Barra Mansa: 

- Ministério de Louvor da Igreja Metodista em São Pedro
- Mensagem Pr. Ednaldo Breves
- Oração Comunitária do Pr. Silvério Roberto Garcia

Parabéns a todos o organizadores do Evento, a todas Igrejas, Pastores, Pastores, bem como a todos participantes e ao nosso SD, Rev. Ananias Silva! 

Ministério de Louvor

Ministério de Louvor 

Pr. Ednaldo Breves

Pr. Silvério Roberto Garcia



ESCOLAS DE SÃO PAULO ACABAM COM O DIA DAS MÃES E INSTITUI O DIA DOS CUIDADORES

A notícia foi veiculada na Veja, por Reinaldo Azevedo, às 18:07Hs, do dia 16 de maio de 2014!
Eis a notícia:
Pois é, pois é… Recebi na Jovem Pan a informação de um pai indignado, morador de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. Na semana passada, as instituições públicas de ensino em que seus filhos estudam deixaram de comemorar o tradicional “Dia das Mães” para celebrar o inovador “Dia de quem cuida mim”.
O jovem pai, de 27 anos, tem dois filhos matriculados na rede municipal de ensino. O mais velho, de 5 anos, é aluno da EMEI Cecília Meireles, e o mais novo, de 3 anos, do CEI Monteiro Lobato, de administração indireta.
Ele afirma que conversou com a coordenadora pedagógica da EMEI e sugeriu que fossem mantidas as datas do “Dia dos Pais” e do “Dia das Mães”, além de incorporar ao calendário esse tal “Dia de quem cuida de mim”. Ele acha que essa, sim, seria uma medida inclusiva e não preconceituosa. A resposta que recebeu dessa coordenadora pedagógica foi a seguinte: “A família tradicional não existe mais”.
Isso quer dizer que, segundo a moça, família com pai, mãe e filhos acabou. É coisa do passado.
O produtor Bob Furya foi apurar. Tudo confirmado. A assistente de direção da Escola Municipal de Ensino Infantil Cecília Meireles afirmou que a iniciativa de criar “o dia de quem cuida de mim” partiu de reuniões do Conselho Escolar, do qual participam pais e professores e de reuniões pedagógicas entre os docentes.
O pai garante que não participou de consulta nenhuma. Ele assegura, ainda, ser um pai presente. E parece ser mesmo verdade. Para a escola, o fato de se criar “o dia de quem cuida de mim” permite a crianças órfãs, criadas por parentes ou por casais homossexuais que não se sintam excluídas em datas como o “Dia das Mães” ou o “Dia dos Pais”. Para esse pai, no entanto, trata-se do desrespeito à “instituição da família”.
Em nota, afirma a Secretaria de Educação: “Hoje em dia, a família é composta por diferentes núcleos de convívio e, por isso, algumas escolas da Rede Municipal de Ensino decidiram transformar o tradicional Dia dos Pais e das Mães no Dia de quem cuida de mim.”
Não dá! Você que me lê. Pegue o registro de nascimento do seu filho. Ele tem pai? Ele tem mãe? Ou ele tem, agora, cuidadores?
Qual é a função da escola? É aproximar os pais, não afastá-los. O que é? A escola pública vai agora decretar a extinção do pai? A extinção da mãe? A democracia prevê o respeito às minorias. Querem integrar os pais homossexuais? Muito bem! Os avôs? Muito bem! Extinguir, no entanto, a figura do pai e da mãe, transformando-os em cuidadores é uma ideia moralmente criminosa.
Nessas horas, sei bem o que dizem: “Ah, lá estão os conservadores…”. Não se trata de conservadorismo ou de progressismo. Todo mundo sabe que boa parte das tragédias sociais e individuais tem origem em famílias desestruturadas.
Uma pergunta: declarar o fim da família tradicional é o novo objetivo da gestão de Fernando Haddad?
Por Reinaldo Azevedo