quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

CGE067/2016 - ÚLTIMA PASTORAL DO BISPO PAULO LOCKMANN - COMO COMEÇAR E TERMINAR BEM O MINISTÉRIO PASTORAL


Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2016.                

Aos/Às                                                

Pastores/Pastoras                                                                    

Graça e Paz!

O Evangelho para cada pessoa no Estado do Rio de Janeiro, um grupo de discipulado para cada rua, e uma igreja para cada bairro ou cidade, para alcançar 1.000.000 de discípulos até 2021.
                                                                 
1) Por que é importante começar e terminar bem o Ministério?

Examinando vidas na Bíblia nós constatamos que nem todos os grandes líderes começaram e terminaram bem. E isto é decisivo, porque revela se houve crescimento ou não no ministério, que lições nós aprendemos na caminhada, com quem aprendemos, pois ninguém cresce sem uma postura de discípulo, e sem ajuda de um ou vários discipuladores.

Consideremos Noé, foi chamado de “justo e integro entre seus contemporâneos” (Gn 6.9), mas no final de sua história tão bonita, temos um quadro desolador, o encontramos embriagado de vinho e jazia nu dentro de sua tenda (cf. Gn 9.21). Que fim trágico!

Salomão a quem citamos seus provérbios, começou muito bem, pedindo a Deus sabedoria, a Bíblia dá um belo testemunho dele: “Assim, o rei Salomão excedeu a todos os reis do mundo, tanto em riqueza como em sabedoria.” (I Rs 10.23). Mas não terminou tão bem quanto começou, o que a Bíblia diz: “Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo fiel para com o SENHOR, seu Deus, como fora o de Davi, seu pai.” (I Rs 11.4).

Mas houve quem começou com dificuldades, como Moisés, gago, centralizador, ao ponto de quase morrer, dele vem a primeira grande lição sobre discipulado e ministério compartilhado: “No dia seguinte, assentou-se Moisés para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até ao pôr-do-sol. Vendo, pois, o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, disse: Que é isto que fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até ao pôr-do-sol? Respondeu Moisés a seu sogro: É porque o povo me vem a mim para consultar a Deus; quando tem alguma questão, vem a mim, para que eu julgue entre um e outro e lhes declare os estatutos de Deus e as suas leis. O sogro de Moisés, porém, lhe disse: Não é bom o que fazes. Sem dúvida, desfalecerás, tanto tu como este povo que está contigo; pois isto é pesado demais para ti; tu só não o podes fazer. Ouve, pois, as minhas palavras; eu te aconselharei, e Deus seja contigo; representa o povo perante Deus, leva as suas causas a Deus, ensina-lhes os estatutos e as leis e faze-lhes saber o caminho em que devem andar e a obra que devem fazer. Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dez; para que julguem este povo em todo tempo. Toda causa grave trarão a ti, mas toda causa pequena eles mesmos julgarão; será assim mais fácil para ti, e eles levarão a carga contigo.” (Ex 18.13-22). Esta lição com certeza deu um novo rumo à vida e ministério de Moisés, quando foram ocupar a terra ele enviou doze homens para como equipe observar a terra e trazer informe a Moisés (cf. Nm 13.17 a 14.19). Por fim, o livro de Deuteronômio termina com o seguinte testemunho sobre Moisés: “Josué, filho de Num, estava cheio do espírito de sabedoria, porquanto Moisés impôs sobre ele as mãos; assim, os filhos de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o SENHOR ordenara a Moisés. Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o SENHOR houvesse tratado face a face, no tocante a todos os sinais e maravilhas que, por mando do SENHOR, fez na terra do Egito, a Faraó, a todos os seus oficiais e a toda a sua terra; e no tocante a todas as obras de sua poderosa mão e aos grandes e terríveis feitos que operou Moisés à vista de todo o Israel.” (Dt 34.9-12). Moisés não só concluiu com êxito seu ministério como discipulou uma equipe e formou seu sucessor, Josué. O qual como vemos no livro de Josué começou e terminou muito bem seu ministério. Vamos agora aprender algo com Paulo sobre discípulos e ministério compartilhado.

2) Crescendo num Ministério Compartilhado (Fl 2.17-30)

a) Todo ministério exige esforço.

A partir do verso 17, Paulo começa a falar do seu ministério e da luta que ele enfrentava. É bom sublinhar novos aspectos do mesmo problema, que vimos no A.T., que é, o que Paulo faz aqui.

Na verdade Paulo está dizendo que ele pode vir a ser oferecido por libação, ato sacrificial ocorrido no templo, neste sentido nosso serviço torna visível o maior de todos serviços e libação, o de Jesus na cruz do Calvário. O que Paulo está dizendo é que seu ministério é uma forma de sacrifício. Neste sentido, não existe ministério sem sacrifício, doação, esvaziamento. Jesus advertiu que isto seria exigido de nós. "Se perseguiram a mim quanto mais perseguirão a vós outros". (Jo 15.20).

Paulo estava preso e sob condições bastante humilhantes, e a razão era a sua fé e seu ministério. Quantos de nós está disposto a assumir sua fé num nível igual a este, ser preso, muitas vezes chicoteado.

Analisando nestes termos, a maioria da Igreja não está preparada para o Ministério, qual seja ele. Nós estamos desejando o sucesso, como aliás, todas as pessoas na sociedade capitalista. Desde o ponto de vista desta sociedade o ministério cristão é um fracasso. As prerrogativas são dar, dar e dar. Se necessário dar a própria vida. A prerrogativa do mundo capitalista é ganhar, ganhar, e ganhar. Se necessário tomar a vida dos outros.

O difícil é quando nós queremos transformar o ministério em algo de lucro, de vantagem pessoal. Aí temos o caos instalado na Igreja, isto já aconteceu, sempre com perdas para o Reino de Deus.

Tratemos de assumir a luta, o suor, e as lágrimas do ministério, sabendo que ele não é masoquismo, ele tem compensações, mas não são as que buscamos, mas as que Deus dá livremente, quando nos encontra fiel a Ele, na prática de um ministério.

b) Ministério é alegrar-se e chorar juntos, é servimos uns aos outros.

Não existe alegria maior para um cristão do que saber qual é o seu dom espiritual e colocá-lo em prática em um ministério frutífero. Sentir as pessoas sendo abençoadas por Deus, através do seu ministério, é sem dúvida uma compensação sem igual. Todo o/a cristão/ã pode experimentá-la, pois os dons espirituais são para todos os membros e o ministério é a consequência natural do dom espiritual. Só há ministério frutífero onde há o dom do Espírito Santo. E o contrário também é verdade, só há dons do Espírito Santo onde há ministério frutífero, um não existe sem o outro, um é a evidência do outro.

Vimos que também Paulo estava se alegrando com os irmãos em Filipos, pelo progresso que haviam feito, ele sabiamente os edificava manifestando aprovação pela vida deles, quando ele diz: "...sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, alegro-me e com todos vós me congratulo.” Demonstrando assim reconhecimento e sentindo-se parte do ministério dos irmãos. Não os tratava como inferiores, ou que só precisavam aprender, mas reconhece-se abençoado pelo serviço da fé deles. Esta postura de ministério compartilhado de fé em comunhão é que dá força ao ministério da igreja. Paulo edificava e era edificado.

Junto a isto há o compartilhar dos sentimentos, todos nós precisamos de quem chore conosco, quem nos ouça, quem se alegre conosco. Temos mais facilidade de compartilhar as horas alegres. Os irmãos em Filipos vinham assistindo a Paulo numa hora difícil, estava na prisão. E conseguia alegrar-se na prisão. Não porque gostava de sofrer, mas porque isto estreitava a relações dele com os/as irmãos/ãs de Filipos, estes irmãos e irmãs o ajudavam a sorrir. Por outro lado, porque as suas cadeias serviram de testemunho à guarda pretoriana, e assim Cristo era pregado também no cárcere.

Nossas igrejas precisam ser um espaço de compartilhamento e acolhimento de todos os que necessitam, sem discriminação. Ron Lee Davi, em seu livro, "Perdão Incondicional", cita o livro de Jerry Cook, "Aceitação e Perdão", no qual diz: "Por que as pessoas vão ao botequim da esquina, em busca de algo que a Igreja poderia oferecer?" Ele continua: "Estão procurando alguém que os ouça. Por isso, embebedam-se e contam todos os seus problemas ao garçom, ou ao amigo. Estes choram com ele e riem com ele. Lá pelas tantas dizem: Olhe já são 2 horas da madrugada, é melhor você ir para casa. Assim saem cambaleando e voltam no dia seguinte para outra dose da mesma coisa. O quê estão procurando? Estão procurando amor e aceitação. Mas não podem ir à igreja  porque a igreja não gosta de bêbados."

Devemos nos empenhar para que nossas igrejas sejam um espaço aberto à diversidade de ministérios, mas também a diversidade de pessoas. E todos se sintam amados, ouvidos e valorizados. Afinal todos foram alvos do amor de Deus em Cristo.

c) O ministério de Timóteo - Fl 2.19-24.

Nós já vimos que o ministério é uma via de duas mãos, contribuímos e recebemos. Devemos estar preparados para dar e abertos para receber dos irmãos o que Deus tem para nós.

Foi com tal propósito que Paulo informa a Igreja de Filipos que iria enviar a Timóteo, Paulo queria levar algo através de Timóteo, mas receber também informações do que Deus estava fazendo. Entre o que ia enviar, uma era a carta que estudamos, que acabou sendo levada por Epafrodito como veremos depois.

A razão pela qual Paulo podia confiar a Timóteo tão importante tarefa era os sentimentos dele. Paulo havia falado já para que tivessem o sentimento que houve em Cristo Jesus (2.5), ele volta a falar de sentimento aplicando a Timóteo, isto significa que este tinha o mesmo sentimento de Cristo, sentimento de humildade, sentimento de Servo de Deus, e não servo de si mesmo. Aliás, o complemento da frase confirma isto, por duas vezes:"...que sinceramente cuide dos vossos interesses..." Timóteo ia atender, servir o povo de Deus em Filipos. Junto a isto a frase continua e diz: "...pois todos buscam o que é seu próprio..." (Fl 2.21). Isto quer dizer que Timóteo como Cristo não fazia a sua vontade, não buscava os seus próprios interesses, mas os de Deus e dos irmãos.

Aqui está a grande virtude de Timóteo, ser servo, isto ele aprendera com Paulo.

Na Igreja nós estamos precisando aprender a ser servos uns dos outros, ao invés de nos servimos dos outros, como faz a nossa sociedade egoísta, sermos servos uns dos outros de verdade.

O servo como foi Paulo e Timóteo, tem algumas qualidades visíveis. Quero sublinhar agora apenas duas. A primeira é a sinceridade, ou seja, a vida transparente e verdadeira, seus sentimentos e motivações são conhecidos de todos. Paulo afirmou isto de Timóteo, nós podemos comprovar isto em Paulo. Será que podemos perceber isto em cada um de nós? Vivemos numa sociedade de muita mentira, onde o que vale é a aparência, não o que na verdade é, cada pessoa tenta vender uma imagem bonita e simpática, a realidade no íntimo é outra. Sinceridade é não representar, é não usar máscara, é ter sentimentos puros e amorosos com todos. A segunda é o caráter provado e aprovado. Precisamos de servos que como Timóteo tenham sido testados e aprovados, e cujos frutos falam claramente de quem ele é. Isto significa que nós devemos testar os servos e servas de Deus, Jesus deu tarefa aos discípulos, eles foram (Lc 10.12 e 17.20), realizaram e retornaram contando (relatório) o que se passara com eles. O mesmo havia feito Paulo com Timóteo. Precisamos por a prova os/as obreiros e obreiras, candidatos ao ministério da Palavra e a qualquer outro ministério, e se aprovado, os credenciamos.

d) O ministério de Epafrodito - Fl 2.25-30. Exemplo de ministério compartilhado.

Epafrodito entra nesta história, ou se desejam nesta epístola, numa mudança de planos. Marshal, H. - The Epistle to the Philippians - Epworth Commentaries - London - 1992, em seu comentário a Filipenses afirma que aqui vemos os planos humanos de Paulo e a vontade de Deus. Há duas mudanças. Inicialmente Paulo pretende enviar Timóteo, e depois ele mesmo esperava ir, e finalmente ele precisa enviar outro, que é quem de fato vai, e este é Epafrodito.

Epafrodito era de Filipos, pois fora portador em nome da igreja de Filipos de oferta a Paulo (Fl 4.18) segundo alguns comentadores um de seus pastores, porém, já servia a Paulo como auxiliar, principalmente no relacionamento com as igrejas da Macedônia, porém há pouco tempo, pois não chega ser citado no prólogo da carta como fora Timóteo (Fl 1.1).

Depois de ter servido como mensageiro de Filipos e de Paulo, havia adoecido gravemente, e a notícia correra ao ponto de Paulo saber que o povo estava preocupado com a saúde de Epafrodito. Não fora plano de Paulo enviá-lo, porém a recuperação dele da enfermidade e o seu desejo de ir e tranquilizar pessoalmente suas ovelhas em Filipos, deve ter sido a razão das mudanças de planos.

Paulo vai qualificar a pessoa de Epafrodito, e com isto nos dá alguma informação das características de um ministro aprovado como foi Epafrodito.

Começa referindo-se a Epafrodito como irmão, isto significa que este compartilhava a mesma fé e visão da obra de Paulo. Podemos dizer que quem se habilita a um ministério tem que ter uma fé audaciosa, e uma fé com visão missionária, pois o objetivo missionário é que exercita a fé. Quem não tem sonho, alvo missionário, não precisa exercitar a fé, pois não pretende chegar a lugar nenhum, contenta-se com manter, ou seguir a rotina. Ministrar em nome de Deus como Paulo e Epafrodito é entrar numa grande obra, é preparar-se para coisas extraordinárias, prodigiosas. Afinal, vamos servir ao Senhor de toda glória e poder. Paulo define como via o ministério de Epafrodito dizendo: "...honrai sempre a homens como esse..." (Fl 2.29).

Epafrodito era um cooperador de Paulo e da Igreja em geral. Podemos dizer um diácono, um servidor como Timóteo. A Igreja se ressente de cooperadores. O que significa isto? Cooperador é aquele que trabalha sem aparecer, a grande maioria gosta de ser o/a cabeça, o/a dirigente. O cooperador serve onde for necessário, da tarefa simples às complexas, ele está sempre disponível.

Epafrodito era também companheiro de lutas de Paulo. O que significa companheiro de lutas? Trata-se de amigo e irmão nas horas mais difíceis. No momento em que a morte e a prisão rondavam ao apóstolo Paulo, lá estava Epafrodito para animá-lo, consolá-lo, servir de apoio. Todos nós precisamos de um companheiro/a de lutas.

Epafrodito era também mensageiro e auxiliar nas necessidades de Paulo. Quem não tem necessidades? Todos! Porém nem todos conseguem quem os auxilie, esteja presente na hora certa. No caso descrito na carta, Epafrodito veio trazendo notícias e oferta para as necessidades de Paulo (4.18). Ao mesmo tempo Paulo precisava de um mensageiro para levar a carta, e por algum motivo Timóteo não podia ir de imediato, nem Paulo conseguira a liberdade que ele esperava, mas lá estava Epafrodito pronto, como auxiliar e mensageiro. Um verdadeiro servo. Sim, ministério compartilhado é construído numa relação de serviço mútuo.

Conclusão: 

Esta é a 348 carta pastoral que vos envio, com ela, ainda que longa, deixo a essência de alguns ensinos que recebi de Deus no decorrer dos meus 47 anos de ministério pastoral e 29 de ministério Episcopal. Rogando que o Deus que me concedeu a Graça de realizar meu ministério com tantas bênçãos, dê a cada um de vós, graça e unção para verem os frutos do vosso trabalho transformados em vidas salvas e discipuladas, com vistas a ganharmos Um Milhão de Discípulos e Discípulas.

Com amor e amizade o irmão mais velho,

Bispo Paulo Lockmann 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

POR QUE CELEBRAMOS O NATAL NO DIA 25 DE DEZEMBRO?

NATAL - ESTRATÉGIA MISSIONÁRIA DA IGREJA

O Cristianismo tem uma mensagem a ser compartilhada, mensagem de Boas Novas para todos os povos (Lc 2.10).

Apesar da Teologia de Missões ser recente em sua formulação metodológica-sistemática, o ardor missionário já era presente nos primeiros passos da Igreja Cristã. A igreja cresceu porque investiu em missões. A inculturação, como prática missionária, nunca foi vista como uma paganização dos valores cristãos, mas como método de comunicação do evangelho. Isso foi praticado por Paulo (1 Co 9.19-23). Cristo havia confiado à igreja uma mensagem que precisava ser levada a todos os povos. Após a ressurreição, esta foi sua preocupação e comissionamento (cf. Mt.28. 19).

A mensagem missionária está estritamente relacionada com o indivíduo e com a sua cultura. Conhecer a cultura e se expressar na mesma produz pontes intermináveis que promovem a comunicação do evangelho.

O esforço missionário da Igreja até o quarto século foi conquistar o mundo para Cristo. Nessa prática estavam também sendo trabalhadas duas tarefas importantes: guerrear contra o paganismo e discipular os novos convertidos. A estratégia para isso foi substituir algumas comemorações pagãs, e, na mesma data, promover as Boas-Novas e o ministério de Cristo. Isso fica claro quando analisamos as festas do Natal e da Epifania.

A INTRODUÇÃO DO NATAL

A data do 25 do dezembro foi fixada pelos pagãos para celebrar o nascimento do sol Natalis solis invicti. Os pagãos só começaram a celebrar essa data no ano 274 d.C. Nesse período, a igreja estava passando pelos seus últimos e terríveis dias de perseguição. O paganismo estava ainda forte, e esta foi uma estratégia para apagar as raízes do Cristianismo e formar raízes religiosas nos pagãos. Em 336 d.C, 62 anos depois, a Igreja de Roma incluiu no calendário Filocaliano a celebração do Natal Cristão no dia 25 de dezembro. Como o Edito do Tolerância de Constantino em 313 d.C., que deu liberdade religiosa aos cristãos, abriu as portas para a evangelização, a Igreja procurou diversas estratégias, dentro de sua limitação, para colocar Jesus como o Soberano das Nações, o Deus encarnado.

Como a provocação de 274 d.C. deu certo para o lado dos pagãos, agora a igreja, gozando de liberdade, toma posse da data e proclama Jesus Cristo o Sol da Justiça, baseado em Malaquias 4.2. Na oratória de implantação do Evangelho, a frase era: “Vamos celebrar o Nascimento do nosso Rei no dia 25 de dezembro. O deus Sol está destronado”.

Além de ser uma afronta ao paganismo, foi uma estratégia para colocar Jesus no centro da vida social e derrubar os sentimentos religiosos antigos do novo convertido. Essa prática não significou uma paganização do Cristianismo como alguns desejam afirmar.

A ORIGEM DA EPIFANIA

Antes, porém de ser celebrado o 25 do dezembro como o dia do Natal, os cristãos do fim do segundo século, já celebravam a Epifania, festa realizada no dia 6 de janeiro. Já nessa época a estratégia era missionária e transcultural.

No Oriente, o dia 6 de janeiro estava ligado ao nascimento virginal de Aion/Dionísio (segundo Epifânio) e com diversas outras lendas de epifania nas quais os deuses se manifestavam aos seres humanos. Plínio discorre a respeito dos modos como Dionísio revelava a sua presença naquele dia, transformando água em fontes e fontes em vinho (Natural History).

Os cristãos, nessa época, perseguidos pelos romanos, tiveram a estratégia de celebrar, na mesma data, a epifania de Jesus (Manifestação de Jesus). Para confrontar os poderes das trevas, elegeram essa data como especial no calendário da Igreja. Nessa festa pregavam o nascimento virginal de Cristo, a visita dos magos a Jesus e seu milagre de transformar a água em vinho em Caná da Galiléia. Nessa celebração, segundo Jerônimo que morou 24 anos em Belém, o batismo era o conteúdo principal.

Muitos estudiosos vêem na Epifania uma cristianização da festa dos Tabernáculos. As duas celebrações incluíam a vigília durante a noite toda, a iluminação de círios e a procissão das luzes, as águas da vida, os ramos de palmeiras e alusões ao matrimônio. Essa prática de cristianizar festas judaicas, comuns em algumas seitas do passado, tem reaparecido na atualidade, em algumas igrejas evangélicas, com o intuito de enraizar suas práticas litúrgicas na Bíblia, principalmente no Antigo testamento, depreciando assim as festas cristãs.

AS FESTAS CRISTÃS

Tanto o Natal quanto a Epifania foram praticados pelos cristãos para substituir, a partir de uma visão missionária, os festivais pagãos relacionados com o solstício de inverno no Ocidente no dia 25 de dezembro, e no Oriente, em Alexandria, no dia 6 de janeiro. Ambas as festas tornaram-se mais freqüentes no século quarto.

No ano 386 d.C, a festa do Natal já havia sido introduzida em Antioquia. Crisóstomo foi um grande estrategista para que essa data fizesse parte do calendário da Igreja. Como homem de Deus, Crisóstomo observou a oportunidade missionária que a data do Natal poderia favorecer. O Sol da Justiça, Jesus Cristo, nasceu para derrotar o deus solístico. A estratégia era mostrar que a fé no Deus encarnado era um a fé poderosa.

Os grandes teólogos e pregadores capadócios Gregório de Nissa e Gregório de Nazianzeno, respectivamente nos anos 370 e 380, escreveram sobre a importância dessa data e usaram os temas do Natal e da Epifania para resistir aos arianos que não criam na divindade do Jesus.

DEZEMBRO: INADEQUADO?

Hoje o Natal já não traz essa bagagem apologética e missionária da Igreja Antiga. A festa na atualidade tem duas vertentes: uma mundana e outra cristã. O mundo celebra o Natal da glutonaria, da embriaguez, do comércio e, principalmente, colocou a figura do Papai Noel para substituir a figura do bebê e da manjedoura. A Igreja, por outro lado, celebra o Natal de Jesus. Corais se preparam para cantar a história de Jesus. As crianças treinam suas peças teatrais. O culto de Natal celebra a herança da vida abundante do Cristo. Os símbolos são muitos e difíceis de serem catalogados. Hoje o Natal é a celebração do nascimento do Menino Deus. É para nós uma data festiva e alegre, rica de símbolos e adereços. É uma oportunidade para presentear quem amamos e comemorar o aniversário de Jesus.

Alguns alegam que o mês de dezembro é muito inadequado para o nascimento do Jesus. Alguns estudos colocam o nascimento de Jesus nos meses do abril ou maio. Mas Leon L. Morris não vê dessa forma. Ele diz que os pastores que estavam no campo pastoreando seus rebanhos estavam cuidando deles para os sacrifícios do Templo. Os rebanhos deviam ser guardados somente no ermo, segundo as tradições rabínicas da Mishna e do Talmude. Uma regra rabínica estipulava que qualquer animal achado entre Jerusalém e um lugar perto de Belém deveria ser considerado uma vítima sacrificial. A mesma regra encontrada na Mishna fala de achar ofertas para a Páscoa dentro de trinta dias antes daquela festa, isto é, em fevereiro. Morris conclui dizendo: “Visto que os rebanhos podem, portanto, estar nos campos no inverno, a data tradicional para o nascimento de Jesus, 25 de dezembro, não está excluída” (Lucas. Introdução e comentário. Vida Nova).

OPORTUNIDADE MISSIONÁRIA

O Natal do passado, além do significado litúrgico do nascimento de Jesus e da festa tinha o significado de oposição à idolatria e o anúncio da nova vida em Cristo, o verdadeiro Sol da Justiça. Que possamos reler o Natal e redescobrir a grande oportunidade missionária que essa data nos favorece. Reunamos nossa família diante da árvore do Natal, símbolo criado pelo reformador Martinho Lutero, e celebremos o dia 25 do dezembro com entusiasmo e vida, aproveitando para pregar o Evangelho da Reconciliação. Celebremos o nascimento do Jesus com alegria e festa. Celebremos o nosso Sol da justica!
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FONTE: Texto publicado no AVANTE de dezembro de 2000,
No Portugal Evangélico em 2003 e No Fé e Nexo em 2006.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

NOMEAÇÕES PASTORAIS DA PRIMEIRA REGIÃO ECLESIÁSTICA - AJUSTES PARA 2017


De acordo com a Legislação Canônica em vigor, e atendendo as necessidades da Primeira Região Eclesiástica, faço, na qualidade de Bispo, as seguintes alterações no quadro de nomeações pastorais:

1 - DISTRITO DE BANGU
Superintendente Distrital – Rev. Paulo Vieira
SARAPUÍ
Josias Ferreira Barbosa, Pastor Ativo, Tempo Parcial, (1)

2 - DISTRITO DE BARRA MANSA
Superintendente Distrital: Rev. Ananias Lúcio da Silva
BARRA MANSA
Ananias Lúcio da Silva, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (10), Titular
Bernadete Maria Estevam da Silva, Presbítera Ativa, Tempo Parcial, (10), Coadjutora
Douglas Farat, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (1)
COLÔNIA
Anderson Magno Nascimento da Silva, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (1)
CAMPO MISSIONÁRIO DISTRITAL DE CURINGA
A suprir

3 - DISTRITO DE CAMPO GRANDE
Superintendente Distrital: Rev.Lúcio Sant’Anna Ferreira
BETEL CAMPO GRANDE
Bruno Roberto Pereira dos Santos, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1) Titular
Fernando Schmidt e Silva, Presbítero Ativo, Tempo Parcial, (2), Coadjutor

4 - DISTRITO DE CASCADURA
Superintendente Distrital:
PILARES
Maximiliano Miler, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1), Titular
José Luiz Dantas de Souza, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (3) Ajudante
José Claudio Vargas Esteves, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, Sem ônus (1) Ajudante

5 - DISTRITO DO CATETE
Superintendente Distrital:
CATETE
Nilson Alves Teixeira, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1), Titular
Jonas Falleiro Júnior, Presbítero Ativo, Tempo Parcial, (5), Coadjutor
Samira Alves Teixeira da Luz Silva, Presbítera Ativa, Tempo Parcial, (1), Coadjutora
VILA ISABEL
Lúcio Sant’Anna Ferreira, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1) Titular
Edmar Leonardo da Silva, Presbítero Ativo, Tempo Parcial,(3) Coadjutor
Tiago Medeiros da Costa Silva, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial (3) Ajudante

6 - DISTRITO DE DUQUE DE CAXIAS
Superintendente Distrital: Rev. Marco Antônio da Silva Ferreira
LOTE XV
Robson Lima dos Santos, Missionário Designado, Tempo Parcial, (1)
CAMPO MISSIONÁRIO DISTRITAL BETEL DE MANTIQUIRA
Flávio Ricardo Bahiense da Silva, Presbítero Ativo, Tempo Parcial, (1)

7 - DISTRITO DE JACAREPAGUÁ
Superintendente Distrital: Rev. Flávio dos Santos
BARRA DA TIJUCA
Péricles de Oliveira Ribeiro, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1), Titular
Janaina Manso Ribeiro, Pastora Ativa, Tempo Parcial, (1), Ajudante
CURICICA
Pierre Monteiro Lessa, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1)
FREGUESIA
Alberto Saraiva Sampaio, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1)
Alexandre de Medeiros Pereira, Missionário Designado, Tempo Parcial, (1) Ajudante
CAMPO MISSIONÁRIO DISTRITAL DO RECREIO
Thiago Manso Ribeiro, Missionário Designado, Tempo Parcial, (1)

8 – DISTRITO DE NILÓPOLIS
Superintendente Distrital: Rev. Paulo César Braga de Abreu
EDSON PASSOS
José Carlos Hott, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1)
PAULO DE TARSO
Altair Costa Filho, Pastor Ativo, Tempo Integral, (1)

9 - DISTRITO DE NOVA IGUAÇU
Superintendente Distrital: Revda. Fátima da Cruz Valente
COMENDADOR SOARES
Felipe de Mattos Itaboraí, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Integral, (1)

11 - DISTRITO DE REALENGO
Superintendente Distrital: Rev. Maximiliano Miler
REALENGO
Nelson Eduardo Santos Lucas, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1) Titular
Cláudio Ribeiro do Nascimento, Presbítero Ativo, Tempo Parcial, Sem Ônus(, (1) Coadjutor
Rute Noemi da Silva Souza, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (1) Ajudante

12 - DISTRITO DE RESENDE
Superintendente Distrital: Rev. Rodrigo Vieira Buçard
RESENDE
Rodrigo Vieira Buçard, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (12) Titular
André Luis Moliterno Monteiro Missionário Designado, Tempo Parcial, (1) Ajudante,
Elenice Maria Dias, Missionária Designada, Tempo Parcial, (1) Ajudante

⎫ Congregação de Penedo
Zulima de Jesus Arruda Moreira, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, Sem ônus (7), Ajudante
VILA NOVA (RESENDE)
Iro Machado, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1)
⎫ Congregação de Cruzeiro
Marcelo de Castro Lodoro, Missionário Designado, tempo Parcial, (1)

13 - DISTRITO DE SANTA CRUZ
Superintendente Distrital:
COSMOS
Tânia Maria Francisco da Silva, Presbítera Ativa, Tempo Integral, (1) Titular
Ronaldo Luis da Silva, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, sem ônus, (1) Ajudante
ITACURUÇÁ
Vagner Rosa Carvalho, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1)
NOVA BETEL PACIÊNCIA
Sérgio Santiago Coelho, Presbítero Ativo, Tempo Parcial, (1)
SANTA CRUZ
Daniel Silveira, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1) Titular
Rafael Bernardo de Pontes, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1) Coadjutor
⎫ Congregação de Novo Arraial
Wellington Rosa Batista, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (3) Ajudante
CAMPO MISSIONÁRIO DISTRITAL JARDIM WEDA
Mauro José da Silva Victor, Presbítero Ativo, Tempo Parcial, (1)
CAMPO MISSIONÁRIO DISTRITAL IBIRAPITANGA
Mauro José da Silva Victor, Presbítero Ativo, Tempo Parcial, (1)

15 - DISTRITO DE VALENÇA
Superintendente Distrital: Rev. Cleber Rosa França
VALENÇA
Luis Henrique Hott Ramos, Presbítero Ativo, Tempo Integral (1) Titular
Maria Angélica Gripp Faria da Silva, Presbítera Ativa, Tempo Integral, (1), Coadjutora
Jônatas Silva, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (1), Ajudante
VASSOURAS
Ana Cristina Caldas da Rocha, Presbítera Ativa, Tempo Integral (1)
CAMPO MISSIONÁRIO DISTRITAL EM MENDES
Thiago de Souza Lima, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (1) Titular
Thaiana Ferreira Maciel, Aspirante ao Presbiterado, Sem ônus, Tempo Parcial, (1) Ajudante
CAMPO MISSIONÁRIO DISTRITAL EM MIGUEL PEREIRA
Thiago de Souza Lima, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (1) Titular
Thaiana Ferreira Maciel, Aspirante ao Presbiterado, Sem ônus, Tempo Parcial, (1) Ajudante

16 - DISTRITO DE VOLTA REDONDA
Superintendente Distrital: Rev. Anselmo Francisco do Amaral
RETIRO
Anselmo Francisco do Amaral, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (12), Titular
Miriam Isabel Gallo do Amaral, Presbítera Ativa, Tempo Parcial, (12), Coadjutora
⎫ Congregação Nova Primavera
José Carlos Paula Chagas, Missionário Designado, Tempo Parcial, (1)
⎫ Congregação Roma II
Everton Faria, Evangelista, Tempo Parcial, (1)
SANTO AGOSTINHO
Carlos Alexandre da Silva Reis, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (15), Titular
⎫ Congregação Belmonte
Mauro de Paiva Luciano, Pastor Ativo, Tempo Parcial, (1) Titular
Henriqueta Maria Rodrigues Pereira Luciano, Pastora Ativa, Tempo Parcial, (1) Ajudante
VOLDAC
Carlos Eduardo Mota Chaves, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (17)
Cleonice Dias Reis, Missionária Designada, Tempo Parcial, (1), Ajudante
Mário Cesar dos Santos, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (1) Ajudante
VOLTA GRANDE II
Nilo Sérgio Vieira, Pastor Ativo, Tempo Integral, (15)
Weberth Ventura Valerio, Presbítero Ativo, Tempo Parcial, (1) Coadjutor
VOLTA REDONDA
Rubem Andrade Mandú da Silva, Presbítero Ativo, Tempo Integral, (1), Titular
Guilherme de Souza Mandú, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (1) Ajudante
⎫ Congregação de Vila Rica
CAMPO MISSIONÁRIO DISTRITAL DE CANDELÁRIA
Robson Luis Dias de Oliveira, Presbítero Ativo, Tempo Parcial, (1)

OBREIROS A NOMEAR
Roberto Nascimento de Oliveira, Aspirante ao Presbiterado, Tempo Parcial, (2) Ajudante
Rogério Vanderlei Maia do Amaral, Aspirante ao Presbiterado, (3)
ASSESSORIA PASTORAL AOS/ÀS ALUNOS/AS DA FACULDADE DE TEOLOGIA EM SÃO PAULO
Revda.Danielle Lucy Bósio Frederico, Presbítera Ativa, Tempo Parcial, (1)

IX - PASTORAIS ESCOLARES E CAPELANIAS
a) INSTITUTO METODISTA DE AÇÃO SOCIAL - IMAS
Hélio de Oliveira, Presbítero Ativo, Tempo Parcial, (1) Coord.
Laiza Francisca Gomes, Presbítera Ativa, Tempo Parcial, (6)

As nomeações acima, de Tempo Parcial, são sem ônus, o que não impede de a igreja aprovar uma ajuda de custo, despesas de viagens e expedientes pastorais.

Rio de Janeiro, 01 de fevereiro de 2016.
Bispo Paulo Tarso de Oliveira Lockmann

10 MOTIVOS PARA CELEBRAR O NATAL



1 – Porque a Bíblia, em nenhuma parte, proíbe a celebração do nascimento de Jesus Cristo.

2 – Porque, pelo fato de ninguém saber a data correta do nascimento de Jesus, a data foi estipulada em 25 de dezembro. Se não fosse esta data a escolhida, poderia ser qualquer outra. Então em pergunto: Se ninguém sabe a data correta, qual o problema de comemorarmos no dia 25 de dezembro?

3 – A Bíblia diz: “Quero trazer a memória o que me pode trazer esperança” (Lamentações de Jeremias 3:21) É melhor recordar o nascimento de Jesus, expressão maior do amor de Deus, que deu seu filho unigênito para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna, que entregar, em breve, esta data para celebração de Maitreya, o avatar da Era de Aquário. Já perceberam que no dia 31 de outubro, dia da comemoração da Reforma Protestante, a maioria das Igrejas Evangélicas deixaram de recordar e muitas nem sabem o que significa, tem sido ocupado para a comemoração da festa de halloween? ACORDA IGREJA!

4 – Se o natal tem tido desvios na sua maneira de celebrar, onde está a voz profética da Igreja para ensinar o povo que a vinda de Jesus ao mundo teve outro objetivo? Não seria este momento, onde a família se reúne, uma ótima oportunidade para o evangelismo comprometido?

5 – Porque, apesar do apelo comercial, posso me educar e ensinar minha família a ter domínio próprio e vivermos conforme as nossas posses.

6 - Porque a criação desta festividade foi a destronização do deus sol, para dar lugar ao verdadeiro sol da Justiça, que é o nosso amado Senhor e Salvador Jesus Cristo.

7 – Esta festa é um ótimo momento para glorificarmos a Jesus Cristo com nossa família, amigos e Igreja. Num tempo de tanta correria e atropelos, o Natal é um momento especial para buscarmos comunhão, reconciliação ou simplesmente estarmos juntos.

8 – Porque os adereços (enfeites) de natal, excluída a figura de papai noel e outras que destoam dos ensinos bíblicos, alegram qualquer ambiente e nos fazem rememorar a primeira noite de natal.

9 – O natal de Jesus nos dá uma excelente oportunidade para ensinarmos sobre a sua segunda vinda, assunto que anda muito esquecido nestes tempos de teologia da prosperidade.

10 – É interessante que a festa de natal traz em seu bojo um clima de muita alegria. É lógico que é também um momento de reflexão e saudade de pessoas que nos deixaram e deixaram um espaço vazio na mesa. Por isso, natal é, também, tempo de abraço, consolo, cura e de esperança.

COMEMORE O NATAL COM TODA INTENSIDADE!

Aproveite para orar junto com seus queridos.

Aproveite para presentear o aniversariante com a sua vida.

Dê graças pelo grande amor do Pai por todos nós.

Feliz Natal!

Rev. Ednaldo Breves

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A IMPORTÂNCIA DO NATAL: POR QUE GOSTAR E COMO CELEBRAR?

Lucas 2:1 a 7


INTRODUÇÃO:

Apesar de algumas distorções, particularmente considero o mês de dezembro é um dos meses mais alegres de ano.
O que faz de dezembro tão especial? O natal.
Penso que nós cristãos temos 3 datas que nunca podemos deixar de reviver e celebrar: NATAL, PAIXÃO E PÁSCOA.
No entanto, no decorrer da minha vida não foi incomum encontrar pessoas dizendo: EU NÃO GOSTO DO NATAL!
Eu sempre fiquei muito perplexo com esta afirmação.
Com o tempo entendi que muitas pessoas NÃO GOSTAVA DO NATAL por causa de algum trauma sofrido: O papai noel, que dizem não esquece de ninguém, porém nunca deu as caras em sua casa; a meia que foi colocada na janela para receber os presentes e além de não receber o presente, ainda lhe roubaram a meia, solidão, perdas familiares, traumas de infância, dificuldades financeiras, etc...
No entanto, é bom que se diga que o mesmo equívoco que cometem os que tranformaram o natal numa festa comercial, cometem os que transformaram o natal numa festa pessoal, comemorando ou não por uma circunstância pessoal, POIS AMBOS ESTÃO DESINFORMADOS QUANTO A VERDADEIRA IMPORTÂNCIA DO NATAL.

DESENVOLVIMENTO:

1. MAS QUAL A IMPORTÂNCIA E POR QUE GOSTAR DO NATAL?
Natal é a vinda do filho de Deus para ser filho do homem, para levar os filhos dos homens a se tornarem filhos de Deus. (João 3:16 – Hebreus 4:15 – 1:18)
Devemos gostar do Natal de Jesus porque foi um marco da fidelidade de Deus no cumprimento de sua promessa em Gênesis 3:15, também chamado de PROTO (PRIMEIRO) – EVANGELHO. A redenção da humanidade.

2. HOUVE UM HOMEM NA BÍBLIA QUE DETESTOU O NATAL – SEU NOME: HERODES
NATAL PARA HERODES ERA AMEAÇA DE PERDA, CONFRONTO, POSSIBILIDADE DE
PARA ELE O NATAL – A CHEGADA DE JESUS – significaria mudança de vida, de postura, PREÇO QUE ELE NÃO QUERIA PAGAR.
SUA IDÉIA FOI MATAR JESUS, AO INVÉS DE SE ADEQUAR AOS PRÍNCIPIOS DE DEUS.
AINDA HOJE HERODES TEM FEITO DISCÍPULOS: OS EUA QUE PROIBIRAM MENCIONAR JESUS NO NATAL – MUITOS QUE COMEMORAM ERRADO – OS QUE DEIXAM DE COMEMORAR – NÃO ESTÃO, PORVENTURA, SEGUINDO HERODES?

3. MAS COMO CELEBRAR O NATAL?

A. EM FAMÍLIA – Lucas 2:16 – Os pastores encontraram uma família reunida; Ótima oportunidade para estar em família. (Juntos, reconciliação, iniciativa para o perdão, abraços, encontros e reencontros), É LÓGICO QUE ONDE TEM PESSOAS TEM ALIMENTOS, ALEGRIA, Mas o foco principal tem de ser JESUS.

B. COM CELEBRAÇÃO – Lucas 2:13-14 – Deus mandou o anjo com uma milícia (Uma multidão - grande coral de anjos) dizendo: Glória a Deus nas maiores altura e paz na terra entre os homens a quem ele quer bem. É tempo de louvar a Deus. É TEMPO DE ESTAR NA CASA DE DEUS! É tempo de lotarmos a Igreja para adorar e louvar de todo nosso coração!

C. COM PRESENTES – Mateus 2:1 a 12 – Nos fala que Uns Magos vieram do Oriente, guiados por uma estrela, para adorar Jesus. Ao encontrá-lo deram-lhe presentes: (Ouro (realeza), incenso (divindade) e mirra (Paixão) – PRESENTES PARA JESUS. É bom e saudável presentear e ser presenteado. Sinal de lembrança. O PRESENTE MAIS IMPORTANTE TODOS GANHARAM. JESUS! MAS É O PRESENTE DE JESUS? Prov. 23:26 Dá-me o teu coração (vida) – O prazer de Deus é transformar sua vida – EU SOU O PRESENTE DE DEUS.

CONCLUSÃO:

Que Deus nos ajude a sempre manter a tradição sadia de nunca deixar morrer o natal de Jesus.
Que sejamos consciente a ponto de ensinar as pessoas que NATAL SIGNIFICA ESPERANÇA, A CERTEZA DE DIAS MELHORES.
A POSSIBILIDADE REAL DE VITÓRIA SOBRE TODAS AS FORÇAS DO MAL.
ACIMA DE TUDO, A POSSIBILIDADE REAL DE SALVAÇÃO ETERNA PARA TODAS AS PESSOAS QUE RECEBEREM JESUS CRISTO EM SEUS CORAÇÕES.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

TEMPO DO FIM

(AUTOR: Pastor Rui Carlos da Silva Lemos)*


Olha, o dia de Cristo não tarda chegar
E então romperá o amanhã do juízo
Em que as nações, hão de se lamentar

Olha, Jesus avisou que não vai demorar
Estamos vivendo no tempo do fim
Portanto é hora de nos aprontar

Breve, Jesus descerá com seu poder e glória
No dia mais lindo de toda a história
Seremos levados para o céu além

Então, todo sofrimento será esquecido
Pois nós estaremos por Deus protegidos
Vigia porque esse dia já vem

Se vê rumores de guerras, em várias nações
Tembém o pecado se multiplicando
O ódio imperando em muitos corações

Jesus, com todo amor nos mandou vigiar
E em santidade ficar esperando
A qualquer momento o seu regressar.

É bom estarmos atento e olhar os sinais
Os quais antecedem a vinda de Cristo
Rumores de guerra, tormentos e ais...

E mais...
Jesus também disse que os homens cruéis
Escarneceriam de sua palavra
E perseguiriam os crentes fiéis.

* NOTA SOBRE O AUTOR:

A informação foi prestada pelo Pr. Flávio Henrique Lemos:
Segundo o Pastor Flavio, o autor de hino tão inspirado, Pastor Rui Carlos da Silva Lemos, também é autor de outros hinos tão inspirados quanto este, a saber:
- Um passo só! (Eternizado por Ozéias de Paula)
- Menino Pobre! (Gravado por Otony de Paula)
- Porto Seguro! (Gravado por Adilson Rossi)
- Zaqueu! (Gravado por Carlos de Oliveira)
- Etc...

Nossa gratidão a Deus pela vida e ministério do amado Pastor Rui Carlos da Silva Lemos!
Que Deus lhe conceda saúde fisica, emocional e espiritual!

O NATAL DE WESLEY


Uma rápida olhada no Journal (Diário Público) de John Wesley é suficiente para percebermos que a maneira dele celebrar o Natal esteve em chocante contraste com o pinheirinho e o Papai Noel dos nossos dias. Escolhemos o período de 1778 a 1791, quando a Capela Nova já era a sede de Wesley em Londres e as celebrações peculiares do Metodismo já haviam tomado sua forma característica.

Veremos que os três momentos altos no Natal de Wesley, que giravam em torno da tal “Capela Nova”, sugerem uma profunda apreciação pelo sentido da encarnação de Jesus. Nessa celebração tríplice, somos levados a contemplar com gratidão a realidade de que Jesus Cristo, na sua pessoa, é plenamente divino e plenamente humano; que, para se fazer homem, para identificar-se com a nossa condição, ele se esvaziou, abdicando da honra e da glória que lhe pertenciam por direito (Filipenses 2,5); e que ele nos chama para participar, de corpo e alma, com ele, na sua missão divina.

Wesley nos fornece um excelente retrato de seu dia 25 de dezembro de 1778, no seu Journal. As atividades do dia tiveram início às 4 da madrugada, “como de costume, na Capela Nova”. A seguir, o próprio Wesley, na qualidade de presbítero da Igreja da Inglaterra, “leu orações”, ou seja, dirigiu o culto e ministrou o sacramento, na Capela da Rua Oeste (templo da Igreja da Inglaterra, arrendado por Wesley).
De tarde, ele pregou novamente na “Capela Nova, totalmente repleta em cada canto”. Ele concluiu as celebrações desse concorrido Natal, expondo a Palavra de Deus no templo anglicano do Santo Sepulcro, um dos maiores templos paroquiais de Londres e que, apesar do frio do inverno londrino, se encontrava “repleto”. Tendo completado este roteiro de celebrações, Wesley, com seus 74 anos, observou que se sentia “mais forte depois de pregar o quarto sermão do que depois do primeiro”.
Ele registrou no Journal do dia 31 de dezembro do mesmo ano: “Concluímos o velho ano com solene vigília e começamos o novo com louvor e ações de graça”. Mas, além da vigília de passagem do ano, que nunca falta no Metodismo Wesleyano, havia ainda um outro evento marcante, o “Culto da Renovação do Pacto com Deus”. A princípio, celebrava-se este culto no dia 1º de janeiro de cada ano, mas, a partir de 1786, o evento ocorria às 15 horas do primeiro domingo do novo ano.
Vejamos, no entanto, o registro do Journal do dia 2 de janeiro de 1785, quando Wesley escreveu: “Esteve presente maior número de pessoas esta noite na renovação do nosso pacto com Deus do que jamais fora visto antes em outra ocasião”. Tendo presente a idade de Wesley na ocasião (ele nasceu em 1703), um registro no dia 4 do mesmo mês e ano se torna especialmente significativo: “Nesse tempo do ano, geralmente distribuímos carvão e pão entre os pobres da sociedade. Mas entendi que agora eles precisam também de roupa. Portanto, hoje (dia 4) e nos dias seguintes, eu andei (na neve) pela cidade e mendiguei 200 libras, a fim de vestir aqueles que tinham maior necessidade”. Após esse sacrifício, ele caiu de cama, seriamente doente.
O “Natal de Wesley” incluía, portanto: o Natal propriamente dito; a Vigília de Passagem de Ano e a Renovação do Pacto com Deus, formando conjuntamente uma abençoada trindade de celebração.
Natal: Ação de Graças pela dádiva de Jesus Cristo, Deus que se fez homem, visando nossa salvação e plena humildade; Vigília: Em 31 de dezembro, a alegre recordação de um ano de bênção e proteção divina.
Renovação do Pacto: No primeiro domingo do ano novo. A celebração pelo povo metodista do chamado divino para “reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica por toda a Terra”, e o resumir desse pacto por parte de cada metodista para ser co-participante de Deus em sua missão no mundo que Ele tanto amou.


Texto: Duncan A. Reily – historiador do metodismo, publicado no Mosaico – dez/1995

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA - UMA HISTÓRIA DE AMOR À BÍBLIA

Biografia de João Ferreira de Almeida


João Ferreira de Almeida (1628-1691), um português que recebeu a sua educação teológica na Holanda, empreendeu a primeira tradução do Novo Testamento para a língua portuguesa, a partir do original grego. Em 1670 a tradução estava concluída e onze anos depois foi publicada. João Ferreira de Almeida faleceu antes de completar a tradução de todo o Antigo Testamento do original hebraico. No entanto traduziu-o, de Génesis a Ezequiel, enquanto estava em Java (Indonésia). Em 1819 foi publicada a primeira edição da Bíblia em Português, de Génesis a Apocalipse, traduzida por João Ferreira de Almeida, sendo as versões revistas e actualizadas, posteriormente, as quais continuam a ser utilizadas pelos cristãos evangélicos de língua portuguesa.

A sua infância e juventude

João Ferreira de Almeida nasceu em 1628, em Torre de Tavares, concelho de Mangualde (Portugal). Filho de pais católicos, mudou-se para a Holanda, passando a residir com um tio e onde aprendeu o latim e se iniciou no estudo das normas da Igreja Católica.

Aos 14 anos, em 1642, aceitou a fé evangélica, na Igreja Reformada Holandesa, impressionado pela leitura de um folheto em espanhol, "Diferencias de la Cristandad", que tratava das diferenças entre as diversas correntes da crença cristã.

Em 1644, aos 16 anos, João Ferreira de Almeida iniciou uma tradução do espanhol para o português, dos Evangelhos e dos Actos dos Apóstolos, os quais, copiados a mão, foram rapidamente espalhados pelas diversas comunidades dominadas pelos portugueses. Para este grandioso trabalho, João Ferreira de Almeida também usava como fontes as versões latina, de Beza, francesa e italiana, todas elas traduzidas diretamente do grego e do hebraico. No ano de 1645, a tradução de todo Novo Testamento foi concluída; mas apenas seria editada em 1681, em Amsterdão.

Em 1648, relata J. L. Swellengrebel, um holandês que teve acesso às Actas do Presbitério da Igreja Reformada da Batávia e às Actas da Companhia Holandesa das Índias Orientais, João Ferreira de Almeida já desempenhava as funções de capelão visitante de doentes, em Malaca, Malásia, "percorrendo diariamente os hospitais e casas de doentes, animando e consolando a todos com as suas orações e exortações". Em Janeiro de 1649, foi escolhido como diácono e membro do presbitério. Nessa função tinha a responsabilidade de administrar o fundo social, que prestava assistência aos pobres. Durante os dois anos em que desenvolveu essa função, continuou a sua obra de tradução e, após a tradução do Novo Testamento, dedicou-se e traduziu o Catecismo de Heidelberg e o Livro da Liturgia da Igreja Reformada. As primeiras edições dessas obras foram publicadas em 1656 e posteriormente em 1673.

Em março de 1651, foi para a Batávia, para a cidade de Djacarta, ainda como capelão visitante de doentes, mas simultaneamente, desenvolvia os seus estudos de Teologia e revisava o Novo Testamento.

Em 17 de março de 1651, foi examinado publicamente, sendo considerado candidato a ministro. Depois de ser examinado, pregou com eloquência sobre Romanos 10:4. Desenvolveu também um ministério importantíssimo entre os pastores holandeses ensinando-lhes o português, uma vez que ministravam nas igrejas portuguesas das Índias Orientais Neerlandesas. Em setembro de 1655, João Ferreira de Almeida o exame final, quando prega sobre Tito 2.11-12, mas só recebeu a sua confirmação em 22 de agosto de 1656. Neste mesmo ano, quase um mês depois, em 18 de setembro, é enviado como ministro para o Ceilão, hoje Sri Lanka.

Perseguição, inquisição e obstáculos à publicação da tradução

Em 1657, João Ferreira de Almeida encontrava-se em Galle, no sul do Ceilão. Durante o seu ministério em Galle, assumiu uma posição tão firme contra o que ele chamava de "superstições papistas", que o governo local resolveu apresentar uma queixa a seu respeito ao governo da Batávia. Durante a sua estadia em Galle é que, provavelmente, conheceu e se casou com Lucretia Valcoa e Lemmes, ou Lucrecia de Lamos, jovem também vinda do catolicismo romano. O casal completou-se como família tendo dois filhos, um menino e uma menina, dos quais os historiadores não comentam mais nada. No decorrer da viagem de Galle para Colombo, Almeida e a sua esposa foram milagrosamente salvos da investida de um elefante.

A partir de 1658, e durante três anos, Almeida desenvolveu o seu ministério na cidade de Colombo e ali de novo enfrenta problemas com o governo, o qual tentou, sem sucesso, impedi-lo de pregar em português. O motivo dessa medida, estava provavelmente relacionado com as firmes e fortes idéias anti-católicas de João Ferreira de Almeida.

Em 1661, Almeida seguiu, no sul da Índia, onde ministrou o evangelho durante um ano, mas onde também foi perseguido. As Tribos da região negaram-se a ser baptizadas ou ter os seus casamentos abençoados por ele, pelo facto da Inquisição ter ordenado que um retrato de Almeida fosse queimado numa praça pública em Goa.

Em 1676, após ter dedicado vários anos a aprender grego e hebraico e a aperfeiçoar-se na língua holandesa, João Ferreira de Almeida concluiu a tradução do Novo Testamento para a língua portuguesa, passando a batalhar pela publicação do texto, já que para ter o aval do presbitério e o consentimento do Governo da Batávia e da Companhia Holandesa das Índias Orientais, o seu texto deveria passar pelo crivo dos revisores indicados pelo presbitério. Em 1680, quatro anos depois do início da revisão, desiludido com a morosidade da publicação, envia o seu manuscrito, para ser publicado na Holanda por conta própria. O seu desejo é que a Palavra de Deus seja conhecida pelo povo de língua portuguesa. Mas, o presbitério percebeu a situação e conseguiu sustar o processo, interrompendo a impressão.

Depois de alguns meses, quando João Ferreira de Almeida já estava prestes a desistir da publicação, recebeu cartas vindas da Holanda, informando que o texto tinha sido revisto e que estava a ser impresso. Em 1681, foi publicada a primeira edição do Novo Testamento de Almeida e, no ano seguinte, em 1682, chegou à Batávia. Quando começou a ser manuseada foram percebidos vários erros de tradução e revisão. Tal facto foi comunicado à Holanda e todos os exemplares que ainda não haviam saído foram destruídos, por ordem da Companhia Holandesa das Índias Orientais. As autoridades holandesas determinaram também que se fizesse o mesmo com os exemplares que já estavam na Batávia. Mas, ao mesmo tempo, providenciaram para que se começasse, o mais rapidamente possível, uma nova e cuidadosa revisão do texto. Apesar das ordens recebidas da Holanda, nem todos os exemplares foram destruídos, e correções foram feitas a mão com o objectivo de que cada comunidade pudesse fazer uso desse material. Um desses exemplares foi preservado e encontra-se no Museu Britânico em Londres. O trabalho de revisão e correção do Novo Testamento foi iniciado e demorou dez longos anos para ser terminado. Somente após a morte de João Ferreira de Almeida, é que essa segunda versão foi impressa, na própria Batávia, e distribuída.

A dedicação no final da vida

Apesar da sua saúde estar abalada, entregou-se ainda mais à tradução do Antigo Testamento. Um ano depois, em 1683, já havia traduzido o Pentateuco. João Ferreira de Almeida faleceu em Outubro de 1691, deixando a esposa e um casal de filhos.

Nessa altura, tinha traduzido o Antigo Testamento, para a língua portuguesa, até Ezequiel 48.21.

A tradução do Antigo Testamento foi completada em 1694 por Jacobus op den Akker, pastor holandês. Depois de passar por muitas mudanças, ela foi impressa na Batávia, em dois volumes: o primeiro em 1748 e o segundo, em 1753.

Datas importantes da tradução de João Ferreira de Almeida da Bíblia

1676 - Conclusão da tradução do Novo Testamento para português

1681 - Data da publicação, na Holanda do Novo Testamento, em português

1691 - Morte de João Ferreira de Almeida. Tinha traduzido até Ezequiel 48:21.

1753 - Publicação da Bíblia, na tradução de João Ferreira de Almeida, em três volumes.

1819 - Primeira impressão da Bíblia completa em português, em um único volume. Tradução de João Ferreira de Almeida. Publicada em Londres.

1898 - 1.ª Revisão da tradução de João Ferreira de Almeida, que recebeu o nome de «Revista e Corrigida».

1932 - Versão de Matos Soares, elaborada em Portugal.

1956 - Publicação da versão "Revista e Actualizada", pela Sociedade Bíblica do Brasil.

1968 - Publicação da versão dos padres Capuchinhos.

1993 - 2.ª Edição da versão Revista e Actualizada

1995 - 2.ª Edição da versão Revista e Corrigida.